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O Anonymous Quer uma Guerra Cibernética contra o Estado Islâmico

O Anonymous avisa que está atacando o Estado Islâmico porque "eles são uns hipócritas de merda”.
8.9.14
A imagem do Anonymous para as operações contra o Estado Islâmico. Créditos: Twitter

À medida que o Estado Islâmico (EI) continua sua guerra em busca de uma presença online maior, seja através de redes sociais ou vídeos horrendos de propaganda, grupos ligados ao Anonymous afirmam estar preparando seus próprios ataques online contra a organização jihadista.

O Anonymous, a força hackativista multifacetada, deixou claro que não é amigo do Estado Islâmico, declarando uma guerra cibernética contra o EI, em junho. Desde então, a ofensiva do Anonymous foi acatada por equipes de autoentitulados Anons ao redor de todo o mundo.

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Os ataques vêm das duas partes. Uma conta Anonymous, @TheAnonMessage, foi tomada por hackers que declararam lealdade ao EI em junho. Outras contas Anonymous do Twitter, como a @OpIceISIS, estão regularmente postando mensagens contra o EI, e a hashtag #No2ISIS foi criada para organizar e unir muitos desses esforços díspares.

O Anonymous, como uma operação envolvendo diversas entidades hackativistas, é propenso a conflitos internos e confusões. E, conforme o portal International Business Times reportou recentemente, depois que o Anonymous declarou que seguiria atacando o Estado Islâmico, ele foi criticado por membros rivais.

O Motherboard conversou com um(a) Anon, com a condição de manter o anonimato em torno da missão do hackativista contra o Estado Islâmico. Embora o(a) Anon não pudesse confirmar ou negar que o grupo está especificamente envolvido no ataque contra o EI, ele(a) enrolou para entrar no assunto, dizendo: "Eu daria espaço para vulnerabilidades e acusações caso falasse que estou [envolvido]".

Ainda assim, o(a) Anon tinha algumas coisas muito interessantes para dizer sobre da batalha do Anonymous contra o EI, que a fonte afirma estar agrupando hackers ao redor de todo o mundo. E, segundo essa pessoa, a batalha contra o EI já obteve alguns êxitos.

"Muitas contas de redes sociais foram eliminadas, sites foram destruídos e outras coisas do tipo", disse a fonte. "A vitória será alcançada quando for possível derrubar a capacidade deles de espalhar medo e ódio. Quando formos capazes de cortar o mal pela raiz diariamente, será nossa vitória."

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"Acho bem irônico como um bando de animais procura voltar ao século 12, usando um veículo do século 21 sem pudor algum", disse o(a) Anon. "Claramente, são uns hipócritas de merda."

É evidente que o(a) Anon se refere ao uso bem documentado que o EI faz das redes sociais para organizar esforços de guerra e difundir notícias sobre suas últimas operações militares.

A batalha está longe de terminar, e precisamos expulsar esses psicopatas da internet.

Além da aversão ao EI e seu uso da internet, a fonte do Anonymous e seus compatriotas construíram uma aversão ideológica completa às regras e métodos do Estado Islâmico.

"É óbvio que não são pessoas buscando preservar seu modo de vida, estão buscando subjugar todos os homens, mulheres e crianças na Terra, em todos os países e culturas. Estão cumprindo o papel de tirano. Todas as pessoas deveriam unir forças para expulsá-los e acabar com eles", disse a fonte.

Só agora que o mundo está vendo o que é o EI exatamente, e a fonte reconhece que a batalha está apenas começando. "A batalha está longe de terminar, e precisamos expulsar esses psicopatas da internet", disse a fonte. "Continuaremos a caçá-los e removê-los."

E, de acordo com a fonte, o EI já retaliou com ataques aos servidores do Anonymous, que não tiveram resultados. "Eles são pastores, não hackers. Então… fail", disse a fonte.

O Motherboard também teve acesso a uma lista de sites e contas de redes sociais que estão na mira do Anonymous para danificar o EI. Entre os alvos, estão contas de Twitter, perfis de Facebook, sites de grupos islâmicos extremistas no Afeganistão e na Indonésia, e até mesmo perfis em redes sociais que pertencem a fabricantes da indumentária do EI.

