Ambiente

E quando asfixiares como um peixe num oceano carregado de plástico?

O projecto fotográfico do algarvio Rúben Caeiro, "CH2=CH2", usa o corpo humano para reflectir sobre um dos maiores problemas que a humanidade enfrenta.

Por Sérgio Felizardo; fotos por Rúben Caeiro
08 Maio 2019, 3:41pm

Todas as fotos cortesia Rúben Caeiro.

Todos os anos, oito milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos. Devastação absoluta para os oceanos e para a saúde humana (ainda que há quem garanta que, por exemplo, algumas alternativas a que recorremos para substituir os sacos de plástico sejam ainda piores para o meio ambiente). O plástico demora muito a decompor-se e, quando finalmente o faz, nunca chega a desaparecer – parte-se em mil bocadinhos mínimos que ficam no solo, passando para a comida e para os oceanos, onde são ingeridos por peixes que, posteriormente, são ingeridos por nós.

O tema parece ter finalmente ocupado o seu espaço na ordem do dia e isso faz com que vivamos mentalmente sobrecarregados. As notícias são sempre péssimas. Nunca melhores. Não há um fim à vista para a questão das alterações climáticas e o apocalipse ambiental, ainda que muitos o neguem, está cada vez mais no horizonte e não no retrovisor.

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Foto cortesia Rúben Caeiro.

É difícil não nos sentirmos asfixiados. Muito menos quando olhamos para as imagens de "CH2=CH2", série de retratos do fotógrafo algarvio Rúben Caeiro. A asfixia aqui é literal. “CH2=CH2 é o meu projeto final da experiência Erasmus+, enquanto aluno da ETICAlgarve e foi desenvolvido ao longo dos três meses que vivi em Berlim. É, essencialmente, uma reflexão pessoal, que resulta numa abordagem fotográfica centrada no tema 'Plásticos e os seus problemas de deterioração no meio ambiente', como o aumento da poluição nos oceanos e as suas consequências para os seres vivos que neles habitam", explica à VICE o fotógrafo de 23 anos, natural de Faro.

"E se fôssemos nós?" À questão, Caeiro respondeu com potentes imagens. "Com um fôlego directo em plástico durante 10 segundos, morreríamos por asfixia. Ao mesmo tempo, vão milhões de toneladas parar aos oceanos, que demoram mais de 100 anos a deteriorar-se completamente, fazendo com que, consequentemente, nós estejamos a ingerir micro-partículas desse mesmo plástico”, lembra Rúben, que aos 17 anos foi para Lisboa para estudar arquitectura, até perceber, dois anos depois, que o seu futuro passava inequívocamente pela fotografia.

O foco do projecto, acrescenta, é "usar o corpo humano como um elemento representativo dos seres marinhos afectados e das suas dificuldades perante o problema, através da fotografia conceptual e de uma visão artística". E conclui: "A intenção é alertar para a necessidade urgente de reflectirmos e tomarmos uma atitude. O título, 'CH2=CH2' refere-se ao elemento químico do etileno, um dos elementos principais do plástico. Um nome curto e eficaz, que tira partido da base da composição química, que é onde o "mal" começa... ainda na sua composição digamos assim, quase como uma coisa tóxica".

Abaixo podes ver mais imagens de "CH2=CH2". Podes acompanhar o trabalho do Rúben Caeiro no Instagram, Facebook e no seu site.

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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.
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Foto cortesia Rúben Caeiro.

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