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Israel Já Matou Cinco Palestinos e Prendeu Mais de 400 na Ofensiva Atual na Cisjordânia

Desde o sequestro dos adolescentes israelenses, Israel prendeu mais de 400 palestinos, incluindo vários membros eleitos do Conselho Legislativo Palestino, em batidas que vêm acontecendo por toda a Cisjordânia.
30.6.14

Soldados israelenses prendem um jovem palestino durante conflitos na cidade de Hebrom, Cisjordânia. Todas as fotos por Oren Ziv. 

No dia 12 de junho, três colonos israelenses adolescentes de 16 a 19 anos foram sequestrados enquanto faziam uma caminhada pela Cisjordânia na Palestina. O desaparecimento de Naftali Frankel, Eyal Yifrah e Gilad Shaer foi registrado na noite de quinta-feira, depois que eles foram vistos pela última vez caminhando entre assentamentos judeus da área de Hebrom.

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Desde o sequestro, Israel prendeu mais de 400 palestinos, incluindo vários membros eleitos do Conselho Legislativo Palestino, em batidas que vêm acontecendo por toda a Cisjordânia. Desses, 282 eram aliados do Hamas, segundo o exército israelense.

As forças de segurança israelense também mataram cinco palestinos. Muitos chamam as ações do exército de “punição coletiva”. A fase inicial da operação foi descrita pelo Haaretz como “mais um ataque geral contra o Hamas”. Agora, o governo de Israel está finalmente baixando as expectativas do povo quanto a realmente encontrar os adolescentes desaparecidos. “Conforme o tempo passa, a preocupação com a vida deles aumenta”, disse o chefe de equipe das Forças de Defesa Israelenses aos repórteres em Hebrom na terça-feira passada.

Estudantes judeus oram pelos amigos que desapareceram no dia 12 de junho. 

Várias figuras políticas israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, acusam o Hamas de ser o responsável pelo sequestro. O governo de Israel não apresentou nenhuma evidência para apoiar essas afirmações ainda, mas diz que vai apresentar uma “prova irrefutável” ao público em breve. O Hamas nega o envolvimento e chamou a acusação de “estúpida”.

Uma das vítimas palestinas da ofensiva, Ahmed Sabbaren, 19 anos, foi baleado no peito quando soldados israelenses invadiram o campo de refugiados Jalazone no norte de Ramallah. Conversei com o porta-voz do grupo de direitos humanos B'Tselem Sarit Michaeli, que me contou mais sobre o que aconteceu. “Durante uma batida militar israelense no campo de refugiados Jalazone, alguns jovens confrontaram o exército com pedras e os enfrentamentos se seguiram”, ele disse. “O exército respondeu atirando num dos jovens no peito. Confrontos entre as FDI e jovens palestinos são comuns nas incursões do exército a comunidades palestinas, o que resulta em uma das principais causas de mortes e ferimentos na Cisjordânia.”

Soldados israelenses amarram um jovem palestino na cidade de Halhul, Cisjordânia. 

Esse acirramento das tensões aconteceu logo depois de o Hamas ter assinado um acordo de reconciliação, acabando com uma divisão de sete anos entre o grupo e a Autoridade Palestina para a formação de uma nova unidade de governo. Muitos comentaristas políticos afirmam que o governo de Israel está usando o desaparecimento como cobertura política para remover a liderança política do Hamas da Cisjordânia e abrir uma brecha entre a Autoridade Palestina e o Hamas antes das próximas eleições na região.

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Ao escrever para o diário israelense Yediot Aharonot, o analista militar e estratégico Alex Fishman disse que o sequestro criou uma “oportunidade única”, que Israel usaria para “castrar” o Hamas e suprimir suas “fortalezas no território da Autoridade Palestina na maior extensão possível”.

Israelenses de extrema-direita queimam uma bandeira palestina durante um protesto na junção de Gush Etzion, perto de Belém. 

O desaparecimento dos adolescentes certamente criou um espaço político para uma ofensiva e agora o ódio se espalha. Uma página no Facebook em hebreu intitulada “Até que nossos garotos voltem, vamos atirar num terrorista a cada hora” tem quase 20 mil curtidas e dezenas de fotos e comentários incitando o ódio racial e pedindo punição coletiva para civis palestinos.

Soldados israelenses realizam buscas em Hebrom. 

Com o crescimento do movimento Boicote, Desinvestimentos e Sanções e o colapso da iniciativa de paz liderada pelos EUA, comentaristas israelenses estão discutindo sobre o custo de uma ocupação indefinida.

O autor e proeminente acadêmico de estudos judaicos Marc H. Ellis resumiu bem a situação num artigo de opinião para o site Mondoweiss: “Na ocupação, inocentes sofrem”, ele escreveu. “Apenas palestinos sofrem? A ocupação tem um custo. Mesmo os poderosos têm que pagar o preço. Os judeus têm que pagar o preço – quando são eles quem ocupam. Judeus desaparecidos são um preço terrível a se pagar. Mas as cadeias israelenses estão cheias de palestinos 'desaparecidos'. Então, devolvam os desaparecidos – dos dois lados. Incluindo a terra, a ética e os serviços do próprio povo. Quando tudo for devolvido, poderemos começar de novo. Um novo início, honrando todos os desaparecidos, que, em justiça, serão devolvidos.”

Mas o retorno dos três adolescentes parece cada vez mais improvável conforme o tempo passa.

O porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri exigiu que o governo palestino se responsabilize e proteja os palestinos das agressões israelenses: “A intifada é o maior evento da história do povo palestino, e isso se renova sempre que a agressão israelense se agrava”, ele alertou. “A resistência por meio de todos os canais é o direito legítimo do povo palestino.”

O custo para os dois lados do conflito deve aumentar cada vez mais.

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