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Uma das contas de Twitter na mira do Anonymous.

No documento, o grupo também inclui informações gerais sobre o rastro digital do EI.

"Em geral, o EIIS (Estado Islâmico do Iraque e da Síria) não possui sites, mas opera através de redes sociais e recrutas, disseminando sua mensagem no Twitter, Facebook e YouTube", indica o documento. "Também vendem produitos do EIIS a seus partidários. Isso não só financia a causa como espalha mais ainda a mensagem, publicamente, em qualquer país que alguém vestir uma camiseta."

Um dos sites coloridos que o Anonymous lista como alvo.

O documento mostra que a arma primária que o Anonymous está usando contra o EI são ataques DDoS (ataques de negação de serviço, que buscam deixar um sistema indisponível para seus usuários), um acessório da cartilha Anon para desativar alvos online temporariamente. O grupo também é famoso por hackear e desativar contas de Twitter que lhe desagradam.

Mas apenas uma olhada na lista de alvos do Anonymous deixa claro que os hackers vigilantes têm um grupo esparso de contas amontadas para ataques. No Twitter, onde o EI tem sido particularmente prolífico, havia apenas seis contas destacadas na lista do Anon para operações, na época de publicação da lista, enquanto uma abundância de outros combatentes online estão a só um clique de distância.

Esses psicopatas odeiam tudo que qualquer pessoa defende, já somos inimigos, já estão nos atacando

Jihadistas ocidentais, o tipo de personagem com quem criamos o hábito de nos comunicar em redes sociais, são os combatentes online mais prolíficos em casos de postagem e distribuição de imagens de decapitações e gatinhos com fuzis.

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O usuário @mujahid4life, combatente britânico do EI, foi o o primeiro a espalhar o vídeo infame de James Foley, à medida que o Twitter rechaçava qualquer jihadista que disseminasse essas imagens. Ainda assim, os documentos que a fonte nos mostrou não parecem estar mirando perfis de alta visibilidade.

Ao mesmo tempo, conforme reportamos, o Anonymous difamando e destruindo contas de Twitter ligadas ao EI pode significar muito pouco: os combatentes simplesmente criam novas contas e continuam vivos online.

Como um combatente canadense do EI nos contou – depois de ser banido do Twitter, provavelmente por postar fotos de "cabeças cortadas" – que as proibições do Twitter conquistaram pouca coisa (assim como os ataques do Anonymous).

"Não faz diferença. Fiz uma nova", disse o membro do EI.

Captura de tela de um pedaço da lista de alvos do Anonymous.

O documento também indica que os hackativistas vigilantes planejam ataques contra outro coletivo de hackers que o Anonymous aponta como afiliado aos jihadistas e ao EI, conhecido como The Lizard Squad (Esquadrão Lagarto). Esses hackers têm uma forte presença em redes sociais, que os colocou na lista de alvos do Anonymous, e são suspeitos de hackear o PlayStation recentemente.

O grupo cita o Twitter do Lizard Squad e sites como alvos possíveis, e avisa: "Tenham em mente que esses caras também sabem jogar sujo." Talvez o Anonymous não seja o único inimigo do Lizard Squad, visto que autoridades americanas atualmente estão caçando alguns membros, e capaz que o grupo esteja debandando.

Quanto ao que o EI pensa disso tudo, uma fonte online ligada ao EI nos contou que, em julho, ele viu o lote original de ameaças do Anonymous como uma única entidade: ataque do Ocidente.

Independente do EI, a essa altura, a ofensiva do Anonymous parece estar em fase de planeamento, com a lista de alvos dispersos e planos para desconfigurar e tirar sites do EI do ar. Não conquistaram muita coisa até agora, além da alegada desativação de uma das contas de Twitter ligadas ao EI e "sites destruídos", que não podem ser confirmados pela Motherboard.

Mesmo assim, não há como negar que os hackativistas são capazes de operações mais sofisticadas, caso seja possível confiar no histórico do grupo. Estamos à espera para ver o que acontece.

Tradução: Stephanie Fernandes