Gaming

Uma lesão de Ronaldo boicota a táctica, até no futebol virtual

O leiriense Sérgio Ferreira Carmo levou Portugal ao Europeu de "Football Manager".
23 November 2017, 12:14pm
Foto cortesia Sérgio Ferreira do Carmos (Direitos Reservados)

Este artigo foi originalmente publicado no JORNAL DE LEIRIA e a sua partilha resulta de uma parceria com a VICE Portugal.

Hugo Pinheiro, que este ano regressou ao activo n'Os Vidreiros, era uma lenda das balizas. Virtual, é certo, mas uma lenda. No jogo de computador Championship Manager (CM) de 2001/02, o atleta, então no Marinhense, apresentava credenciais que iam muito além do seu real valor. Era a prioridade de muitos e muitos jogadores quando queriam reforçar as balizas, devido à relação entre a qualidade que tinha e o preço acessível a que estava disponível no mercado. Foi desejado por muitos rapazes, que queriam contar com as suas aptidões para conquistarem títulos virtuais.

Um deles era um rapaz de sete anos de Leiria, de seu nome Sérgio Ferreira Carmo. Hoje tem 23 anos, mas na altura era um miúdo que começava a fazer as primeiras experiências no Championship Manager com o primo André Miranda, que hoje faz parte da equipa técnica no Peimari United, da Finlândia. E sim, estamos a falar do mundo real.

Na altura, os fins-de-semana dos primos eram verdadeiramente desportivos, mas “sentados no sofá”. Era o CM e o Fifa, o PC e a Playstation, além dos jogos grandes na televisão. Não é que o panorama tenha mudado tanto assim, porque Sérgio, advogado estagiário em Lisboa, continua a gostar muito, mesmo muito de se aventurar nas funções de treinador, de estratega, de dirigente e de olheiro.


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Hoje, o Championship Manager foi trocado pelo Football Manager (FM). Tudo vai ao pormenor e os lapsos que fizeram de Hugo Pinheiro uma estrela já não acontecem com tanta regularidade. É precisamente a busca por talentos o que mais cativa este sócio da União de Leiria, que já levou o clube da terra ao título nacional. “Não é propriamente as tácticas, que não me suscitam grande interesse, é mais a constituição do plantel e a observação dos jogadores que me agrada. Diria que é aí que passo 80 por cento do tempo”, saienta.

A edição deste ano estava prestes a ser lançada e quando quis saber mais, Sérgio tropeçou num concurso que prometia levar a Londres o “maior fã” do jogo em Portugal, com o objectivo de participar na "Copa Manageria", um torneio que funciona em forma de Europeu, com 16 elementos de outros tantos países. Foi o escolhido, com um texto em que explica a paixão que sente pelo CD Tenerife, que nasceu à conta de um save no FM e que o levou a uma carreira de 27 temporadas de glória com o clube canário. A paixão é tal que em Outubro foi assistir a um jogo, ao vivo, no Heliodoro Rodríguez López, casa do Tete.

Recentemente, este ex-futebolista do Marrazes, do GRAP e do Boavista lá partiu para a sede da empresa que produz o jogo, a Sports Interactive, em Inglaterra, com o objectivo de levar Portugal até à glória. Caiu, contudo, na fase de grupos. “O azar condicionou a prestação”, garante. É que após uma vitória sobre a Bélgica (2-0), um golo sofrido ao minuto 91 pelo “coxo” Lafferty valeu uma derrota aos pés da Irlanda do Norte (1-2). No jogo das decisões, frente à favorita Holanda, uma lesão de Cristiano Ronaldo aos 20 minutos deu cabo da tácticas e das hipóteses de Portugal seguir em frente (1-3). Valeu pela experiência e pelos truques que aprendeu com os novos amigos.


Miguel Sampaio é jornalista do JORNAL DE LEIRIA.

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