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Tomamos umas Cervejas com Mark Ibold, Ex-Baixista do Pavement

E ele falou muito de comida e um pouco sobre como o Pavement nunca ensaiava.
20.8.15

(foto cortesia do Arquivo Spiral Stairs)

O Pavement era, indiscutivelmente, a banda mais em alta no país por volta de 1992. Visto agora, o hype pós-Nirvana em torno do quinteto parece terrivelmente equivocado e bizarro, mas o impacto emocional da música do grupo – especificamente, o seu LP de estreia, Slanted and Enchanted – permanece até hoje. Tendo crescido juntos nos últimos anos da década de 80, em Stockton, Califórnia, os cofundadores Stephen Malkmus e Scott “Spiral Stairs” Kannberg deram uma interpretação desleixada e metida a espertinha tanto à guitarra vulgar indie americana quanto ao detrito art-punk de ingleses bêbados como The Fall e Swell Maps. Os dois, contudo, podiam ser tudo, menos simples copiadores; usaram de distorções sibilantes, jogos de palavras abstrusos, e fidelidade de merda como mera camuflagem para astutos ganchos e refrões de classic rock.

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Neste mês, a Matador Records está lançando The Secret History, Vol. 1, uma compilação em disco duplo de lados-B, versões descartadas, sessões de rádios e material ao vivo que contam a história dos primeiros anos do Pavement, muito antes que eles substituíssem o insano baterista Gary Young, extraíssem o noise que havia dentro do pop que faziam, ou que se separassem, no final de 1999. Mais recentemente conhecido por sua participação na encarnação final do Sonic Youth e por suas contribuições para a revista Lucky Peach (do chef David Chang, dono da rede de restaurantes Momofuku, e do crítico gastronômico Peter Meehan), o baixista epicurista Mark Ibold era relativamente novo na formação quando essas músicas ainda eram frescas. Ele foi gente boa e topou passar uma grudenta noite de verão americano lembrando os velhos tempos, em meio a canecos de Hoegaarden, na Chinatown de Manhattan.

Noisey: Como você acabou entrando no Pavement?
Mark Ibold: Conheci o Stephen quando estava no Dustdevils [banda novaiorquina de noise-rock], e porque a gente ia aos mesmos shows. A cena naquela época parecia muito diferente; você encontrava as mesmas 30-a-100 pessoas em todos os cantos. Eu meio que conhecia o [futuro frontman do Silver Jews] David Berman, que era amigo dele. Começamos a conversar. Eu os via nos shows do Dustdevils e no Max Fish [bar do Lower East Side]. Fiquei sabendo do primeiro single do Pavement. Descobri sem ninguém me contar. Quando topei com o Stephen, provavelmente menos de um ano depois que aquele single saiu, falei: “Tá de sacanagem, você é daquela banda? Nunca faço isso, mas acabei de comprar três cópias do seu disco”. Acabei conhecendo ele melhor. Depois da primeira turnê deles, Stephen me chamou para entrar na banda. Eles queriam um baixista. Um cara chamado Rob Chamberlin, que tinha tocado a terceira guitarra na turnê, havia saído da banda. Na verdade, não sei o que virou dele. Entrei a tempo de fazer a segunda turnê do Pavement, no verão de 1991. Stephen tinha uns cassetes de Slanted and Enchanted, que já tinha sido gravado. Para os shows, basicamente aprendi coisas que o Stephen tinha tocado na guitarra [no estúdio], mas descobri como tocar no baixo. Stephen morava em Nova York na época, Scott estava em Stockton, Gary em Stockton, e [o percussionista] Bob Nastanovich vivia em Hoboken. Nunca chegou a ser uma banda de ensaiar muito.

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Conheci você naquela turnê, depois de um show gratuito no Philadelphia Record Exchange.
Fora do show?

