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A KL quer um “novo MC Bin Laden” e está transformado a busca num reality show

Fomos na primeira etapa do 'À Procura do 5º Elemento', a web série que a produtora de funk paulistana está fazendo na tentativa de encontrar seu novo MC de ouro.

Mano DJ, MC Pikachu, MC Bin Laden e MC 2K colaram lá no evento pra dar uma força pra molecada. Todas as fotos por Jardiel Carvalho/R.U.A. Fotocoletivo.

A KL Produtora é um dos produtos de exportação mais cobiçados do Brasil no momento. Foi de lá que surgiram MCs como Brinquedo, Pikachu e o mais recente fenômeno do funk paulistano, MC Bin Laden que conquistou vários gringos — vide que ele ficou brother do Diplo e se apresentou com o duo Jack Ü no Lollapalooza Brasil deste ano. A vontade de fazer parte dessa “fábrica” de funkeiros e de se tornar mais uma nova sensação da internet foi o que levou mais de 1500 jovens às 7 horas da manhã do último domingo (10) numa audição que a produtora armou lá na Casa de Cultura Chico Science, em São Paulo.

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Foi a primeira etapa do concurso À Procura do 5º Elemento, que a KL está promovendo para encontrar o seu "novo MC Bin Laden”. "Tem muita gente que bate lá na nossa porta, tentando um contato com a gente. Como não conseguimos atender todo mundo, resolvemos fazer esse evento maior", me disse Emerson Martins, o dono da produtora. "Muitos talentos se perdem por aí por falta de instrução artísitca e profissional. Estamos fazendo esse evento pra tentar dar essa oportunidade pra galera e também pra estarmos sempre renovando o funk.”

Esses 1500 concorrentes tinham exatamente um minuto para mostrar suas letras e toda sua atitude pro pessoal da KL. Rolou muito funk putaria, cheio de “pepeca” e “rôla” nas letras, mas também teve gente que cantou melody e até mesmo funk consciente. “Mas o que tamo procurando mesmo é um personagem interessante. Alguém diferente e que esteja fora do comodismo que o funk criou nos últimos anos”, disse o Léo Soul, produtor musical que faz uns trampos pra produtora e era um dos seis jurados da audição.

MC Dim batendo um dogão antes da audição.

Dessa primeira fase, 300 serão selecionados. A segunda fase de audição, segundo o Emerson, vai rolar num esquema "tipo The Voice", no estúdio da produtora. Depois dessa segunda etapa, sobrarão 40 MCs, que serão colocados todos juntos numa mansão, onde vão receber aula de canto e de produção da imagem deles como artistas e terão que enfrentar várias provas e audições. Eles vão ser eliminados, até que sobre o “5º elemento” no final. Tudo isso vai passar no canal do YouTube da KL. Vai ser tipo o Big Brother, só que com funk ousadia e looks chavosos — ou seja, muito mais loko.

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E, pra participar dessa primeira fase, brotaram MCs de todas as partes do Brasil. Tipo, mesmo. Segundo o Emerson, tinha guri de Minas Gerais, do Sergipe, do Pará e de mais uma porrada de estados brasileiros. Um dos “não-paulistanos” com quem falei foi o MC Andrezinho, funkeiro de Três Lagoas, cidade da divisa do Mato Grosso do Sul com São Paulo, que enfrentou sozinho mais ou menos 12 horas de busão pra poder participar da competição. "Canto funk há uns três anos, mas lá no meu estado, o gênero não é tão forte. Então, vale a pena vir pra cá tentar a sorte", contou o menino de 18 anos.

No canto direito, MC Favela, o primeiro da fila.

Outro MC que teve deixar seu estado natal pra vir pra competição aqui foi o Dim (o Wesley me explicou que as iniciais de "Dim" são pra Deus, Igualdade e Mãe). O guri de 19 anos é de Belo Horizonte e me contou que vendeu "chup chup" (o que conhecemos por "geladinho" aqui em São Paulo) a 1 real por 29 dias seguidos pra juntar grana e poder bancar a viagem pra cá. "O que eu acho que a KL tá procurando é alguém fora da curva pra poder ser o seu novo MC — alguém que esteja além do funk putaria, do ostentação ou do ousadia."

O primeiro da fila era o MC Favela, da Indaiatuba, no interior de São Paulo. Ele chegou às 17h do dia anterior pra poder pegar seu lugar. "Eu e mais uns muleques que estávamos aqui desde ontem não tínhamos o que jantar e o Emerson pagou umas esfihas pra gente. Tivemos que dormir aqui no chãozão mesmo", contou. Com 24 anos, ele é pai de uma menininha e, assim como 99% dos funkeiros com quem eu falei lá, Favela quer se tornar o "5º elemento" da KL com o principal objetivo: "Dar um futuro melhor pra minha família, né?".

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Tinha muito pouca mina na fila pra participar do concurso. Sério, até às 7h20 da manhã, eu dei uma passada de olho na fila e contei só seis mulheres que foram lá como concorrentes. Entre elas, tava uma dupla de funk chamada Tai Nai MCs. As duas são do Rio de Janeiro e, sim, vieram tentar a sorte do funk em São Paulo. “Lá tá mais difícil fazer funk. E, se você é mulher, acaba tendo que ir pra uma pegada mais pop pra poder estourar, tipo o que rolou com a Anitta e com a Ludmilla”.

MC Kim Blue.

Com o passar do dia, foram chegando mais meninas funkeiras, tipo a estilosona MC Kim Blue, funkeira de 20 anos da zona norte de São Paulo, com esse twister azul e rosa e um piercing no septo. “Comecei no rock, mas acabei me apaixonando pelo funk e, hoje, tô aqui pra representar as mulheres do funk,” disse Kim. “É o meu sonho entrar na KL. Quando vi essa oportunidade, tive que agarrar”.

O resultado da primeira fase sai nesta quinta-feira (14), quando também vai ser anunciada a data da segunda etapa. Você pode acompanhar tudo pelo Facebook e pelo canal de YouTube da KL. Veja mais umas fotos desse rolê super alto-astral abaixo:

MC Andrezinho.

Rolou até um barbeiro lá pra deixar os meninos com looks mais chavosos.

Tai Nai MC's.

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