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Um documentário para sacar a viagem do rapper Zudizilla

Curta o streaming de 'Faça a Coisa Certa' e assista ao documentário sobre a produção do disco. Inspirado no filme de Spike Lee, faixas remontam à golden era do estilo.
20.1.16

Foto por: Gustavo Fonseca

Faça a Coisa Certa é o nome do segundo trabalho do Zudizilla, rapper de Pelotas, Rio Grande do Sul. O primeiro foi a mixtape #LUZ, de 2013. Segundo ele, a mixtape foi tipo um experimento, enquanto este álbum representa a concretização de suas ambições artísticas. "A mixtape funcionou como o meu TCC, e se pá essa aqui é minha tese de mestrado", analisa. "No LUZ eu tentei fazer um disco pra minha cidade. Me preocupei com detalhes que a rapaziada não enxergava muito, por entender o rap apenas como um simples MC em cima de uma batida, e reclamavam que a parada não virava".

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Daí ele assumiu o princípio de volta às origens a fim de desenrolar o conceito deste segundo álbum, e foi inevitável redescobrir coisas como Afu-Ra, OGC, RZO, Quinto Andar, Mos Def e Little Brother — rap underground e golden era no geral. Enquanto pensava nisso ele finalmente assistiu ao clássico do Spike Lee, Faça a Coisa Certa, e se identificou com o protagonista Mookie. Pronto, fechou a ideia do bagulho. "Pode ser uma coincidência, sim, mas só se tu acredita nisso. Eu não. Eu acho que tava no momento certo, vendo o filme certo, na hora certa", exclama.

Todo o clima da construção do repertório em estúdio pode ser conferido neste mini documentário que o Noisey apresenta em primeira mão para vocês nesta quinta (21):

O material foi produzido pela MAV Filmes, com direção, montagem e filmagem do Marcelo Alves e filmagem de apoio do Henrique Wallau, que assina a identidade visual do Zudizilla desde o projeto anterior. Logo no começo do documentário, o Zudi conta que saiu das guitarras distorcidas para o fluxo das rimas. Rola uma história curiosa nessa trajetória dele, filho de pai sambista e de mãe apreciadora de Milton Nascimento, Djavan e Emílio Santiago. Quase todo moleque em fase de autoafirmação tem aquela pira de confrontar a família, numa desesperada busca por encontrar o seu próprio caminho, e com ele não foi diferente.

"Tive uma fase que me voltei contra tudo o que me rodeava e fui buscar por aí um lugar no qual eu pudesse me encaixar, porque não me via inserido naquele círculo do pagode, do samba, e muito menos da MPB", relembra. "Hoje em dia, vi que perdi algum tempo renegando essas paradas, mas enfim, quem nunca?". Assim, ele pirou nuns rocks até chegar no rap, na cultura do graffiti, no freestyle, e numa ocasião onde encontrou o mano Pok Sombra, em algum Fórum Social Mundial. Ele e o Pok, que deu uma força na produção e também participa do álbum, são crias do mesmo coletivo, o Kzero Alternativo. "Foi com ele que fiz o primeiro som, foi dele que ganhei os primeiros beats, foi ele que me ensinou e me disse que todo o MC bom sabe um pouquinho de Fruity Loops", diz, valorizando a longa parceria.

Capa do DVD do filme Faça a Coisa Certa, do diretor Spike Lee, que inspirou a obra do Zudizilla

Fazer rap em Pelotas é osso demais, segundo ele: "É muito difícil alguém daqui conseguir espaço, por conta do empecilho da distância e a infeliz centralização das mídias convencional e alternativa. E é por isso que eu não saí daqui. Precisamos de alguma forma fortalecer nossas raízes pros galhos terem um alcance maior". Por essas e outras, Zudizilla toca muito mais fora de sua cidade do que nos picos de lá. A maioria dos artistas acaba até ficando de saco cheio disso e vazando. Mas o Zudizilla vai na ideia fixa, e garante que continuará na militância: "Talvez essa seja uma das oportunidades do Brasil entender que tem muito mais cidade depois de Porto Alegre em direção ao sul, e cada uma delas tem gente pra caralho". Letra dada.

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