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"Vai Tomar no Cu Essa Porra": Um Guia do Mobb Deep Para Metaleiros

O Mobb Deep vai tocar no Maryland Deathfest e tem uns metaleiros em cima do muro sobre curtir ou não o show deles.

Foto cortesia de Mobb Deep

Tem mais uma guerra rolando nos comentários do Facebook sobre a agenda do Maryland Deathfest deste ano. Dá pra correr dela, mas não dá para se esconder para sempre. Bom, tá certo, você poderia simplesmente não entrar na internet – boa sorte aí. O campo de batalha: a veterana dupla nova-iorquina do hip hop Mobb Deep vai tocar no maior festival de metal extremo dos Estados Unidos.

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"Nunca mais piso num MDF", escreveu alguém. "Mobb Deep? Fala sério. Zero apoio de agora em diante". Pesado! Outro: "Mobb Deep, isso é piada? MDF nunca mais, nunca mais!"

Para ser justo, também há muita gente apoiando essa estranha escolha. Um cara disse que a presença do Mobb Deep entre as atrações "me faz ficar puto e pilhadaço ao mesmo tempo". Outro observou que "o velho Mobb Deep é brutal, sujo e visceral. A música pesada desconhece fronteiras de gênero". Então, o que caralhos está acontecendo aqui?

O MDF começou em 2003 como uma reunião de nicho de slam riffs e vocais gorgolejados. Com o passar dos anos, cresceu e se transformou num megafestival de quatro dias, realizado em vários espaços diferentes, adotado por Baltimore por trazer uma horda gigantesca de metaleiros para a cidade, vindos de todos os cantos do mundo. À medida em que o festival crescia, os organizadores foram expandindo o escopo, de suas raízes no death metal e no grindcore até abranger o black metal, o doom, o hardcore punk e o stoner rock – mas nunca o hip hop… até agora. O Mobb Deep está bem ali na agenda oficial do MDF, ao lado de Demilich, Napalm Death e Portal (e, como centenas de outros, é mesmo um festival imenso).

Longe de mim sugerir que alguns fãs do metal às vezes são um pouco conservadores em questões musicais ou sociais – ou que fazer essa suave sugestão reduziria alguns deles ao estado de crianças dando faniquitos histéricos – mas espero que isso acabe bem para todo mundo. O underground metal e o hip hop são fodas; o Mobb Deep é foda; portanto, se você já está no MDF, recomendo ir vê-los. No show do New York's Alright, no Le Poisson Rouge, eles tocaram hip hop entre os shows das bandas – por que, quando você está vendo seis bandas punks em seguida, será que realmente quer ouvir mais punk rock durante o intervalo? – e nós vimos alguns casais com jaquetas de couro cobertas de patches do Disclose se pegando pelos cantos. Joinhas pra eles. Este deveria ser um momento maneiro de unidade entre diferentes subculturas, como no clipe de "Walk This Way", quando o Run-DMC invadiu o espaço em que o Aerosmith ensaiava – só que com mais metrancas e crusties bêbados.

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Para aqueles que já compraram os ingressos do MDF e não têm familiaridade com o Mobb Deep, ou estão em cima do muro quanto a ir vê-los, vamos rapexplicar pra você:

Já ouvi Mobb Deep antes?

Talvez! A música mais famosa deles é "Shook Ones, Pt. 2". Eminem a usa para ficar pilhado no início de 8 Mile. É uma música PESADA PRA CACETE e SOMBRIA PRA CARALHO. “I’m only 19 but my mind is old”. ("Tenho só 19 mas minha mente é velha"). Eterno.

Alguns Outros Sucessos:

O que devo ouvir se quiser ficar pilhado para esse show?

Quanto ao Mobb Deep, você está bem se ouvir The Infamous (que deve ser o escolhido, caso vá ficar em um disco só), Hell on Earth e Murda Muzik. O Prodigy também tem uma carreira solo bastante ativa, com um monte de lançamentos de qualidade, e o Havoc costuma fazer participações especiais neles. Dê uma olhada em "Twilight", um riff estendido sobre traficantes-de-drogas-como-vampiros, construído em torno de sinistras melodias de órgão. Preste atenção no sombrio sample usado na introdução, e pense em Twilight, o grupo de black metal americano, em vez de em vampiros sexy, se isso for ajudar.

Vejamos também o clipe de "Mac 10 Handle", porque é um grande marco do gênero clipe sujo de rap.

Então, ahn, o que as pessoas fazem em shows de rap?

Ótima pergunta. Uma coisa estranha, se você nunca viu rap ao vivo antes, é que quase todo mundo só toca parte das músicas, tipo um verso e um gancho, e daí simplesmente passa para a música seguinte. Bandas de metal não fazem isso, mas podemos imaginar várias delas que conseguiriam angariar um pouco de boa vontade com essa abordagem. O Mobb Deep, e qualquer outro rapper que se apresente ao vivo, provavelmente vai pedir bastante pela participação do público. Isso talvez seja constrangedor se você for um nerd tímido, de acordo com nossas fontes confiáveis. Mas pode garantir para seus parentes racistas que você provavelmente não será assassinado só por estar em um show de hip hop. A ressalva do "provavelmente" é só porque o MDF acontece em Baltimore.

Anthony Bartkewicz está dando aulas para o metalverse no Twitter: @BRTKWCZ

Tradução: Marcio Stockler