Sim. De tarde.
No Khyber Pass [bar da Filadélfia], meus pais vieram ver o filho tocar num show de rock pela primeira vez. O lugar estava super lotado. Era julho ou agosto – muito quente e úmido – e a temperatura lá dentro estava na casa dos 40 graus. Lembro de olhar e ver a minha mãe, empapada de suor, dando uma olhada em volta da parede que separava as duas metades da casa. O rosto dela estava vermelho e brilhando, mas ela sorria. Aí, minutos depois, percebi que estava rolando alguma coisa nos fundos da casa. Era o meu pai, escalando e subindo numa banqueta de bar. Assim que ele ficou de pé, bateu a cabeça num ventilador de teto e desabou. Segundos depois, estava sendo ajudado a subir numa outra banqueta. Tudo isso rolou enquanto eu estava sofrendo para conseguir ouvir o Stephen por cima do som do Gary, que estava completamente insano – no bom sentido – na bateria. A galera da Filadélfia pareceu curtir bastante. Para alívio meu, meus pais se divertiram pra caramba e ficaram realmente impressionados com como os garotos do show foram maneiros com eles. Da primeira vez que ficamos na casa dos meus pais, em Lancaster, Pennsylvania, eu meio que tinha avisado minha família a respeito da banda. Na manhã seguinte, estava todo mundo acordando, e quando descemos, Gary estava sentado na cozinha, conversando com meus pais. Minha mãe meio que me puxou para um lado e disse: “Ah, ele é um rapaz muito legal mesmo!” Mal sabia ela que ele tinha levantado junto com o sol, e ido a um barzinho fuleiro ali na rua para tomar sua primeira dose de manguaça antes de voltar para casa e bater um papo com ela.

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Alguma outra coisa se destacou nessas primeiras turnês?
Nossa primeira vez em Los Angeles foi uma cena muito da estranha. Foi numa casa noturna em West Hollywood chamada English Acid at Peanuts.

Quase soa tipo uma merda de rave dos anos 90.
Na época, a gente achou o nome ridículo, o que é engraçado, porque hoje eu adoraria chamar o meu novo bar de English Acid at Peanuts. De qualquer forma, eles na verdade não nos queriam lá, e o nosso show foi meio que uma merda. Rolava uma vibe estranha com uns policiais durões de LA circulando de carro pela área. E um cara, que eu na verdade conhecia de Nova York, veio falar com a gente e disse algo do tipo “cara, o advogado do Michael Jackson está aqui para dar uma olhada em vocês”. E eu “de que porra você está falando? Quem se importa?!” Uma coisa muito LA. No início tivemos alguns shows desse tipo. Mas, na maioria dos lugares, tivemos muita sorte, e as pessoas ficaram felizes de nos verem. Tivemos meio que uma existência encantada desde o início. Não chegou a rolar um problema com o promoter ficar bêbado ou qualquer treta com as vendas dos ingressos.

Alguma catástrofe séria?
Teve um show insano em Atlanta num lugar chamado Masquerade, que ficou conhecido meio que como uma casa noturna gótica. O palco ficava muito alto, e eles tinham um elevador de bateria que era mais alto ainda. E o Gary estava lá fazendo aquelas idiotices, plantando bananeira e jogando as baquetas pro alto. Ele estava muito, muito zureta. E simplesmente caiu para trás, no meio de uma música. A gente estava tocando e lembro de perceber que não estava ouvindo ele mais. Virei e foi tipo: “Ih meu Deus, lá se foi o Gary”. Ele tinha caído de uma altura de tipo três metros e meio, por trás do elevador da bateria. Minutos depois, ele subiu de volta, e começou a tocar de novo. Esse tipo de coisa acontecia direto. Acho que divertia muito o público, e às vezes a gente mesmo achava graça. Mas várias vezes ferrava com a música.

