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O Resultado das Eleições Gerais Provavelmente Vai Mudar a Grã-Bretanha para Sempre

Mesmo com pesquisas anteriores prevendo que os conservadores seriam o maior partido no parlamento, nada havia insinuado o tamanho da liderança que eles alcançaram.
8.5.15

Quando a BBC anunciou suas pesquisas de boca de urna às 22h (hora local), enquanto as zonas eleitorais fechavam na Grã-Bretanha, os resultados projetados foram nada menos que um choque. Mesmo com pesquisas anteriores prevendo que os conservadores seriam o maior partido no parlamento, nada havia insinuado o tamanho da liderança que eles alcançaram.

O Partido Trabalhista parece estar fodido. Qualquer chance que Ed Miliband tinha de formar o próximo governo é desprezível, e sua principal preocupação agora é sobreviver como líder do partido.

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No entanto, a maior história da noite talvez tenha vindo da Escócia, com o SNP tomando quase todas as cadeiras ao norte da fronteira. Quando os resultados finais chegaram, eles tinham pegado 56 dos 59 assentos. Para contextualizar essa informação, eles tinham ocupado apenas seis em 2010.

E é lá, na Escócia, que as maiores perdas do Partido Trabalhista aconteceram. Além disso, eles fracassaram em conseguir qualquer liderança na Inglaterra e em Wales. Todo mundo achava que os ex-eleitores dos liberais democratas abraçariam os trabalhistas como centro-esquerda, mas muitos votaram nos tories. Se o crescimento do UKIP parece vir tanto de ex-eleitores dos trabalhistas quanto dos conservadores, então os liberais democratas eram mais de direita do que muitos pensavam. Esses dois fatores foram responsáveis pela noite terrível de Miliband.

Enquanto isso parece ser algo bom para os conservadores a curto prazo, a longo prazo isso significa que a união política entre Inglaterra e Escócia será colocada sob uma pressão maior que nunca. Em nenhum ponto da história da democracia britânica, as duas nações votaram de maneira tão diferente, com o SNP desfrutando o sucesso mais impressionante de qualquer partido do período pós-guerra – e tudo graças a um ingresso antiausteridade, que se recusa a gastar £ 100 bilhões para substituir o Trident. Quando você compara isso com a Inglaterra, onde o UKIP e os conservadores parecem ter ganhado 50% dos votos populares, é difícil ver como tal diferença pode ser reconciliada sem uma grande reforma constitucional. Você não pode ter uma nação apoiando a austeridade e outra lutando contra isso sem algo se romper.

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Como o referendo de independência da Escócia foi votado no ano passado, esperar concessões ao SNP, agora que os tories estão de volta, provavelmente resultará numa grande delegação de poderes.

Assim como poucos ascenderam tão meteoricamente quanto o SNP na noite passada, poucos caíram tão catastroficamente quanto os liberais democratas. O partido levou 57 cadeiras em 2010, mas só oito dessa vez. Algumas das cadeiras deles consideradas mais seguras no país caíram no processo, de Vince Cable a Simon Hughes, de Lynne Featherstone a Danny Alexander. Na verdade, o único liberal democrata de qualquer estatura a permanecer, mesmo que ferido, é Nick Clegg, que viu seus eleitores em Sheffield Hallam reduzidos de 15 mil para 3 mil. Num discurso curto depois dessa vitória, o vice-primeiro-ministro sugeriu que vai renunciar como líder do partido.

Mesmo sendo fácil ver o resultado como uma vitória fácil dos tories, a coisa é muito diferente. De um lado, há o UKIP e o Partido Verde, que viram milhões de votos levarem a apenas um punhado de cadeiras; do outro, há um partido, o SNP, que é o grande desafio democrático para a política de Westminster desde o sucesso eleitoral de Sinn Fein em 1918. A eleição de ontem foi apenas o começo. E, do outro lado do que parecem ser dias – se não meses – de impasses e negociações, está a reforma eleitoral e constitucional. Para vantagem do que e de quem, ainda não está claro.

O que podemos dizer é que, por causa da forma como os ingleses votaram, da adesão à União Europeia à união política do país, a Grã-Bretanha provavelmente será muito diferente em alguns anos.

@AaronBastani

Tradução: Marina Schnoor