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O DNA de 'I Never Learn' de Lykke Li

Que bom que a gente cresce. A Lykke Li e seu disco "I Never Learn" estão aí pra provar que maturidade é um negócio muito louco que a gente só ganha quebrando a cara.
4.6.14

Lykke Li passou quase todos seus vinte anos como uma estrela pop. Com 21 anos de idade, ela lançou seu aclamado debut Youth Novels em 2008, seguido de Wounded Rhymes em 2011. Neste último mês ela lançou seu terceiro e infinitamente mais maduro álbum, I Never Learn. Uma ode ao crescimento, o espaço entre os três álbuns é cavernoso, enquanto a artista navega de fervor juvenil à retaliação à reflexão sensata de I Never Learn, “a conclusão de uma trilogia”.

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Conversamos com Lykke Li sobre a produção de seu disco mais reflexivo e esperado até o momento:

CRESCIMENTO PESSOAL

Lykke Li é aberta quanto aos conflitos em sua vida após as turnês e o retorno a um mundo que continuou a girar enquanto ela viajava fazendo shows. “Passei por uma tempestade de merda. Tudo se arrebentou pra mim… Quando você é jovem tem muita coisa interna e externa rolando. Ao atingir a maturidade, você tem que encarar a si mesma”. I Never Learn é o resultado: uma efusão de quase uma década de emoção. Conclusões são feitas e, em termos musicais, houve cura.

LOS ANGELES

Mudar-se de Estocolmo para Los Angeles definiu a gravação do disco. “LA me fez encarar a mim mesma. É um lugar tão quieto e desolado que tudo simplesmente saiu. A melhor coisa da cidade é que você pode simplesmente fazer música na sua casa. Estarei ali sentada e Bjorn ao meu lado tocando guitarra. De cara estava em uma casa sem mobília, e todos aqueles sentimentos saíram de mim… Eu chorava um rio todos os dias. Eu estava muito ligada com o que estava acontecendo.”

GRAVAÇÃO ANALÓGICA

“Eu componho primeiro e não entro em estúdio até ter todas as músicas Muito consiste em piano ou guitarra. O que fiz neste disco foi gravar com uma máquina de rolo, dos anos 90. É ótimo porque você pode comprimir o som e é tão divertido ouvir a música de novo. Era assim que ouvia música no carro quando era criança. Então gravei em fita e fui ao estúdio com todas as versões das músicas. Isso [gravar em fita] é muito mais interessante por conta das possibilidades que traz. Você pode fazer algo grande, mas quando entra no estúdio e grava, ouve novamente e pensa que está soando uma merda.”

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A INSPIRAÇÃO

Lykke Li é tão artista visual quanto música; ela compõe com vídeos e incríveis acompanhamentos em mente. I Never Learn teve teasers melancólicos e clipes, assim como seu Instagram estava cheio de fotos dos ensaios.

“Eu pensava que tipo, acho que tenho que desistir ou talvez não deva terminar esse disco porque será um desapontamento dos grandes. Então assisti Fitzcarraldo, do Herzog, e a história é que esse grupo de pessoas se perde na Floresta Amazônica por dois anos e meio. Klaus Kinski está ficando louco, tudo indo pro inferno. Adorei Heart of Darkness também. Amo assistir a estes filmes, onde todos estão em conflito e tudo dá errado. Uma pessoa sempre age tipo ‘temos que continuar’ e todo o resto diz que não. Geralmente todos aos seu redor dizem: ‘você está louco’ ou ‘é caro demais, nunca vai vender’. E aí você tem que adotar uma postura do tipo ‘foda-se’.”

OS INSTRUMENTOS

A estreia de Lykke Li parecia leve e etérea, e o disco seguinte, Wounded Rhymes, tinha um quê de sufocante, com batidas fechadas e vocais profundos. I Never Learn é espaçoso e livre, como deixar escapar sem querer um balão de hélio.

"Eu estava tentando fazer um disco completamente nu, mas simplesmente não consegui.” E ainda assim o álbum soa mais como algo de uma sala de concertos do que estúdio de porão, com pedal steel, guitarras, e pianos atingindo um crescendo edificante.

“Tenho ouvido muito Danny Lanois, que usa pedal steel. É um tipo de guitarra deitada que se toca com um pedal. Tem um som meio que de lamento. É muito exaustivo, mas ainda assim muito bonito. Usei instrumentos baseados em sintetizadores e o Moog. Tentei usar uma bateria eletrônica Rhythm King, apesar de que o que importa mesmo é como você microfona a bateria.”

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COMO OUVIR

“Ouça sozinho, no carro, no meio da noite, voltando para casa. Quando você precisar de alguém para segurar sua mão, para sentir que te entendem. A música traz essa sensação.”

Tamara está dentro de um carro ouvindo Lykke Li em algum lugar. Ela também está no Twitter - @TamaraRoper

Traduzido por: Thiago “Índio” Silva

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