(foto cortesia do Arquivo de Spiral Stairs)

Não foi o Gary que atropelou o Bob? E não houve armas envolvidas?
Foram dois casos diferentes. Perto de Nova Orleans um pneu do nosso trailer furou. Estávamos no acostamento de uma estrada, tentando resolver o problema, e tínhamos separado o trailer da van. Acho que Gary entrou na van e deu ré. E bateu no Bob. Ele não passou por cima do Bob; só o deixou apavorado e puto. Bob passou um sermão nele por conta disso. Ele era meio que a babá do Gary durante a nossa turnê. O Gary, é claro, se sentiu péssimo. O negócio das armas foi outra coisa. Acho que aconteceu um pouco mais tarde, porque foi quando o Gary estava forçando muito para irritar o Stephen. A gente tinha que parar a van no meio de uma turnê para deixar o Gary, na maioria das vezes em bares. Ele era um daqueles caras que tinha que beber vodca para se manter acordado de manhã. Um dia, foi a uma loja de penhores e voltou trazendo um rifle. E ficou lá falando: “Hehe, olha só o que eu comprei.” E a gente falava: “Porra, você está de sacanagem. Mal está sabendo lidar com a vida nesse momento, e agora compra um rifle? E vai levar esse negócio na van enquanto a gente está em turnê?” Não vi pessoalmente, mas lembro do Bob dizendo que, mais ou menos no dia seguinte, Gary disse que ia atirar em Stephen. O que duvido que o Stephen tenha levado muito a sério. Mas ainda assim foi paia.

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Muito se falou sobre como aqueles shows eram feitos nas coxas. Mas quando o Steve estava de bom humor e o Gary relativamente sóbrio, as apresentações às vezes eram incríveis, como o show no Brixton Academy incluído no novo disco. Como você se sentia, sabendo que a cada noite as coisas podiam ser incríveis ou um caos total?
Todas as bandas em que estive eram assim.

O Sonic Youth também?
O Sonic Youth talvez fosse mais profissional, então não no mesmo nível. E não tínhamos um cara totalmente imprevisível, como era o Gary. Ele podia ser o pior baterista do mundo e o melhor baterista do mundo. O Stephen toca muito bem, mas tinha vezes que ele parecia não querer estar lá. Isso era o que mais me doía. Era parte da personalidade dele, mas era paia, porque eu sabia o tanto que ele era capaz; era como ver alguém da sua família fazendo alguma coisa que é um pouco autodestrutiva. Às vezes a gente levava para o lado pessoal. Eu me perguntava se a gente não estava limitando o Stephen. Acho que esse é um dos motivos de ele estar na [sua atual banda] The Jicks agora; eles não o limitam musicalmente. Provavelmente não era só isso, mas aí teriam que perguntar para ele. Gary pelo menos se esforçava, embora estivesse sempre mamado. Às vezes ele tinha umas ideias esquisitas sobre nós sermos astros do rock, e o lance de ele ficar se gabando chegava às raias do irritante, mas aí às vezes ele mandava muito bem. E era de verdade um sujeito amável, então eu conseguia lidar, até um certo ponto.

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O que você lembra sobre a primeira sessão de gravação com o Pavement?
Foi a gravação do EP Watery, Domestic [de 1992]. Algumas faixas dessa sessão saíram nessa compilação nova, como “Greenlander”, “So Stark” e “Sue Me Hack”. Acho que o material extra é muito volumoso porque às vezes as músicas não saíam do jeito que o Stephen queria. Talvez tenha sido o jeito que gravamos algumas delas. Ou a parte dos vocais não ficou boa. Ele provavelmente gostava de como as músicas mudavam com todo mundo participando, mas não tinha muito pudor de jogar coisas fora. Stephen escrevia a maior parte das músicas, mas era de boa com eu tocar parte do que ele fazia. Senti como se estivesse sendo trazido um pouco para dentro da parte criativa da banda. Acho que fiz algumas coisas estranhas que não foram nem no baixo, como segurar uma nota num teclado, ou até mesmo cantar um pouco. A coisa tradicional de todo mundo entrar no estúdio e tocar a sua parte não rolou antes do segundo disco [Crooked Rain, Crooked Rain, de 1994], e mesmo depois nem sempre foi assim. Mas sempre achei que minha contribuição para o Pavement e para todas as bandas de que participo é em parte uma coisa social: ser amigo dessas pessoas e ter interesse pelas mesmas coisas. Aprendi a tocar baixo, mas não sinto que eu seja um músico que toque para um público especializado.

