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O filme do Coringa do Martin Scorsese pode salvar o gênero de super-heróis de si mesmo

Como o plano da Warner Brothers de uma nova linha de filmes não tão canônicos da DC pode realmente render algo de bom.

Esta matéria foi publicada originalmente na VICE Canadá.

Filmes de super-heróis estão prestes a levar um choque de originalidade, começando por um novo filme do Coringa, por incrível que pareça.

Semana passada, o Deadline informou que Martin Scorsese está produzindo um filme de origem do Coringa para a Warner Brothers, que será dirigido pelo diretor de Se Beber Não Case Todd Phillips. Apesar de Jared Leto não ter sido dispensado, eles terão outro ator no papel, algo separado dos universos cinematográficos de Liga da Justiça e Esquadrão Suicida – já minados por comparações com os filmes da Marvel. Esse também deve ser o primeiro de uma série de filmes produzidos pela Warner Brothers apresentando personagens de quadrinhos da DC fora de seu universo canônico.O que pode ser bem legal, não só para fãs de quadrinhos que querem ver versões alternativas de seus heróis favoritos, mas também para os espectadores casuais. Se separando da linha principal dos outros filmes, esses projetos podem finalmente ganhar um pequeno espaço para ventilar e ter seus próprios méritos, em vez de serem partes incompletas de um quebra-cabeça de "construção de mundo".

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O plano da Warner Brothers de fazer filmes independentes do universo principal sugere que eles estão finalmente desistindo de tentar embalar tudo num mesmo pacote, em vez disso deixando esses filmes irem para direções próprias. E já era hora.

Enquanto rumores e especulações começam a circular sobre a escalação do novo Coringa, estou muito mais interessado em outros filmes do tipo que podemos esperar.

Há um longo histórico de super-heróis com que jogar aqui. Os três principais são óbvios: Superman, Batman e Mulher-Maravilha, que já fizeram suas estreias canônicas em preparação para o Liga da Justiça que sai este ano.

Mulher-Maravilha

Com o enorme sucesso de Mulher-Maravilha este ano, parece que o público está disposto a pagar para ver a princesa amazona quebrar mais caras do que a sequência prometida permite. Novos diretores e atores poderiam trazer uma abordagem nova e mais diversa para a heroína. Eu daria uma grana para ver Laverne Cox no papel, mas a ex-lutadora de MMA Gina Carano fica bem próxima em segundo lugar.

Explorar as políticas da paradisíaca ilha amazona de Themyscira seria ótimo, especialmente se a Mulher-Maravilha retornasse com tecnologias e notícias do mundo exterior. Ela também se divertiu muito trabalhando disfarçada no último filme, então talvez uma história de espionagem no presente desse bons resultados. Se Steven Soderbergh sair da aposentadoria, talvez pudéssemos voltar à estética de seu policial subestimado A Toda Prova.

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Superman

Superman é mais difícil. Ele é meio chato com sua quase total invencibilidade. Como um estrangeiro que adota e protege o Modo Americano, ele está mais que pronto para alguém chacoalhar a fórmula do garoto branco do interior – o novo Jafar bonitão do Aladin, Marwan Kenzari, está disponível será? Ou que tal Jon Hamm como um Super-Homem envelhecido, sofrendo com a consciência de que vai ver todo mundo que ele ama morrer? Os genes kryptonianos fazem ele envelhecer mais lentamente, o que traz muito potencial na questão da narrativa.

(Vou elogiar o Brandon Routh aqui, que deveria ter a chance de usar de novo o collant vermelho e azul – ele foi o melhor Superman que já vi em Superman - O Retorno. E nem vem discutir isso comigo no Twitter. Talvez num filme de futuro alternativo os fãs reconheçam a grandeza de Routh.)

Batman

Talvez uma versão live-action da animação Batman do Futuro fosse divertida, nos dando um novo herói noturno lutando contra o crime num futuro cyberpunk. Diretores interessantes que não quisessem se envolver numa franquia de vários longas poderiam meter as mãos num filme e partir para outra. Agora que cancelaram Sense 8, talvez as Wachowski estejam livres para dirigir. E Katryn Bigelow mostrou que manja de cyberpunk melhor que muita gente em Estranhos Prazeres de 1995.

Lex Luthor

Se a Warner quer mais títulos com vilões e dar uma chance para heróis menos conhecidos da DC, também tem muitos nomes para escolher.

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Lex Luthor poderia ser uma mina de ouro. Imagine a versão de Paul Thomas Anderson para o milionário sedento de poder. Sangue Negro e O Mestre dariam moldes ideais para um filme sobre a ascensão e queda do empresário megalomaníaco.

