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Giampietro Belotti: Eu costumo participar de reconstituições históricas e sempre gostei de fantasias absurdas. Ainda não consegui digerir essa coisa das Sentinelas em Pé – vejo isso como jogar areia nos olhos das pessoas. Então, pensei em combinar as duas coisas.
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Elas continuaram lá em pé, congeladas. Quando os organizadores do evento me viram, eles correram até os agentes da Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais [DIGOS, mais ou menos o equivalente ao FBI] procurando ajuda. Um minuto depois, eu estava procurando minha identidade na minha carteira.O que aconteceu depois?
Um pequeno grupo se formou ao meu redor – alguns estavam aplaudindo, outros tirando fotos. Quando os policiais pediram meus documentos, algumas pessoas intervieram para dizer que eu não estava fazendo nada de errado. Duas pessoas pegaram suas identidades quando perceberam que os policiais iam me levar à delegacia.
E então?Vamos dizer que eu não estava com muita vontade de acompanhá-los. Os policiais da DIGOS foram muito educados, na verdade – dentro dos limites impostos pelo trabalho deles, claro. Só um me agarrou pelo braço e começou a me empurrar. Eu disse: “Você se importa de tirar as mãos de mim?”. Aí ele parou, porque percebeu que eu não ia reagir. As pessoas que estavam tentando me defender começaram a subir o tom; então, eu preferi seguir os policiais.Você falou com os agentes da DIGOS durante o caminho?
Foi uma cena que beirou o absurdo. Os policiais entenderam as referências aos nazistas de Ilinóis e ao Grande Ditador. No carro, eles começaram a falar sobre Os Irmãos Cara-de-Pau. Fiquei muito surpreso com a situação toda.
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Honestamente, nunca pensei que uma coisa assim pudesse acontecer. O mais impressionante é que os policiais entenderam todas as minhas referências, mas muitos jornalistas, não. Algumas publicações deram manchetes como “Falso Hitler” ou “Vestido como um SS”.
O que aconteceu quando vocês chegaram à delegacia?
Eles fizeram a minha ficha, tiraram minhas digitais e minha foto. Estou vestido como um nazista de Ilinóis na minha foto policial. No começo, eles queriam confiscar meu cartaz e meu Mein Kampf. Aí um terceiro policial chegou e apontou que confiscar um livro que você pode comprar em qualquer livraria não fazia sentido.Além da fantasia e do livro, eu tinha vários triângulos de papel rosa no bolso: aqueles que eles usavam para identificar prisioneiros homossexuais nos campos de concentração. Eu queria distribuí-los entre os homofóbicos que estavam na praça, mas infelizmente não tive tempo.Você realmente corre o risco agora de ser acusado de defender o fascismo?
Bom, os policiais disseram que tinham que fazer um relatório do que tinha acontecido, confiscar o cartaz e notificar o juiz. O único crime que posso ter cometido é apologia ao fascismo, o que é meio paradoxal.Eu que o diga.
Minha ficha está na mesa do magistrado hoje, agora tenho que contratar um advogado. Eles me deram um defensor público ontem, porque eu não tinha um ainda. Mas muitas pessoas estão tentando encontrar um advogado que me defenda de graça.É ridículo. Eu fui até aquela praça com a intenção de fazer uma declaração, mas se tivessem me pedido para ir embora – algo tipo: “Por favor, você poderia dar o fora daqui?” –, eu teria ido. Eu realmente não esperava que isso fosse acontecer.Siga o Leonardo Bianchi no Twitter.Tradução: Marina Schnoor