Essa gravação foi na Califórnia, certo?
Lembro de estar no estúdio de Gary em Stockton, e de me sentir frenético e elétrico. Se lembro bem, o estúdio era numa garagem ou área lateral da casa dele, de um andar. Ele subia no telhado e plantava bananeira bem na beirinha. Aí ele se deixava cair do telhado, pousando numa posição perfeita de ginasta no gramado da frente da casa.

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O Pavement era apregoado como a próxima grande banda, mas nunca chegou a assinar com uma grande gravadora, e a música continuou a ser bastante excêntrica. Isso foi uma decisão consciente? O que se passava na sua cabeça no que dizia respeito a fazer uma carreira na banda?
Acho que ninguém nunca encarou aquilo como carreira. Estávamos fazendo umas coisas que tinham destaque, mas também não chegamos a vender zilhões de discos ou a ser tocados nas rádios. Então não parecia necessário ter um empresário nem nada assim. Talvez isso mudasse a trajetória da banda, mas não tenho certeza de que teria aumentado nossa popularidade. Todos gostávamos muito de discos, de ouvir música. Gostávamos de coisas esquisitas. Não achávamos necessário assinar com uma grande gravadora; as gravadoras com que trabalhamos conseguiam lidar com a quantidade de negócios gerados pela banda. Em especial naquela época, era uma doideira quando você começava a conversar com o pessoal dos grandes selos. Uma banda que fecha contrato e recebe um adiantamento gigantesco de repente sofre uma pressão de criar um retorno desse dinheiro. Esse provavelmente é um sentimento bem do terrível, e isso nunca chegou a ser uma questão de fato para o Pavement. O nosso jeito de trabalhar ainda era divertido. Era assim que funcionava a maioria das bandas de que gostávamos. Se tivéssemos assinado com uma grande gravadora, talvez pudéssemos ter feito tudo da mesma maneira. Mas não tenho tanta certeza disso.

(foto por Mette Tronvoll)

Naquela época você ainda trabalhava como garçom?
Acho que não em 92. Bem no comecinho do Pavement, sim. Mas trabalho em restaurantes desde os 14 ou 15 anos.

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Você se mudou para Nova York para poder trabalhar com comida, né?
Um dos meus primeiros empregos, depois do de entregador de jornais, foi num restaurante de Lancaster, Pennsylvania. Era um lugarzinho maneiro, de culinária francesa, que tinha um chef incrível. O cara que administrava o lugar conseguiu um emprego em Nova York e ajudou a abrir um restaurante que ficava na Chambers Street [em TriBeCa]. Era chamado Hamburguer Harry's e era um pouco à frente do seu tempo, porque hoje em dia rola essa moda do hambúrguer; na época não tinha isso. O lugar vendia hambúrgueres grelhados em madeira de algarrobo, o público era o pessoal de Wall Street e City Hall. O visual do lugar era super anos 80: muito aço inoxidável escovado e curvas bizarras, levemente industrial. Os hambúrgueres eram feitos numa plataforma num canto dos fundos, numa grelha elevada, imensa. Uma vez por mês, vinha um caminhão cheio de algarrobo, do Texas, e eles deixavam a carga. Sempre tinha cobras e escorpiões e todo esse tipo de bicho no meio da madeira. Eu me mudei para Nova York em 1983 para trabalhar com cozinha, porque meu amigo foi contratado para comandá-la. Eu ficava com o balcão de saladas e fazia cachorros quentes de 30 centímetros e também milkshakes. Mesmo antes disso, em 82, trabalhei aqui [em Nova York] por um verão, num lugar bizarro chamado The Century Cafe, na Times Square. Era uma coisa completamente insana. Eles contrataram tipo uma modelo para ser a recepcionista ou hostess. Tinha um bartender chamado Conan. Tinha um veterano da guerra do Vietnã que era sous chef no andar de baixo, e era totalmente escroto comigo. Era meio que um bar no centro da cidade com uma culinária new-wave, popular no horário do almoço. Fazíamos wantans fritos com salsa frita. Eu saía de lá tipo às três da tarde, e caminhava até um casarão em Chelsea, morava num quarto lá. O hip-hop estava começando a ficar popular, e lembro de ouvir “Planet Rock” [do Afrika Bambaataa] nas ruas. Tocava em estéreos portáteis e nos sons dos carros, então era algo que você ouvia em todo canto. Isso era muito maneiro.

