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Um Grande Garoto

Documentário sobre Garoto, um dos maiores violonistas do Brasil, deve ser lançado em 2016, mas espera por patrocínio para ser finalizado. Assista ao trailer.

Muita gente pica da música foi influenciada pelo talentoso violão de Garoto. O músico paulista, vítima de um ataque cardíaco em 1955, aos 39 anos, foi um dos grandes compositores brasileiros e é o tema do documentário Garoto, o Gênio das Cordas, com estreia prevista só no ano que vem. Dirigido por Rafael Veríssimo, o longa ainda está à espera de um faz-me rir para ser finalizado, mas o trailer já saiu (veja abaixo). “Até agora, sem aporte financeiro, fomos atrás de registrar depoimentos de grandes mestres, de uma maneira simples, para ativar a pesquisa e mostrar ao público e a investidores o potencial que um filme sobre Garoto pode ter", explica o diretor.

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Violão, violão tenor, bandolim, cavaquinho, banjo, violino….a lista de instrumentos de cordas que Garoto dominava era algo invejável e seus dotes também. Acompanhou gente da laia de

Carmen Miranda

,

Ary Barroso

,

Dorival Caymmi

,

Luiz Gonzaga

,

Orlando Silva

,

Francisco Alves

,

Silvio Caldas

,

Laurindo Almeida

,

Bola Sete

e junto do

Trio Surdina

, que tinha ainda Chiquinho do Acordeom e Fafá Lemos, no violino, é considerado um dos precursores da bossa nova. “Basta ver que a chamada 'Santíssima Trindade' prestou reverências ao Garoto: Jobim fez um choro chamado '

Garoto

'; João Gilberto gravou '

Sorriu Para Mim

', do Garoto; e Vinicius letrou '

Gente Humilde

' com o Chico”, conta o responsável pela pesquisa e produção musical do filme, Lucas Nobile.

E conclui. “Garoto tem uma importância absurda na história da música brasileira. Tocava 14 instrumentos de cordas, com domínio da técnica em todas, há gravações que comprovam isso, com destaque para violão tenor dinâmico, violão, banjo, bandolim, cavaquinho, guitarra havaiana e guitarra portuguesa. Ele levou à máxima potência o termo ‘multi-instrumentista’”.

Em gravação do programa MPB Especial de 1973, idealizado por Fernando Faro, Baden Powell crava com sabedoria. “Ele que criou essa escola de violão moderno que a gente toca hoje”. Entre os entrevistados, e os que assumem a devoção a Garoto, estão João Donato, Paulinho da Viola, Carlos Lyra, Guinga, Roberto Menescal, Hamilton de Holanda.

Aníbal Augusto Sardinha morreu jovem, mas ainda assim deixou uma respeitável obra. Não pegou a vibe da bossa nova, que apareceria cerca de três anos depois, não pegou o auge da TV e suas gravações foram todas feitas em discos de 78 rotações, um animal pré-histórico que veio um pouco antes dos vinis que estamos acostumados a ver.

“Trazer um material audiovisual que consiga recuperar um pouco desse legado é algo que acreditamos que irá contribuir para que uma parcela maior da população saiba quem foi Garoto – e não apenas os músicos. Que Garoto deixe de ser considerado apenas um 'músico para músicos' é o que mais esperamos. Suas músicas proporcionam viagens a territórios bem diferentes dos que estamos acostumados, e se depois desse trabalho as pessoas passarem a desfrutar mais dessa obra, teremos atingido nosso objetivo", finaliza Rafael Veríssimo.

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