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O Som do Hierofante é uma Jornada Psicotrópica Rumo ao Desconhecido

Projeto de integrantes do Deaf Kids e do Rakta é influenciado pelas filosofias orientais e acaba de lançar seu álbum de estreia, “Meditation Music I”.
3.11.14

“A música para mim é e pode ser condutora para um caminho que já desaprendemos a percorrer há muito tempo, mas aos poucos estamos reaprendendo. Desde o início dos tempos até hoje, a música é usada para a meditação e a elevação espiritual, e pra muitos, até hoje pode proporcionar momentos de êxtase profundo. Ela representa em ondas sonoras a beleza, a harmonia e o caos da vida e da existência, do rio eterno. Os hindus dizem que quando você atinge o silêncio profundo na meditação, você escuta o som de ‘Om’, que é o som do universo”. Quem mandou essa pensata foi o Dov Glas Leal, integrante do Deaf Kids e do Mauna Kea, quando comentei com ele que o álbum recém-lançado de seu mais novo projeto, o Hierofante, traduzia sonoramente de um jeito muito legal uma ideia de transcendência. Curto demais a onda do trampo desse cara, mas nunca havia parado para conversar com ele sobre a filosofia por trás de suas peças musicais.

Daí que achei daora o modo como ele pensa no som como algo existencial, para além do mero experimento com o barulho extremo ou as melodias mais brandas e contemplativas. Meditation Music I traz, portanto, quatro faixas inspiradas na tensão energética entre o positivo e o negativo, o yin e o yang, o masculino e o feminino, o macro e o micro, o material e o espiritual. "Cada vez que algo me comove profundamente, seja poesia, música ou paisagem, tomo consciência de que vivo num universo significativo que merece de mim mais do que as pequenas preguiças que manifesto na vida diária", completou.

Foto do Dov Glas por Victor Balde

São quarenta minutos imersivos numa estética ancorada ao blues, à música ambiente, à psicodelia hippie, ao taoísmo, o hinduísmo, às forças da natureza, à luz e à escuridão. Falando assim pode parecer estranho, mas se você der uma chapada de leve e escutar essa parada prestando atenção do começo ao fim, tentando não pensar em nada a não ser viajar no som, vai sacar o que estou tentando dizer. É um lance intuitivo, cujas músicas nasceram com base na improvisação. A Maria Paula, que toca no Rakta, e também no Mauna Kea junto com o Dov Glas, embarcou com ele nessa também. Por enquanto, o lançamento está disponível apenas em formato digital, mas a ideia é fazer uma série de shows divulgando o álbum e prensar em LP e cassete. Perguntei também pro Dov Glas sobre o significado dos nomes das letras, mas ele só me disse que “temos muito a aprender com as filosofias orientais”.