Você cresceu numa família culinariocêntrica?
Ah, total! Minha mãe sempre curtiu cozinhar; meu pai gosta de cozinhar. Minha mãe toda santa noite fazia um prato diferente.

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Um prato diferente a cada noite da semana?
Não, não! Do ano! Era muito raro repetir um prato. Hoje em dia, seria como ler a seção de culinária do New York Times toda quarta-feira e pensar: “Oooo! Uau! Acho que vou tentar fazer esse prato hoje à noite!”

Meu Jesus. Impressionante.
Os acompanhamentos se repetiam às vezes. Acho que a gente comia feijão várias vezes num ano. Ela curtia muito Craig Clairborne, Michael Field, James Beard, Julia Child nos anos 60 e 70… Meus pais sempre foram desse jeito. Quando ligo lá em casa, o primeiro assunto é o que está rolando na grelha ou coisa do tipo.

Você trabalhou em restaurantes durante toda a existência do Pavement?
Trabalhei para uma grande empresa de bufês por um tempo, fazendo jantares beneficentes gigantescos no Metropolitan Museum [of Art] ou na Grand Central Station.

E aí você trabalhou como stylist de comida?
Isso foi um bom tempo depois, tipo logo que a banda acabou. O food styling meio que tem uma reputação ruim entre os caras que são chefs. Mas fazíamos mais trabalho editorial do que de propaganda. Aprendi muito sobre como comprar e arranjar fornecedores de bons produtos. Para esse trabalho, a gente mandava que enviassem limões ainda no galho para a gente. E eu aprendi a lidar com açougueiros que acham você um babaca se pedir alguma coisa muito específica. Grande parte desse trabalho era cozinhar, também. Quando você faz trabalhos editoriais, o lance é mais cozinhar bem e fazer a comida parecer bonita ao mesmo tempo; não há muitos truques. Foi meio que assim que me envolvi com Peter e a Lucky Peach.

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Era o que eu ia perguntar.
Sou gerente do [Great] Jones [Cafe] nos finais de semana e ainda trabalho atrás do balcão, no bar, uma noite por semana.

Como você descreveria o lugar para quem não o conhece?
É um restaurante de 30 anos de idade, que se poderia descrever mais ou menos como tendo um estilo sulista. Tem algumas coisas da Louisiana no menu, como gumbo e jambalaya. Mas é um lugar nova-iorquino mais do que qualquer coisa. Talvez dez anos atrás, Peter Meehan e sua esposa eram clientes semirregulares, e pareciam pessoas maneiras. Muito elegantes. Não eram babacas. Teve um dia que eu os ouvi conversando acho que sobre o Zuni Cafe Cookbook, da Judy Rodgers. Ou eles me ouviram falando sobre o livro. Então meio que se criou um vínculo entre nós por conta disso. Aconteceu que ele era o cara que escrevia a coluna sobre os restaurantes de 25 dólares ou menos para o The New York Times, tinha escrito sobre o Momofuku [o original, de David Chang], quando era só um bar de macarrão instantâneo. Ele também mencionou naquela primeira resenha que estava tocando Pavement no lugar; ele tentou descrever como o lugar era cool por tocar Pavement. O que é engraçado! Muito engraçado, pensando nisso agora! Então, quando ele fundou a Lucky Peach, com o David, pediu que eu escrevesse algo para a revista. O próximo número vai ser o primeiro sem uma colaboração minha. Toda edição tem um tema; essa será a Edição da Fantasia. Às vezes é um pouco forçado para mim, porque em tese sou o correspondente do sudeste da Pennsylvania [para a minha coluna na revista].

