Pop CollectionMental Groove RecordsDescrevendo-se como os orgulhosos e gloriosos embaixadores de uma nova era Pop, os Kadebostany anunciam estePop Collection como um bastião essencial na redefinição e, porque não, revolução do género, prometendo canções versáteis, épicas e cativantes que nos deixem todos a questionar "Como é que nunca ouvi falar destes gajos?". Comecemos por aí: que porra afinal é isto do
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Kadebostanião? A resposta é-nos dada em "K-Airline", onde nos é apresentado como um estado soberano — imaginário, claro (na internet leio que são suíços na vida real) — onde toda a malta dança e canta todo o dia, numa espécie de Meca da fanfarra e ritmos exóticos situada na Europa central, imaginamos nós. E a fanfarra predomina, nas suas mais diversas variedades. Escutamos o soar de trompetes que nos evocam os confrontos entre touros e toureiros aqui, algazarra pura ao melhor estilo de Kusturica acolá, e algumas achegas mais ousadas a algo que se assemelha tremendamente a soul que, diga-se, até cumprem com a sua premissa. Tudo em tom de pura diversão, e por esta altura já consigo ouvir "ei, quem és tu que detestas diversão para vir dizer mal deste disco?".No entanto, enquanto esfregamos as mãos à espera das prometidas e infindáveis delícias pop que estão aí para vir, basta um par de malhas rolarem para nos apercebermos quePop Collection se apresenta bastante tímido na execução da sua premissa. Passando toda a instrumentalização de sopros acima referida, este disco vive de beats electrónicos bastante simplistas, que para além de não serem assim tão interessantes, rapidamente se tornam aborrecidos. Vive também dehooksque, salvo um par de excepções (em "Invisible Man" e "Jolan" encontrar-se-ão porventura os mais eficazes, embora já perigosamente próximos do puramente azeiteiro), nos deixam sem qualquer recordação dos mesmos passados cinco minutos. Salvar-se-ia a diversidade trazida pelos seus ritmos e sons exóticos, diriam uns, mas lembrando, por exemplo, o território comum partilhado pelo francês Woodkid em algumas dos estilos das canções, há quem faça o mesmo só que em melhor, diria eu.
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Não tenho grandes dúvidas de que a verdadeira experiência para os Kadebostany passará por assistir a um concerto destes tipos ao vivo, onde se possa beneficiar de um ambiente tão festivo que não me permita ser tão picuinhas no que estamos ouvir e"sentir a festa, pá. A festa é que conta!"como tantas vezes ouvimos em concertos de Gogol Bordello. Mas em suma,Pop Collectionsitua-se num terreno meio cinzentão, em virtude do que promete oferecer e do tombo que dá quando as expectativas saem algo goradas. Na sua maior parte está longe de ser absolutamente horrível, como muitas tentativas arriscadas acabam por ser no universo da pop electrónica com dezenas de outros instrumentos à mistura, mas será isso um mérito? De bom, e é importante referir, fica a capa, onde um imponente bigode diz "Eu estou aqui". Isso, e um elevado potencial de presença num qualquer festival da Eurovisão.