saúde mental

Por que limpar a casa melhora a ansiedade de algumas pessoas

Taí um pano que você pode passar.
MS
Traduzido por Marina Schnoor
Madalena Maltez
Traduzido por Madalena Maltez
5.10.18
Rawpixel/Unsplash

Para um certo tipo de pessoa, tirar alguns minutos pra passar pano no chão da cozinha pode ter efeitos calmantes parecidos com os de meditar. Mesmo a visão de uma casa limpa – especialmente depois de um dia estressante – pode temporariamente fazer alguém esquecer o que estava incomodando sua mente.

Se você é uma dessas pessoas, há algumas explicações para limpeza se traduzir em níveis mais baixos de stress e ansiedade, diz Darby Saxbe, professora de psicologia da Universidade do Sul da Califórnia. “[Limpeza] dá uma sensação de controle e domínio do seu ambiente”, ela diz. “A vida é cheia de incertezas e muitas situações fora do seu controle, mas pelo menos podemos garantir nossas vontades em nosso espaço. Bagunça pode ser uma distração visual também, e serve como um lembrete incomodo de que há tarefas que não foram feitas.”

Bagunceiras

De um ponto de vista prático, muitas pessoas também gostam da sensação de saber que têm acesso fácil a coisas que precisam. É frustrante viver num espaço bagunçado onde é difícil encontrar objetos úteis, conta. A pesquisa feita por Saxbe até sugere que mulheres que acham sua casa estressante têm mais momentos de depressão durante o dia, enquanto aquelas que acham sua casas restaurativa experimentam menos momentos de depressão.

Mas nem todo mundo tem a mesma afinidade com limpeza – um fato que você conhece bem se já discutiu com um ente querido por causa do estado da pia da cozinha. Personalidade pode ser parte disso: falando no geral, pessoas que gostam de limpar podem ser mais conscientes e orientadas por detalhes, menciona Saxbe, enquanto pessoas que não gostam de fazer limpeza são mais espontâneas e menos organizadas.

A psicologia por trás dos efeitos de redução de stress da limpeza também pode ter uma base evolutiva. Às vezes as pessoas se voltam para rituais – incluindo fazer limpeza – para reduzir o stress de outras partes da sua vida, diz Martin Lang, um antropologista evolutivo da Universidade Masaryk da República Checa que estuda comportamento ritualístico. “A mente humana gosta de prever coisas”, acrescenta Lang. “Gostamos de saber o que está acontecendo porque isso nos permite sobreviver e extrair recursos do ambiente.”

Quando não temos controle – ou percebemos as coisas como caóticas e imprevisíveis – podemos experimentar ansiedade. De um ponto de vista evolutivo, isso deveria ser um impulso útil, diz Lang. “Isso nos leva a ter mais cuidado e tentar controlar nosso ambiente para que nenhuma surpresa possa nos prejudicar.”

Mas há outros fatores também: “Se há ordem na casa ou ambiente, podemos nos sentir seguros e mais confortáveis para nos mover no espaço”, diz Lang, o que pode ajudar a explicar os efeitos de alívio de stress. Quando limpa sua casa, você também se move e se comporta de maneira previsível e geralmente repetitiva. Só isso “já pode ser um mecanismo cognitivo que ajuda as pessoas a lidar com a ansiedade”, ele pontua. Em um estudo, Lang descobriu que pessoas que ficavam ansiosas com falar em público passavam um pano de limpeza sobre um objeto mais vezes que pessoas que não estavam ansiosas.

Mas ao extremo, a relação de uma pessoa com limpeza pode ser um sinal de questões subjacentes mais problemáticas. Medo de germes e contaminação, obsessão com ter as coisas em posição perfeitamente simétrica, limpeza excessiva e colocar coisas de um jeito preciso em particular, por exemplo, podem ser sinais de transtorno obsessivo-compulsivo, segundo o National Institute of Mental Health. Enquanto isso, pessoas que se sentem completamente confortáveis vivendo na imundície têm uma queda na atividade do córtex insular do cérebro e na amídala, sugerem pesquisas.

Mas se fazer faxina simplesmente te faz sentir melhor depois de um dia difícil, não tem um lado negativo em passar o aspirador na casa quando bate a vontade.

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