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arte urbana

As caras de Gregos já estão a olhar para (e por) nós em Lisboa

As intervenções urbanas do artista francês invadiram a capital portuguesa. Falámos com ele.

Por Sérgio Felizardo
22 Março 2018, 5:26pm

Foto cortesia C. Marcos.

*Este artigo foi editado a 23 de Março, de forma a dar conta das respostas de Gregos às questões que a VICE Portugal lhe colocou.

Começou em França, espalhou-se depois por outros países, como Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Malta, Grécia e Japão e esta semana chegou a Portugal. Gregos, artista francês espalhou 60 dos seus icónicos rostos pelas ruas de Lisboa, incluíndo um que assinala os seus 46 anos de vida. Uma honra, pois claro!

Ainda em Janeiro último tínhamos falado dele e, apenas dois meses depois, temos o privilégio de ver a arte de Gregos pendurada numa parede mesmo ao virar da esquina. Apesar de ter começado no graffiti e de ter aprendido novas técnicas e formas de trabalhar os materiais enquanto estudava, o francês acabou por optar por uma abordagem à street art que poucos antes dele haviam tentado.

Com recurso a instalações semelhantes às de Mark Jenkins, Gregos encheu primeiro as ruas de Paris e outras cidades francesas com rostos de expressões diversificadas a que é impossível ficarmos indiferentes.

Nesta jornada global, Gregos começou também a colaborar com outros artistas, para que fizessem intervenções nas máscaras e estas não tivessem apenas a cor do fundo onde são colocadas.

Actualmente, há mais de mil máscaras instaladas em França e à volta do Mundo e muitas delas têm sobrevivido ao passar do tempo e ao vandalismo habitual a que se sujeita qualquer intervenção artística de rua. Para aqueles que vivem em países onde Gregos ainda não chegou, o artista disponibiliza máscaras para venda, que podes comprar e espalhar tu pelas ruas... ou por casa, vá.

A VICE falou com Gregos via DM no Instagram, a plataforma de divulgação principal do artista, que nos garantiu que responderia a algumas questões. No entanto, como andar a colar caras pela cidade, desfrutar do Sol lisboeta e responder a perguntas ao mesmo tempo não deve ser fácil, ainda continuamos à espera. Assim que tivermos novidades do homem, fazemos uma actualização.

ACTUALIZAÇÃO

Como prometido acima, aqui está a actualização que importa. Já de regresso a Paris, Gregos respondeu às nossas dúvidas existenciais.

VICE: Olá Gregos. Ainda estás em Lisboa? Tens planos para visitar outras cidades em Portugal?

Gregos: Estou de volta a Paris. Estive em Lisboa durante três dias.

Esta tua intervenção em Lisboa já estava planeada antes de chegares, ou, de alguma forma, a cidade inspirou-te enquanto por cá estiveste? Do que é que gostaste mais?

Já levei 60 rostos pintados. A maior parte das vezes que visito um país novo foco-me na capital e, mais concretamente, no centro da cidade, onde, habitualmente, não vês tanta arte urbana. Ando muito a pé, tanto durante o dia, como de noite e colo os rostos a qualquer hora, conforme o percurso me vai inspirando. É uma espécie de visita guiada à cidade, mas feita por mim próprio. Em Lisboa, adorei especialmente as cores das paredes dos edifícios e o céu azul... Paris está bastante cinzenta e fria neste momento.

Colaboraste com algum artista português?

A única colaboração que tive em Lisboa foi com o artista que me tatuou. Faço sempre uma tatuagem no braço direito com o nome do meu filho em cada país estrangeiro que visito. Gosto de andar sozinho nas ruas, já que há menos possibilidade ser apanhado. Os meus amigos chamam-me "o selvagem", mas eu acho que sou mais uma espécie de lobo solitário.

Quão longe achas que podes levar este projecto?

Até morrer. Nunca poderia deixar de criar e colar, porque é a melhor forma que encontrei de me exprimir. É um pouco como se fosse psicoterapia. No fundo, todos somos um bocado loucos e precisamos de algo que nos equilibre. Esta é a minha "Commedia del Street Art".

Obrigado Gregos e quando voltares avisa!


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