Lex Luthor funciona melhor como um monstro bem humano derrubado por sua própria húbris, assim como Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) em Sangue Negro .

Renee Montoya

Renee Montoya é uma policial que assumiu o manto do Questão em 2007 e se tornou uma detetive particular – uma ótima contrapartida para os Defensores "mais de rua" da Marvel. Ela seria a primeira heroína queer e latina da DC, uma mudança muito bem-vinda. Ela também já se envolveu romanticamente com a Batwoman, uma das melhores e mais subestimadas heroínas da DC (que também poderia ter seu próprio filme).

Montoya e Batwoman são interessantes demais para desperdiçar num universo cuidadosamente planejado como o da Liga da Justiça. Mas poderiam arrasar em projetos originais. Montoya tinha que lidar com seu serviço na polícia de Gotham em Gotham Central, resolvendo casos enquanto o Batman inevitavelmente interferia e/ou levava o crédito. Seria uma ótima maneira de desafiar algumas das políticas do gênero, também abordando a corrupção e inépcia da polícia. E seu caminho sobrenatural para se tornar Questão poderia até rivalizar com Jessica Jones da Marvel.

O diretor de Expresso do Amanhã e Okja, Bong Joon-ho, seria uma boa opção para equilibrar o submundo criminal sombrio de Gotham com o tom mais leve e engraçado dos quadrinhos. Ou para contar a história de amor entre as duas heroínas torturadas.

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Homem-Animal

Temos também Buddy Baker, ou Homem-Animal, que empresta seus poderes dos animais ao seu redor. Pode parecer uma premissa meio besta, mas nos quadrinhos, o autor Jeff Lemire centrou a história na vida familiar de Buddy e suas tentativas de ser um bom marido e pai, enquanto cultiva sua própria celebridade em expansão. Nos anos 80, Grant Morrison experimentou com Buddy se tornando tão consciente que começa a entender sua própria natureza fictícia – pense em Deadpool, mas com profundidade emocional em vez de piadas quebrando a quarta parede.

A consciência do personagem, misturada a um comentário sobre a celebridade dos super-herói, poderia ser um jeito bem legal de desembalar os significados que atribuímos a personas públicas, mas levando super-heróis para direções novas e mais convincentes.

Eu entregaria o excêntrico e indie Homem-Animal para alguém como Daniel Scheinert e Dan Kwan de Um Cadáver Para Sobreviver para uma pegada bem WTF.

Monstro do Pântano

O Homem-Animal também trabalhou com o Monstro do Pântano nos últimos anos, outro herói (ou anti-herói) que talvez mereça um reboot depois da tentativa de franquia morna dos anos 80. Com o aquecimento global na consciência coletiva do mundo, um homem com raízes (literalmente) no mundo natural viria numa ótima hora e seria bem convincente.

Em A Chegada de 2016, Denis Villeneuve encontrou um tom que poderia se encaixar bem com o cenário meio alienígena do Monstro do Pântano, estabelecido nos quadrinhos de Alan Moore. Mesmo firmemente enraizado na Terra, o Monstro do Pântano consegue viajar para o Verde, um reino etéreo onde o Parlamento das Árvores pode se comunicar telepaticamente (sim, é estranho). Villeneuve ofereceu uma visão muito louca de aliens que se comunicam não-verbalmente em A Chegada, e esse tipo de abordagem poderia ser perfeita aqui, num filme sobre um homem obrigado a ser parte do mundo natural como ele nunca imaginou.

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O Monstro do Pântano de 1982 podia muito bem ser atualizado.

O Marvelverso

Talvez a coisa mais interessante sobre essa direção é que a ideia pode fazer a Marvel tentar o mesmo, dando a suas propriedades um espaço para respirar fora do universo controlado dos Vingadores. Lembra daquela vez, nos quadrinhos, que o e o >span class="LinkdaInternet">Capitão América era negro? Me parecem dois filmes sensacionais.

Quem sabe um mumblecore com a Capitã Marvel, dirigido e estrelado por Greta Gerwig? Ou um filme realmente de terror (censura 18 anos) de Blade e do Cavaleiro da Lua por Jordam Peele ou Karyn Kusama.

E aposto que Rachel Talaley de Tank Girl ainda está esperando um e-mail da Marvel sobre She-Hulk.

Provavelmente é melhor manter um pouco do ceticismo saudável sobre o filme do Coringa, mas a DC entrou num caminho que pode finalmente resgatar os super-heróis dessa onda cada vez mais sem graça e padrãozinho. Esperamos.

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