Messi ou Ronaldo? Nenhum deles. Maradona "is the real deal"
Imagem principal: autor desconhecido, foto via Wikimedia Commons.
Opinião

Messi ou Ronaldo? Nenhum deles. Maradona "is the real deal"

Explicamos-te porque é que, apesar de não ter um aeroporto com o seu nome, o mito argentino continua a ser o melhor de todos os tempos.
5.4.17

Nunca é fácil de decidir quem é o melhor futebolista de sempre. Zidane, Ronaldinho, Platini, Puskas, Eusébio, Pelé, Beckenbauer, Cruyff… Estes últimos cinco estão completamente fora do radar da minha existência, por isso vão ter que ficar para outro tipo de decisores (aconselho o Rui Miguel Tovar, ou o Rui Malheiro).

Futebol é paixão e concordo que a cor clubística é das poucas coisas que não mudamos ao longo da vida. Ok, faço um reparo. Adorei ver o Real Madrid no final dos anos 80 e um pouco na altura dos galácticos (por causa de Zizou), mas depois da época gloriosa do tiki-taka fiquei siderado. Foi como estar casado com alguém deveras especial e, sem saber como, apaixonar-me loucamente (e definitivamente) por outra pessoa. Sim, há gajas que podem ter este tipo de efeito em tolos como eu e nem preciso de ser casado - e não sou, caso tenhas ficado confuso. É como voltar aos 17 anos, bem descritos num tema d'Os Capitães da Areia.

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Messi, Iniesta e Xavi foi o trio nuclear que me fez mudar de barricada. É difícil de esquecer, por exemplo, os cinco secos que espetaram ao Real Madrid de Mourinho, "sem apelo nem agravo". Na equipa de Guardiola, realço também o implacável Villa, o destemido Puyol e o subtil Busquets. Mais tarde chegaria Fabregas com a fineza dos seus passes, como aquele que deu a Iniesta na Final da primeira World Cup conquistada pela selecção de nuestros hermanos, em 2010, na África do Sul.

E tu perguntas, "Este tipo é espanhol?" Resposta: Não, curto ser português, mas se pudesse ter uma segunda nacionalidade ligado às coisas da bola, seria catalão. Por isso, voltando ao que me trouxe até aqui, não mudei de clube em Portugal. Esse, jamais. Qual é o meu? Isso agora…

Relativamente à questão que deu título a este texto, as dúvidas foram há muito dissipadas. Para mim, a fantasia/criatividade é o que distingue o génio da mediania geral. Por exemplo, da geração de Figo (contando que Cristiano apareceu ligeiramente no final da sua carreira), Rui Costa era o que me dizia mais. Recuando no tempo, Futre e Chalana deram cabo do resto da concorrência.

Apesar de respeitar muitíssimo tudo o que o Ronaldo tem feito, escolhê-lo como o "Melhor de Sempre" seria descabido dentro dos meus parâmetros. Tem muita fantasia nos pés, mas valeu sempre mais pela máxima assertividade e comprometimento, do que pela magia (aqui, já deu para ver que sou mais Buenos Aires e arredores…). Os inúmeros recordes quebrados são disso prova.

"Depois da estátua (e do busto), de um museu criado por si próprio e do aeroporto do Funchal ser agora Aeroporto Cristiano Ronaldo, só falta mesmo mudar o nome da ilha (…)".

O madeirense é ainda o principal embaixador para que a palavra Portugal tenha efeito no mais simples comum dos mortais em qualquer Continente. Acredito que muitos já beneficiaram em situações em que têm que explicar o que Portugal é, ou onde fica. Para completar o dossier CR7, é de referir que foi considerado o atleta que mais doa para causas sociais (!!) e é o mais seguido no Facebook. Nem os EUA, com tantas estrelas planetárias, lhe retiram essa fama no universo dos likes.

Depois da estátua (e do busto), de um museu criado por si próprio e do aeroporto do Funchal ser agora Aeroporto Cristiano Ronaldo, só falta mesmo mudar o nome da ilha, como disse sarcasticamente Miguel Sousa Tavares. Bem, se o Presidente Marcelo e o "afilhado" Costa não se importarem…

Sendo assim, entre os mágicos Maradona e Messi, o que me leva a escolher o primeiro? Podia dizer que o original é melhor que a cópia; ou o facto de ter vencido um Mundial com a Argentina o ajuda; prefiro sublinhar, todavia, que a sua história de vida abarca toneladas de Bom, um pouco de Mau e algumas fatias de Vilão.

Se não conheces (!?) ou tens dúvidas, pesquisa por aí os golos, as assistências e os dribles, desde o seu país Natal à Itália, ou recupera o filme assinado por Emir Kusturika. Ah, é verdade: Diego também vestiu as cores do Barça (conhecido por ser "mais que um clube") e deu origem à igreja "Maradoniana".

Um mago, na verdadeira acepção da palavra e autor do golo com a "Mão de Deus" e do tento do século XX frente à selecção inglesa (ver video abaixo) – na altura (1986), a vitória do team alvi-celeste foi uma autêntica chapada [de mão, sem luva branca] à terra de Sua Majestade por causa do conflito nas Ilhas Malvinas – agora são os espanhóis a reinvidicar Gibraltar.

Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim e Sim (10, como na camisola)! No futebol, Maradona "is the real deal"!…E não há coca neste Mundo que me faça mudar de opinião.

PS: Este é o meu "onze forever" (pelo menos até inícios de Abril 2017, porque amanhã pode sempre aparecer um fabulástico jogador): Jean Marie Pfaff; Brehme, Desailly, Matthias Sammer, Paolo Maldini; Xavi, Zidane, Iniesta; Maradona; Messi e Ronaldinho (uma equipa orgulhosamente sem ponta de lança fixo).