(foto cortesia do Arquivo Spiral Stairs)

Fantasia e Pennsylvania não têm muito a ver. Como você ficou amigo de Danny Bowien, o chef do Mission Chinese Food?
Através do Peter. A Lucky Peach começou como parte da [editora da Costa Oeste] McSweeney's, então havia essa ligação com São Francisco.

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O Danny abriu o restaurante lá.
Certo. O pessoal da McSweeney conhecia o Danny do Mission Chinese em São Francisco, ao qual eu nunca fui. Eu o conheci antes dele abrir seu restaurante aqui, e me pareceu um cara muito gente boa. Fiquei muito feliz com o primeiro espaço dele em Nova York, quando ficava na Orchard Street.

Era fantástico.
Na verdade não cheguei a ir muitas vezes [desde que reabriu] aqui [em Chinatown].

Nunca fui nesse.
Até agora?

Não foi por falta de tentar. Está sempre uma balbúrdia do caralho, com uma espera longa pelas mesas quando passo por lá. Já que estamos em Chinatown e também falando sobre esses caras, você se sente especificamente atraído pela culinária asiática?
Não acho que eu seja um aficionado por comida asiática, embora eu goste bastante, especialmente da chinesa. Fiquei super empolgado quando fui à [seção] Flushing [do Queens] tipo uns dez anos atrás, e provei pela primeira vez a comida daquele lugar, o Spicy & Tasty.

Com aquela pimenta preta anestesiante em tudo?
Aquela salada de tendão com pimenta preta de Sichuan e azeite de dendê. Aquele prato de tofu com aipo. Todos aqueles pratos frios.

Os aperitivos frios e os vegetais em conserva são contrapontos muito bons ao calor das outras comidas.
Ter comida de Sichuan de verdade aqui explodiu minha cabeça. [David Chang e Danny Bowien] com certeza curtem a coisa. Mas eu não diria que é o que mais me atrai. Tipo, adoro comida chinesa, mas sinto que não conheço muita coisa sobre ela. Talvez, se eu estivesse em LA, tivesse opiniões mais fortes, porque poderia ter experimentado mais. Acho que meu cérebro e meu corpo reagem melhor a qualquer comida que venha de um raio de 500 quilômetros do Mediterrâneo. É fácil e simples, e os ingredientes são muito puros.

Eu também. Com certeza o que eu mais cozinho em casa é isso. Voltando ao assunto da música: você está tocando com o Spectre Folk atualmente. É o Pete Nolan, do Magik Markers, com você, Steve Shelley do Sonic Youth, Peter Meehan…
A piada é que somos uma banda de papais. Todos nós temos outros empregos e fazemos shows a cada quatro ou seis meses. Steve não comparece a vários dos shows, por estar em turnê ou com Thurston [Moore] ou Lee [Ranaldo]. Às vezes Allison [Busch] do Awesome Color e do Call of the Wild toca com a gente no lugar dele. Acabamos tocando as mesmas músicas sempre, mas ninguém fica chateado, porque não tocamos quase nunca. A única coisa triste de ser uma banda de papais é que nunca ensaiamos.

Você não me contou a mesma coisa sobre o Pavement?
Essa é meio que a versão extrema daquilo. Mas sim, basicamente foi assim com todas as bandas de que participei.

Jordan N. Maamone é escritor e mora em Nova York.

Tradução: Marcio Stockler