Mais Violência Assolou o Cairo no Final de Semana

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Mais Violência Assolou o Cairo no Final de Semana

Cerca de 50 mortes foram registradas depois dos enfrentamentos que marcaram o aniversário de 40 anos da Guerra Árabe-Israelense.

Atualmente, derramamento de sangue, gás lacrimogêneo e colunas de fumaça preta nunca estão longe das ruas do Cairo, e tudo isso voltou neste final de semana, quando a polícia enfrentou simpatizantes de Mohamed Morsi, o presidente islâmico deposto do Egito. Cerca de 50 mortes foram registradas depois dos enfrentamentos que marcaram o aniversário de 40 anos da Guerra Árabe-Israelense.

Os protestos de domingo foram parte das marchas semanais, às vezes diárias, que acontecem desde que Morsi foi deposto pelos militares egípcios em 3 de julho. As marchas se intensificaram gradualmente depois que centenas de pessoas foram massacradas na mesquita Rabaa, no Cairo, em 14 de agosto, expandindo-se para incluir um número cada vez maior de manifestantes jovens e não islâmicos. Essa última marcha foi organizada com um objetivo familiar – exigir o fim do governo militar – e encontrou uma resposta também terrivelmente familiar. Seu destino – a Praça Tahrir – é uma zona proibida para os islâmicos depois do golpe e as forças de segurança do país não estavam dispostas a abrir mão de seu território.

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Fui para o distrito de Moahndesin no Cairo na tarde de ontem, pois o protesto estava marcado para sair da mesquita de El Mahroosa depois das preces do meio-dia. Tenho acompanhado essas marchas desde o mês passado e o protesto de domingo me pareceu o maior até agora. Ele foi guiado por centenas de ultras vestidos de amarelo, tocando tambores e cantando, enquanto a multidão seguia a rota normal. Quando chegou o momento de marcar a ocasião especial com uma visita a Tahrir, a ansiedade aumentou.

Como era de se esperar, policiais e as forças de segurança estavam determinados a não deixar seus oponentes alcançarem a Praça Tahrir. Enquanto simpatizantes dos militares se reuniam na praça para celebrar o cruzamento do Canal de Suez pelo exército egípcio há 40 anos, os manifestantes antigolpe foram barrados pelos cordões da polícia perto da Estação Dokki a cerca de 200 metros da praça.

Não demorou muito para que as forças do governo começassem a disparar gás lacrimogêneo e balas de borracha nos manifestantes. Horas de luta se seguiram, com os manifestantes disparando rojões e fogos de artifício enquanto os ataques se intensificavam do outro lado, deixando pelo menos 51 mortos. Além dos mortos e dos feridos com gravidade levados ao hospital Ibn Sina, a polícia teria detido cerca de 400 pessoas incluindo jornalistas.

Algumas horas depois, uma última investida contra os manifestantes acabou com a marcha, que bateu em retirada sob tiros de armas de fogo e gás lacrimogêneo. Mesmo assim, a oposição anunciou que não vai desistir de sua missão e promete retornar a Tahrir na sexta-feira.

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