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Como os europeus reagiram aos ataques em Bruxelas

Jovens de diferentes países na Europa relatam a sensação que tiveram ao saber dos novos ataques terroristas.
22.3.16

Algumas rosas foram colocadas do lado de fora da embaixada belga em Berlim na manhã desta terça (22). Foto por Grey Hutton

Na manhã desta terça (22), a Europa mais uma vez acordou com a notícia de um ataque terrorista. Por volta das 8 da manhã, duas explosões atingiram o aeroporto de Bruxelas e uma terceira estourou no metrô pouco depois. Até então, foram contabilizadas as mortes de 34 pessoas, e outros 180 feridos — os números ainda não são definitivos.

Entramos em contato com os escritórios da VICE na Europa para saber qual a sensação dos jovens frente ao terrorismo.

REINO UNIDO

Jenner, 23

"Desde os ataques em Paris, temo que um ataque como aquele ocorra aqui. Creio que seja iminente. Um ataque terrorista em potencial sempre passa pela minha cabeça quando uso o transporte público – sou bem paranoica com isso. Acabo de ouvir que a polícia na Inglaterra se preparou para 10 ataques simultâneos, o que me faz me sentir bem segura, mas se algo acontecer mesmo é impossível impedir todas as mortes".

FRANÇA

Karim, 26

"Estou muito triste com os ataques em Bruxelas, mas não surpreso. Isto tem muito a ver com a política dos governos ocidentais. Comercializamos armas, monopolizamos matéria-prima — o que já causou muitos conflitos no mundo. Dito isso, eu fico preocupado mesmo que os cidadãos sejam os principais alvos. Casas de show, bares, restaurantes e agora estações de metrô e aeroportos
estes ataques ajudam a criar uma atmosfera de medo, mas temos que seguir em frente. Na Europa Ocidental, sempre pensamos que vivíamos em um sistema distante das guerras e conflitos armados, mas não é mais o caso."

ITÁLIA

Alberto, 21

"O negócio é que estes ataques nos afetam porque acontecem ao nosso redor e os vemos na TV e todos falam sobre, mas o mesmo acontece no mundo inteiro — ninguém fala de Ankara e os demais lugares.

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Não temo que Milão seja o próximo alvo — ainda. Não faria sentido. Não farei nada de diferente. Sei que poderia acontecer em qualquer lugar, mas não deixarei isso afetar meu cotidiano. Não se pode começar a morrer antes que atirem em você."

ALEMANHA

Boris, idade desconhecida

"A forma como a mídia lidou com os ataques parece bem estranha, pra falar a verdade. Alguns amigos em Bruxelas se marcaram como seguros no Facebook, o que foi bom de saber, mas não falava com eles há tempos. Eu preferiria ficar em casa hoje, na verdade, mas tenho muito o que fazer."

SUÉCIA

Manvir, 20 "Isso me assusta um pouco, mas não tenho ideia se algo assim poderia acontecer na Suécia. Penso que a Suécia é um país seguro — duvido que o ocorrido em Bruxelas poderia se repetir aqui. Nasci e cresci aqui. Visitei outros países como a Itália, Inglaterra e Índia — mas nunca me senti segura em qualquer lugar que não a Suécia."

ROMÊNIA

Elena, 30

"Acho interessante que algumas das reações mais inflamadas e extremas vem de pessoas que não estão envolvidas nos eventos. Nesta manhã conversei com um amigo de Bruxelas e ela estava mais calma e racional que meus amigos na Romênia — ela não estava querendo jogar a culpa em ninguém.

Temo que as autoridades empreguem medidas de segurança e vigilância mais severas, que não é exatamente o certo a ser feito. E creio que os partidos de extrema direita atrairão novos membros. Eles só deveriam conversar com a comunidade muçulmana, porém. Esta é a única forma de se encontrar uma solução. Deveríamos pensar também numa forma de lidar com o grande fluxo de imigrantes."

HOLANDA

Fabian, 27

"Ouvi a notícia pela manhã no trabalho, mas não acompanhei os acontecimentos. Foi ruim assim? Caralho. Isso é horrível e tenho que ir até à Estação Central de Amsterdã. Tenho que admitir que estou com um pouco de medo. Pode acontecer aqui também, sabe. Sendo bem sincero, tenho evitado lugares com grande concentração de pessoas ultimamente. É preciso ser mais cuidadoso."

