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Cientistas Estão Transformando Lixo e Esgoto em Eletricidade

Os aterros estão transbordando, e Europa e Estados Unidos contribuem com 32% das emissões globais de gases do efeito estufa. Juntos, esses dois problemas podem destruir o mundo.
7.11.13

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Os aterros estão transbordando, e Europa e Estados Unidos contribuem com 32% das emissões globais de gases do efeito estufa. Juntos, esses dois problemas podem destruir o mundo, no entanto, cientistas nos EUA e Suécia esperam impedir essa tendência transformando lixo e esgoto em eletricidade.

Pode parecer uma ideia louca (e é), mas a Suécia tem queimado lixo para criar eletricidade desde os anos 1980. De acordo com Hans Wradhe, chefe da seção de Resíduos e Químicos da Agência de Proteção Ambiental sueca, os políticos do país sempre apoiaram a ideia. “Acho que os políticos veem duas grandes vantagens: uma maneira de impedir a superlotação de aterros e um jeito de conseguir energia barata para instalações de aquecimento urbano”, disse Hans via e-mail.

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Por causa dessas práticas, a Suécia cortou suas emissões de carbono em 9% entre 1990 e 2006, excedendo as metas estabelecidas pelo Protocolo de Quioto, de acordo com o Guardian. No entanto, depois de queimar tanto lixo nos anos mais recentes, a Suécia está ficando sem resíduos para queimar e já começou a importar lixo de outros países, como a Noruega. Um relatório da Refinaria de Resíduos da Suécia informa que o país importou 174.600 toneladas de lixo em 2012. Pesquisadores preveem que esse tipo importação alcance 1,5 milhões de toneladas até 2015 e 2,5 milhões em 2020.

A ideia de conseguir energia queimando lixo parece um sonho que se tornou realidade, mas mesmo Hans admite que o processo precisa de melhorias: “A incineração de resíduos não é muito complicada, mas há a necessidade de aparelhos de despoluição para as emissões das instalações, algo que reduza a emissão de dioxinas e outras substâncias nocivas”. (Dioxinas são um grupo químico associado a diversos problemas de saúde, incluindo danos aos sistemas imunológico e reprodutivo, problemas de desenvolvimento e até câncer.)

Outros cientistas acreditam que as práticas suecas encorajam o desperdício. “De um ponto de vista ambiental, isso é um grande problema”, disse Lars Haltbrekken, presidente do grupo ambiental Friends of the Earth, ao New York Times. “Há uma pressão para produzir cada vez mais lixo, já que existe essa sobrecapacidade.”

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Apesar da controvérsia em torno das soluções energéticas da Suécia, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Cruz estão seguindo o exemplo sueco e se voltando para os resíduos para resolver o problema de emissão de carbono dos Estados Unidos. Junto com uma equipe de pesquisadores, Yat Li, o professor associado de química, criou um sistema que combina luz do sol e águas residuais para criar hidrogênio. (Água residual é qualquer água que teve sua qualidade comprometida, como o esgoto.) O sistema de Yat combina uma célula de combustível microbiana e uma célula fotoeletroquímica, um tipo de célula solar, para aproveitar a eletricidade produzida por bactérias que se alimentam dos compostos orgânicos presentes nas águas residuais, como fezes no esgoto. A eletricidade colhida da alimentação da bactéria é usada para ajudar as células solares num processo de separação da água, criando hidrogênio e oxigênio.

“Produzir hidrogênio pela separação da água é um método ambientalmente limpo, mas água limpa também é um recurso humano importante”, disse Yat. “Seria ideal se pudéssemos usar a água residual para produzir combustível de hidrogênio. Isso nos motivou a explorar uma estratégia sustentável para abordar, simultaneamente, o tratamento de águas residuais e a recuperação de energia nessas águas para a geração hidrogênio.”

A equipe percebeu que enquanto o aparelho funcionava, a água que estava preta com o ranço dos resíduos ia se tornando mais clara gradualmente. A quantidade de compostos orgânicos declinou 67% em apenas 48 horas. As bactérias continuam com o processo de criação de hidrogênio enquanto houver resíduos para alimentá-las, e o que não falta no mundo é merda.

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“O aparelho ainda precisa ser testado numa estação de tratamento de esgoto”, disse Yat. “No futuro, imaginamos que a célula microbiana será integrada ao encanamento das estações de águas residuais para alimentação contínua. A parte fotoeletroquímica será instalada a céu aberto para colher a luz do sol, e o dispositivo híbrido produzirá hidrogênio de forma rentável e sustentável.”

Ainda vai levar um tempo para que o dispositivo esteja disponível comercialmente, pois, por enquanto, ele ainda precisa ser testado numa estação de tratamento próxima da universidade.

“Felizmente, a Califórnia é abençoada com luz do sol abundante, que poderemos usar nos testes de campo”, disse Yat numa declaração para o site da UCSC.

Queimar lixo e coletar energia de bactérias que comem cocô não são as formas mais limpas de energia, mas podem ajudar a reduzir as emissões de resíduos e carbono que causam o aquecimento global. A solução real seria cortar as emissões, mas como isso parece estar longe de acontecer, podemos muito bem fazer bom uso de toda nossa merda.

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