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Kamau Comenta Faixa a Faixa seu Novo EP, ‘Licença Poética (Experimentos Pessoais)’

Escute com exclusividade “Com Licença”, som que abre o disco do rapper paulistano. Lançamento rola nesta terça (26) via Plano Audio.

Foto por Muriel Xavier

Licença Poética (Experimentos Pessoais) marca a volta do rapper e produtor Kamau às rédeas do ritmo e da poesia de sua obra. Aqui, ele assina não só as rimas, mas todas as batidas do disco, coisa que não fazia desde 2006, quando lançou Escuta Aí junto com o grupo Simples. Neste trabalho, o objetivo do artista foi misturar a tradição dos samples com a contemporaneidade dos synths de modo a encontrar novas maneiras de alcançar nas batidas os resultados que o agradassem. Algo que ele chama de “reaprendizado”. “Tenho várias influências em termos de produção, mas quis fazer do meu jeito, reaprendendo. O Cesar Pierri (CESRV ‐ Beatwise) e o Sants (Beatwise) me mostraram muitas coisas diferentes, mas pensei em começar o disco com um clima de Flying Lotus e Knxwledge para as batidas, misturando o chamado ‘boom‐bap' com batidas mais atuais”, explica Kamau.

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Todas as marcações brotaram da mente de Kamau e tomaram forma em sua MPC. Para as bases e timbres, convidou alguns instrumentistas. Jhow Produz assumiu o teclado (entre synths, rhodes, wurlitzer e linhas de baixo) e o piano; Julio Mossil tocou baixo; Bruno Dupre, Toca Mamberti e Cesar Pierri seguraram a onda nas guitarras; e Rafael Campanini meteu bronca no piano. Kamau, por sua vez, complementou algumas batidas e também se aventurou no teclado.

A experiência resultou em sete faixas: “Com Licença”, que começa com a colagem de uma frase da faixa “Ciclo”, do trabalho anterior, o EP …Entre…, e tem colagens dos DJs RM e Erick Jay; “Verso em Verso”, com participação do Sombra cantando no refrão; “Hora do Show”; “Fuso (Hora Extra)”, single que ganhou uma versão estendida, mais uma vez com colagens de RM e Erick Jay; “Pulso”; “Outro Lado”; e “Carpe Diem”, inspirada na mensagem de John Keating, personagem de Robin Williams em Sociedade dos Poetas Mortos. Curta com exclusividade "Com Licença", primeira faixa do EP, e acompanhe um faixa a faixa que agitamos com ele:

1. Com Licença

“O nome praticamente explica a intenção da faixa e do restante do EP: a busca por outros caminhos para se chegar a uma mesma meta. Busquei muitos samples pra fazer essa batida e acabei partindo de uma linha de baixo que me veio à mente e construindo a melodia em torno disso, sem samples mesmo.”

2. Verso em Verso

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“Um dia pensei numa ideia: ‘E se eu fosse um verso?’. Então resolvi escrever um verso sobre verso: seu nascimento, seus pensamentos e onde ele pode chegar. E, quando escrevi o refrão, me veio à mente a voz do meu parceiro Sombra para interpretá-lo. E acho que marcou bem o contexto. Esse é mais um beat sem samples. Parti da linha de baixo que 'cantarolei' pro Julio Mossil e pedi pro Jhow Produz acompanhá-lo, dando algumas ideias pro teclado também. E Bruno Dupre completou com a guitarra numa outra sessão.”

3. Hora do Show

“Tenho esse primeiro verso há um tempo, mas não pensava em gravá-lo. Aí tive a ideia de complementar com uma segunda parte e criar uma batida para isso. Esse é o sinal de que o show vai começar e não tem hora pra acabar.”

4. Fuso (Hora Extra)

“Esse som nasceu de uma ideia que tive de reinterpretar "Noite de Insônia", do MRN. Eu sempre atravesso a madruga pensando, produzindo, planejando ou fazendo show. No meu caso é meu turno mesmo, não insônia. Foi lançado como single, mas sem as colagens que rolam no final, cortesia dos maestros Erick Jay e RM. As mudanças no andamento da batida, mas no mesmo BPM, mostram um pouco das fases da madruga. Até porque o sono chega em algum momento, certo?”

5. Pulso

“Talvez a faixa que tenha impulsionado a ideia toda desse disco. Parecem palavras soltas num primeiro momento, mas espero que façam sentido a cada audição. Foi a primeira batida que fiz pro disco todo, a primeira a ser gravada também. Ditou o ritmo da criação.”

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6. Outro Lado

“Escrevendo versos pra tentar criar a ‘Com Licença’, acabei esboçando essa sem querer. Tem um tom melancólico, mas é apenas reflexivo, introspectivo. Falo comigo mesmo e vou 'pensando alto' à medida que a faixa avança. Talvez eu esteja mesmo em outro lado pra observar melhor o que acontece.”

7. Carpe Diem

“Tentando buscar inspiração pro EP, fui até Belo Horizonte e passei uma temporada na residência da Fun Family, do meu parceiro Coyote e sua família. Ia criar umas batidas com ele e tinha uma MPC 1000 por lá (Salve Fumaça!). Depois de uma sessão de garimpo por vinil do bom, achei um artista mineiro que gosto e ouvi o disco que comprei. Achei um sample e resolvi tentar fazer algo na MPC. Essa batida foi o resultado. A frase ‘Carpe Diem’ ficou marcada pelo professor Keating em ‘Sociedade dos Poetas Mortos’ e inspira a aproveitar cada dia, pois essa vida é um momento. E meu mano Jeffe (o mesmo de ‘A Quem Possa Interessar’ e ‘Equilíbrio’) interpretou bem o refrão e finalizamos a faixa com a interpretação do tema por Emerson Alcalde. Satisfação me reunir novamente com esses caras.

Busquei um reaprendizado ao produzir as batidas desse disco e sou muito grato ao Jhow Produz, que colou quando pôde pras sessões e contribuiu lindamente na maioria das faixas. E Cesar Pierri, que registrou todos os sons e me ensinou muito nesse processo, principalmente na parte dos instrumentos virtuais e sintetizadores. E também os DJs Erick Jay e RM, que chegaram com alguns discos em vinil que eu sempre bato o pé pra que sejam usados nas colagens dos meus trabalhos. E os participantes musicais: Bruno Dupre, Rafael Campanini, Toca Mamberti, Sombra, Jeffe, Alcalde. E Luis Lopes na master. Obrigado pela companhia nessa ‘Licença’.”

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