A Polícia Tentou Desocupar a Praça da Independência em Kiev, Mas Não Conseguiu

FYI.

This story is over 5 years old.

Noticias

A Polícia Tentou Desocupar a Praça da Independência em Kiev, Mas Não Conseguiu

Todos estavam aterrorizados com a possibilidade de que a tentativa de tirá-los de lá à força tivesse consequências trágicas, como incidentes similares na Turquia e Tailândia.

Fotos por Konstantin Chernichkin.

Depois do protesto gigante de domingo passado na Praça da Independência em Kiev, os manifestantes pró-União Europeia e anti-Rússia já se preparavam para uma ofensiva policial. Na hora do almoço na segunda-feira, isso parecia bem provável — havia alertas de que os policiais tinham cercado a praça e estavam prestes a atacar.

No entanto, a coisa não foi como todos esperavam. A polícia não parou as pessoas que circulavam entre as barricadas e voluntários chegaram a se posicionar na frente dos policiais para bloquear qualquer provocador em potencial. Padres de batina também ficaram nas entradas da praça, numa tentativa de aplacar a tensão.

Publicidade

“Hoje será um dia decisivo”, declarava o alto-falante do palco enquanto líderes da oposição pediam aos ucranianos descontentes com a relutância do governo em avançar em direção a uma adesão plena à UE que lotassem a Maidan (nome original da praça).

O ataque da polícia nunca veio, mas as autoridades conseguiram deixar todo mundo estressado. Na segunda-feira, três estações centrais do metrô — Kheshchatyk, Maidan Nezalezhnosti e Teatralna — foram fechadas para o público, supostamente por causa de uma ameaça de bomba. Na prática, isso quis dizer que as pessoas que estavam tentado chegar à Maidan tiveram que descer antes e fazer o resto do caminho a pé. Foi assim durante a noite e a manhã seguinte, mas os moradores de Kiev são destemidos. “As autoridades acharam que isso ia impedir as vovozinhas como nós de chegar à Maidan”, disse uma mulher de cerca de 60 anos, que tinha vindo a pé com uma amiga. “Mas nós viemos mesmo assim.”

Uma fileira policial usando equipamento de choque em Kiev na noite passada.

A terça-feira foi pacífica. O termômetro despencou bem abaixo de zero e os manifestantes tentavam se manter aquecidos. Na prefeitura ocupada, uma pequena multidão assistia ao presidente Viktor Yanukovych se encontrar três de seus predecessores — Leonid Kravchuk, Leonid Kuchma e Viktor Yushchenko — para tentar encontrar uma solução pacífica para a crise.

Catherine Ashton, a chefe de política estrangeira da UE, também estava em Kiev e, naquela manhã, capangas do governo — conhecidos localmente como titushky — bloquearam a entrada do quartel-general da delegação da UE. Ainda assim, ao anoitecer, Yanukovych afirmou que a Ucrânia continuava no caminho europeu. Nesse ponto, ninguém achava que as autoridades levantariam um dedo para os manifestantes enquanto Ashton estivesse na cidade.

Publicidade

Mas eles atacaram na noite de ontem. A tropa de choque investiu depois da meia-noite, tentando passar pelas barricadas na Rua Institutska. Milhares de manifestantes resistiram, mas os policiais conseguiram passar pelos obstáculos depois de cortar o arame farpado com motosserras, e chegaram à Maidan. Houve muito empurra-empurra, mas a polícia acabou desistindo, recusando-se a sacar os cassetetes e recuando logo antes do amanhecer.

“Continuo em Kiev. Eu estava com vocês na Maidan hoje à noite”, escreveu Ashton no site da UE. “As autoridades não precisaram agir sob a proteção da noite para interagir com a sociedade usando força.” Enquanto isso, John Kerry, o secretário de Estado norte-americano, expressou seu “desgosto” com a tentativa de interromper um protesto que permanece inacreditavelmente pacífico.

Manifestantes molham os polícias com uma mangueira durante a manhã de hoje.

Às nove da manhã, a polícia foi da Maidan para a prefeitura, que está ocupada por manifestantes desde o dia primeiro de dezembro. Todos estavam aterrorizados com a possibilidade de que a tentativa de tirá-los de lá à força tivesse consequências trágicas, como incidentes similares na Turquia e Tailândia. No entanto, os manifestantes defenderam o prédio, jogaram água nos policiais pela janela e selaram a entrada. A polícia — agora coberta de gelo por causa da água— acabou desistindo e indo embora, e a multidão se abriu para deixar seus ônibus passarem.

Publicidade

As autoridades ucranianas disseram que os eventos da noite passada buscavam facilitar o congestionado tráfego da capital. “A força nunca será usada contra manifestantes pacíficos”, disse o primeiro-ministro Mykola Azarov esta manhã, numa reunião do gabinete. “Estamos falando sobre limpar as ruas e garantir o funcionamento regular da capital.”

Para muitas pessoas, a tentativa de tirar os manifestantes da Maidan na noite passada pode ser mais um começo do que um fim. De acordo com informações, mais pessoas estão rumando para Kiev de outras cidades da Ucrânia.

As táticas do governo continuam imprevisíveis. Na quarta-feira à tarde, o Ministério do Interior anunciou que os dois aeroportos e a estação de trem de Kiev serão fechados. O motivo? Alguém fez outra ameaça de bomba.

Siga a Annabelle no Twitter: @AB_Chapman

Mais sobre os protestos em Kiev:

Manifestantes Ucranianos Derrubaram a Estátua de Lenin em Kiev

Conversamos com Nosso Editor em Kiev

Centenas de Milhares de Manifestantes Estão Tomando Kiev

Manifestantes gritam com a polícia na manhã do dia 11 de dezembro.

Manifestantes dentro de um prédio ocupado no dia 11 de dezembro.

Polícia em Kiev, 11 de dezembro.

Manifestantes em Kiev na manhã de 11 de dezembro.

Uma fileira policial usando equipamento de choque em Kiev ontem, 10 de dezembro.

Manifestantes na Praça da Independência na noite passada, 10 de dezembro.

Kiev noite passada, 10 de dezembro: os de capacete preto são os policiais, os de capacete laranja são os manifestantes.

A polícia investe contra as barricadas na Praça da Independência.