A produtora Angélica Abe e a cineasta Lívia Cheibub, donas da produtora Wild Galaxies, nos bastidores da gravação do longa pornô. Foto: Divulgação/Paula Faraco.
A escolha dos protagonistas foi crucial para a naturalidade que transparece durante o longa. Maria Ríot é uma atriz argentina ativista dos direitos de trabalhadoras sexuais e de sexualidade fluída e Parker Marx é ator adulto no gênero de queer porn e já estava adaptado à linguagem diferente que as diretoras queriam tocar para a história. Um dos requisitos era que ambos nunca tivessem gravado juntos para não precisar forjar justamente a descoberta dos corpos entre os dois. Livia e Angélica garantem que a química entre eles foi instantânea.Queríamos falar sobre a intimidade de um sexo casual, da entrega, de uma paixão momentânea, de uma personagem feminina independente e fluida, e de um homem normal, com inseguranças. - Lívia Cheibub.
Parker e María, os protagonistas do pornô. Foto: Divulgação/Paula Faraco.
As cenas de sexo explícito e visceral se misturam com papos de relacionamento e, especialmente, as inseguranças masculinas em torno de Thomas. Essa fragilidade masculina do personagem, algo impensável para um pornô, trouxe profundidade para o longa e saiu do lugar comum. No meio disso, o foco principal fica no prazer da protagonista. Fluídos vaginais, dedadas e lambidas substituem o entra-e-sai da penetração."A sexualidade vai muito além do 'pau na buceta', ela é a movimentação da energia vital do seu corpo. Ela permeia e influencia toda a sua vida. Pode soar meio hippie, mas existe uma relação direta entre sexo e espiritualidade, ele é sinônimo de integração do ser como um todo. Quando nos juntamos para realizar o projeto, a gente queria criar um approach mais humanista do pornô", analisa Livia sobre o filme.Gosto muito das cenas em que o Thomas acorda sozinho na cama. O corpo masculino nu, na sua fragilidade, 'desarmado'. Sua casa, sua cama, ele de pau mole, naturalizam uma sensualidade que não depende de virilidade.
Lívia prepara os atores em uma das cenas de Landlocked. Foto: Divulgação/Paula Faraco.
Nos últimos anos, a pornografia cada vez mais vem sendo colocada na berlinda por inevitavelmente ajudar a moldar o comportamento sexual de muita gente, especialmente adolescentes héteros. Com isso, sua função sexual está ultrapassando as barreiras do entretenimento e caindo direto para a educação sexual. Faz sentido, se as escolas e outros órgãos de saúde têm lavado as mãos para a educação sexual, o pornô ocupa esse lugar. Angélica e Lívia estão nessa escola no "novo pornô"."O filme pornô, querendo ou não, educa o comportamento sexual e de gênero de uma geração em formação. Se abrir e se mostrar inseguro é um ato de muita coragem, que poucos machos têm o culhão de encarar. Ao mesmo tempo, deixar o outro adentrar este espaço de vulnerabilidade dá chance à mágica e à cura acontecer também, como retratado no filme", explica Livia.Landlocked foi lançado mês passado na plataforma On Demand no Vimeo, mas já saiu do ar. Se você quiser comprar, ele está disponível aqui por um preço decente e acessível. Se você quiser também colaborar com o trabalho do Wild Galaxies, clica aqui.Siga a VICE Brasil no Facebook , Twitter e Instagram .O filme pornô, querendo ou não, educa o comportamento sexual e de gênero de uma geração em formação. Se abrir e se mostrar inseguro é um ato de muita coragem, que poucos machos têm o culhão de encarar.
