Como será a missão que quer disparar micronaves ao sistema estelar mais próximo
O sistema estelar binário Alpha Centauri, com a estrela anã vermelha Próxima Centauri. Crédito: Skatebiker.

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Como será a missão que quer disparar micronaves ao sistema estelar mais próximo

Se esse tipo de plataforma tecnológica se mostrar viável, ela permitirá que sondas criadas por humanos visitem outros sistemas estelares daqui a uma geração.

A expressão latina per aspera ad astra, que significa "pelos caminhos árduos se vai às estrelas", virou um jargão na comunidade responsável pelas viagens espaciais ao redor do planeta.

Agora, o empresário bilionário Yuri Milner e o cientista Stephen Hawking se juntaram para realizar esse objetivo sublime por meio do programa Breakthrough Starshot [cuja tradução aproximada seria "Disparo Estelar"], uma missão ambiciosa a Alpha Centauri, o sistema solar mais próximo do planeta Terra, a 4,37 anos-luz de distância.

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"Há exatos 55 anos, Yuri Gargarin se tornou o primeiro humano no espaço", afirmou em uma declaração Milner, que recebeu seu nome por causa de Gargarin e nasceu no mesmo ano do voo histórico. "Hoje estamos nos preparando para o próximo grande passo – as estrelas."

Milner e Hawking mostraram um panorama do plano Breakthrough Starshot em um anúncio na coletiva à imprensa transmitida ao vivo pela internet, na terça-feira, no observatório One World, em Nova York, nos EUA. Para diminuir a distância enorme entre nosso sistema solar e Alpha Centauri, a dupla propôs lançar milhares de "nanonaves", cada uma mais ou menos do tamanho de um selo, a velocidades relativísticas de 20% da velocidade da luz.

Em teoria, é assim que deve acontecer: uma nave-mãe carregando a frota de nanonaves é lançada a uma grande altitude para orbitar ao redor do planeta. Cada unidade individual consiste em um pequeno "Chip Estelar", equipado com câmeras, sensores e equipamento de comunicação junto de uma "vela solar" ultrafina de cerca de três metros de comprimento. Somados, esses componentes pesariam somente alguns gramas.

Animação do conceito da Breakthrough Starshot. Vídeo: Breakthrough/YouTube.

Assim que forem lançadas a partir de uma grande altura em órbita, as navezinhas abrirão suas velas e capturarão uma onda de lasers disparada em direção a elas por meio de poderosas antenas em fase alinhadas em um quilômetro na Terra. De acordo com o novo site da Breakthrough Starshot, esse grande impulso de propulsão fotônica poderá "acelerar as nanonaves individuais até as velocidades desejadas em questão de minutos".

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Os obstáculos desse conceito futurístico exigirão muito tempo e dinheiro para que o projeto seja realizado, e os coordenadores da equipe estimam que ele possa custar mais de 10 bilhões de dólares até que haja algum resultado. Milner já investiu 100 milhões até o momento.

Se esse tipo de plataforma tecnológica se mostrar viável, ela permitirá que sondas criadas por humanos visitem outros sistemas estelares daqui a uma geração – um feito realmente fantástico. Alpha Centauri é um alvo e destino tentador não somente pela proximidade, mas também porque ela consiste de pelo menos duas – e possivelmente três – estrelas cujas órbitas estão entrelaçadas, e também porque elas podem conter planetas.

Além de Milner e Hawking, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, também estará a bordo da missão, e o braço científico será liderado por Pete Worden, ex-diretor do centro de pesquisa Ames da NASA.

"Assim que lançarmos essas coisas e começarmos a receber imagens de perto de um planeta ao redor de outra estrela, vamos definir a humanidade em sua totalidade, bem como seu futuro", Worden disse à Scientific American. "Trata-se de algo que, se funcionar, mudará a forma na qual pensamos sobre nós mesmos como espécie e como planeta."

Tradução: Amanda Guizzo Zampieri