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O magüeRbeS lembra que a mudança começa em você no clipe de “Obrigado Vida”

Os roqueiros celebram 22 anos de correria com intervenções urbanas e uma mensagem de que sempre pode haver luz no fim do túnel.

Foto: divulgação

"Obrigado Vida", o novo clipe do magüeRbeS, vem grifar a antiga relação de seus integrantes com a street art. Na ativa desde 1994, quando surgiu em Americana, interior de São Paulo, a banda tem em sua formação gente que há 15 anos atua em parceria com o coletivo SHN, que, entre suas ações, trabalha com colagens, oficinas, expos de lambe-lambe, serigrafia e vários outros lances. Daí que o Haroldo Paranhos, vocalista, um dos cabeças do coletivo, é um cara conhecido por sua visão positiva das coisas. Ele sempre diz que a vida é maravilhosa e resolveu passar essa mensagem não só por meio do som, mas também da intervenção urbana. Eles então fizeram uns pôsteres e stickers e saíram colando pelos muros de São Paulo. O registro da ação, a princípio, era para ser só isso, um registro para viralizar nas redes.

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Só que a mensagem chegou muito mais longe do que os músicos esperavam. A galera que segue o magüeRbeS começou a reverberar a ideia e surgiu a hashtag #ObrigadoVida — e não demorou para que criassem o Instagram @obrigadovida. Diante da repercussão, a parada evoluiu, virou um clipe. O curioso é que, numa época em que a maioria das bandas de punk e metal estão lançando sons e clipes com uma visão pessimista das coisas, o magüeRbeS surge com um discurso na contramão. “O nosso novo disco, Futuro [Hearts Bleed Blue], é quase todo orientado para entender as possibilidades de se ter uma boa conversa sobre acreditar que você pode ser a mudança, que um mundo melhor depende de você, de como você cria seus filhos, trata os seus iguais, lida com o meio ambiente”, filosofa o vocalista. “’Obrigado Vida’ pode parecer piegas, clichê de religião ou partido, mas, muito pelo contrário, o tempo passa muito rápido, temos que criar momentos especiais, mesmo dentro de um furação de filhadaputagem, destruição, ódio, mentiras e guerras.”

O guitarrista Fabrizio Martinelli, que dirigiu, captou imagens e montou o clipe, comenta que “um rolê de colagem assim é o cotidiano do SHN, e trazer isso para o magüeRbeS foi muito natural. O Daniel [Cucatti – SHN Tattoo] fez essa arte nova, com um lettering inspirado naquelas clássicas placas de caminhão, e na hora eu já pensei em fazer uma tattoo. Daí, foi só produzir os pôsteres, adesivos, organizar o rolê e sair gravando”. Essa não é a primeira vez que o grupo assume um projeto vinculado à street arte, mas é o primeiro que contou com um plano de ação amarrado. “Quanto há de marketing e de ativismo nessa história?”, reflete Haroldo. “Acho que de tudo um pouco, na dose certa, segundo o nosso critério. Há duas décadas fazemos tudo de modo independente, a arte, a música, os shows, a rua, o estúdio de ensaio e gravação, o ateliê de impressão. As ideias saem daqui de dentro e são realizadas entre bons amigos. Se é verdadeiro, é o que vale pra gente.”

Desde a fita demo Passanumar, de 1996, o magüeRbeS tentou alcançar uma identidade mais do que representar um estilo. “Somos da geração Juntatribo”, explica Haroldo, “e nessa época a busca por autenticidade era fodida. A energia que a música têm é muito intensa, muito real. Crescemos livres para fazer nossas próprias escolhas com a música. Sempre foi muito orgânica e natural essa construção.” Musicalmente, a faixa “Obrigado Vida” condensa bem a cara que o conjunto lapidou nesse tempo todo: guitarras pesadas, melodia e tempos marcados que se confundem entre o hardcore, o metal e o rap. Como diz o press release: indicado para pessoas de cabeça aberta.

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