​Pai Polícia: a série fotográfica de Talita Virgínia

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​Pai Polícia: a série fotográfica de Talita Virgínia

Nascida e criada na periferia de São Paulo, Talita Virgínia passou alguns anos retratando a rotina do pai policial militar.
31.3.15

"Sempre que meu pai chegava à casa de alguém, colocava uma coisa preta no lugar mais alto que encontrava. Quando fazíamos uma viagem meio perigosa, ele andava com ela nas pernas", detalha a fotógrafa Talita Virgínia sobre uma pistola .45 – e outras armas – que seu pai, o soldado Simplício, guardou consigo durante os trinta anos que trabalhou como policial militar na cidade de São Paulo. "Cresci entendendo pouco a pouco o que era aquilo e que eu tinha de manter a maior distância possível dela."

A infância de Talita se deu em bairros periféricos como Jardim Pirajussara, Jadim Macedônia e Capão Redondo. Depois de fazer um curso gratuito e sacar o que queria fazer da vida, ela conseguiu uma bolsa de bacharelado em fotografia pelo Senac e nunca mais parou. O pai, servidor da corporação, foi tema de um trabalho acadêmico (que se estendeu pelos anos até a conclusão da faculdade) intitulado Pai Polícia. "Fiquei obcecada pela minha família e pelo embate de classes que eu vivenciava diariamente estudando numa universidade de classe média e morando na periferia. Os professores ficavam putos quando eu apresentava uma continuação eterna do projeto do semestre passado, mas é que eu simplesmente não conseguia resolver o assunto em pouco tempo", conta.

A caçula da família é constantemente retratada ao lado do pai, como na imagem em que o revólver está em cima do armário da cozinha ou até mesmo quando Simplício se apruma para ir trabalhar e a filha mais nova lê um livro sentada na cama. "Projeto na minha irmã pequena os sentimentos controversos que sentia quando eu tinha a idade dela." Talita tem essa imagem como sua preferida da série. "Eu e ela somos a mesma pessoa nessa foto."

O medo da figura fardada dentro de casa mudou depois que o projeto fotográfico engrenou. "Fez a gente se aproximar, conversar mais sobre a vida", ela diz. Hoje, o soldado Simplício está aposentado. A pós-graduação na Espanha ajudou a fotógrafa a se distanciar um pouco das fotos e a tomar uma decisão: nos próximos meses, Pai Polícia vai virar livro.

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