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Já tens a tua playlist de São Valentim?

Desgostos à medida para que possas deprimir à vontade na tua caverna.
14.2.14

Hoje é dia de São Valentim e, infelizmente, este Valentim não se refere ao major de Gondomar. Hoje é aquele dia em que à partida passas por uma de duas situações: a) vais dar uns passeios, comprar uns perfumes da Chanel e jantar a um qualquer sítio chique com a/o respectiva/o ou b) estás sozinho, farto das publicações da

You're Beautiful

 no Facebook, já fizeste uns quantos posts a dizer que "lol, dia de São Valentim

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,

granda merda comercial

"

e na verdade estás a deprimir enquanto a miúda de que gostas está a trocar mensagens e outras coisas com o tipo que detestas. Bom, estás aqui e portanto só podemos assumir que te encaixas no segundo grupo. Para ti, jovem melancólico, aqui vão umas festinhas e uma playlist de desgostos feita à medida para que possas deprimir à vontade na tua caverna.

KANYE WEST - HEARTLESS

Por estes dias o Kanye West não se sentirá assim tão sozinho quando debaixo dos lençóis encontrar o rabo gigantesco da Kim Kardashian. É como ter uma almofada extra. De dias menos felizes a nível sentimental fica esta óptima "Heartless", do muitas vezes incompreendido

808's & Heartbreak

, numa das demonstrações de autotune bem executado e com aquela dica que todos queremos mandar num fim de relação: "You wait a couple of months and then you gonna see / You'll never find nobody better than me"

.

Agora pensa!

ELVIS PRESLEY - YOU DON'T HAVE TO SAY YOU LOVE ME

Um clássico. Original de Dusty Springfield e alvo de dezenas de interpretações por outros artistas e bandas, é a versão de Elvis Presley que a catapulta para um nível galáctico no que a canções de amor abandonado diz respeito. Presente está toda aquela ginga e grandiosidade típica de malhas do

The King,

e aquela secção de sopros é óptima demais.

PHIL COLLINS - AGAINST ALL ODDS

De que vale uma lista destas sem uma

power ballad

 dos anos 80 (altura de tanta fartura no género…) e sem o Phil Collins, um dos reis quase incontestados das canções sobre relações falhadas e desentendidos amorosos, temas abundantes da início da sua bem-sucedida carreira a solo? Esta até vem de tempos menos negros, tendo servido para a banda sonora do filme homónimo, mas é a faixa ideal para terminar um qualquer DJ set quando só os solteirões resignados ocupam a pista de dança, após todas as tentativas de engate saírem furadas. "So take a look at me now

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", p

or favor.

CONVERGE - ALL WE LOVE WE LEAVE BEHIND

Quebrando o ritmo de canções choninhas, eis uma daquelas canções mesmo puta-que-pariu-vou-partir-isto-tudo, vindo de um dos grandes discos de hardcore dos últimos anos. O Jacob Bannon até diz que foi escrita alguns dias depois de um dos cães dele ter morrido, portanto até para isso serve. Deixem o desgosto de lado durante uns minutos e ensaiem estes

air drums

.

GEORGE MICHAEL - CARELESS WHISPER

Já falámos das

power ballads

, mas esta playlist ficaria sempre incompleta sem contar com o saxofone mais marcante da história da humanidade nas suas fileiras. Embora não seja uma música de desgosto

per se

 — descreve antes os sentimentos de culpa acerca de uma traição — é um facto que sobre o tristonho refrão "I'm never gonna dance again / Guilty feet have got no rhythm

"

já foram derramadas toneladas de baba e ranho, cortesia do amante de WCs públicos mais famoso do mundo.

WEEZER - WHY BOTHER

Dos Weezer hoje em dia já não sai quase nada que se aproveite e o Rivers Cuomo parece estar cada vez mais empenhado em mostrar quão fixe é ser um geek na era digital. Esqueçamos isso tudo: do óptimo

Pinkerton

 tomem lá um malhão daqueles para vos ensinar a nem sequer quererem saber de mais uma e outra desilusão.

THE SMITHS - NEVER HAD NO ONE EVER

É Smiths e chega. Difícil é escolher uma única canção de todo o catálogo sentimentalão do gangue de Manchester. Poderia aqui figurar a "Last Night I Dream That Somebody Loved Me", a "I Want The One I Can't Have" ou muitas outras, mas este representante do The Queen is Dead é brutalmente eficaz no seu jeito de quase-valsa para te atirar para o canto do quarto em posição fetal enquanto pensas "Porque é que não falam comigo?".

BLACK SABBATH - CHANGES

Estamos em 1972, os Black Sabbath são uma banda do caralho, acabaram de lançar o seu quarto disco e, com ele, uma canção onde — à semelhança do que tinham feito já uns anos antes na

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Planet Caravan

 ou na

Solitude

 — abandonam por momentos os riffs titânicos e produzem um daqueles

downers

para nos deixar na mais absoluta merda. Cerca de 30 anos mais tarde, o Ozzy Osbourne gravou uma nova versão — absolutamente atroz — com a filha Kelly, porque o reality show deles fazia sucesso, suponho (a Wikipédia diz-me que foi das séries mais vistas de sempre na MTV). Não nos lembremos disso. 'Bora deprimir.

ADRIAN GURVITZ - CLASSIC

Se tivesse sido concebida em Portugal, "Classic" decerto pertenceria ao Paulo Gonzo. Hino imperdível daquela vaga de soft rock britânico de há demasiados anos, "Classic" encerra este alinhamento com, possivelmente, o discurso mais romântico-ilusório de toda a lista. Afinal, como não sentir toda a compaixão do mundo para um tipo que vai escrever uma canção no sótão e que com isso se resigna em absoluto à sua irrelevência? Como diria o Allen Halloween, não há luz no meu sótão.