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GRÉCIA

Sofia, 21

"Vi a notícia assim que acordei, foi horrível. Li também sobre boatos de que a mídia não está nos revelando o verdadeiro número de mortos e feridos — o que me parece bem típico da forma como as notícias são manipuladas em nossos tempos.

É bastante deprimente ter que se preocupar com terrorismo e tudo mais que tem acontecido na Grécia. Digo, estamos falidos, o país está cheio de refugiados que agora estão presos aqui e as fronteiras estão fechadas — dor e sofrimento por toda parte. Como ser feliz em tempos como estes? Eu sei que eu não sou."

ESPANHA

Víctor, 17

"Acabo de saber do que aconteceu e estou meio assustado. Quando você vê todas essas medidas de segurança até se sente mais seguro, mas quando uso transporte público não deixo de pensar nisso e me preocupar. Dessa vez foi um aeroporto. Parece que tudo tem crescido cada vez mais, e os ataques terroristas não cessarão até que algo seja feito."

DINAMARCA

David, 28 "Quando ouvi as notícias logo pensei: 'De novo não, não outro ataque terrorista na Europa'. É terrível para as vítimas, seus entes queridos e para a nossa ideia de segurança. Ao mesmo tempo os ataques serão usados como justificativa para prensar os muçulmanos. Este tipo de atentado vai bem nas mãos de pessoas que têm isso em suas agendas — partidos de direita terão mais facilidade em aprovar certas leis, o discurso público mais uma vez irá para a direita, as pessoas se dividirão ainda mais. Um ataque em Copenhague parece irreal, por mais que tenha acontecido antes, mas ainda parece uma realidade distante para mim."

PORTUGAL

Duarte, 17

"O fundamentalismo é levado adiante pelo ódio, e esse ódio vem em partes daqueles que estão às margens da sociedade. Fico horrorizado com estes atos de terrorismo, mas acho que temos que lidar com tudo da forma mais pragmática possível e não com mais ódio.

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A Europa está prestes a perder seus valores fundamentais e não podemos deixar isso acontecer. Temos que lembrar que há terror na Europa destes autoproclamados guerreiros islâmicos, mas nos anos 70 muitos atos terroristas surgiram de nossa própria cultura — caso do IRA. O inimigo é o Estado Islâmico, não o Islã em si. Mas o mais importante mesmo é voltarmos às nossas vidas e pensar nas vítimas e suas famílias."

SUÍÇA

Michelle, 32 "É bem triste e me faz pensar se algo assim poderia ocorrer na Suíça. Não acho que acontecerá, mas nunca se pode preocupar muito com isso. A vida segue — é assim que precisamos agir. Quando algo assim ocorre, é isso. Porém, é muito alarmante para mim terem acontecido tantos ataques recentemente, e penso no que isso significa. Mas ninguém se beneficia de eu me meter em casa e fazer barricadas nas portas até que tudo pare."

POLÔNIA

Adam, 20

"É horrível, mas não chocante — estes ataques ocorrem em intervalos bastante regulares. Creio que é um plano consistente do tal Estado Islâmico. O atentado às torres gêmeas certamente foi um choque e tanto, mas eu era muito novo pra me lembrar. Não vou entrar na deles e ficar obcecado com o assunto. Quero que o governo europeu tome precauções. Eles precisam ser consistentes como os ataques, para que não acordemos com mais bombas explodindo."

SÉRVIA

Spasoje, 24

"O dia de hoje foi palco de mais um ataque levará a Europa rumo a mais caos e incerteza. Os ataques são resultados da geopolítica global, e não vejo como a Europa poderia controlar tudo que está acontecendo. É o objetivo dos extremistas chegar ao coração da Europa — primeiro Paris e agora Bruxelas. Acho que a Europa tem se voltado tanto para seu mundo de sonhos de paz e prosperidade, uma vida boa e fácil, que simplesmente não sabe como lidar com as ameaças e se defender destes atentados. A Europa é responsável, em partes."

Tradução: Thiago "Índio" Silva

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