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Contando as Horas que Gastei na Internet

106.398 páginas visitadas em um ano. Daria para ler "Guerra e Paz" 38 vezes. Ou todos os livros da série "Harry Potter" 10 vezes.
4.5.15

Em World of Warcraft, um jogo que eu e muitos outros tivemos a infelicidade de jogar, se você digitasse "/played" na barra de comando, o sistema informava, com exatidão e sem julgamentos, há quanto tempo você estava logado no perfil do seu personagem. Para nossa sorte, não existe nenhum contador que cronometre o tempo que passamos na internet, apesar de eu sonhar com isso há um bom tempo.

Li cerca de 12 livros em 2014, um número que vem diminuindo desde minha infância, parte de um fenômeno que compartilho com a maioria das pessoas. Justifico para os outros que é por que passo muito tempo lendo na internet. Fui editora de um site de tecnologia durante grande parte de 2014, o que significa que meu trabalho se resumia a ficar sentada na frente de um computador escrevendo, lendo, pesquisando e conversando com entrevistados e colegas. Depois de tudo isso, eu relaxava lendo algo na internet. Sim, passo muito tempo aqui. Só não sabia exatamente quanto.

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De acordo com minha pesquisa — que envolveu percorrer o histórico de todas minhas ferramentas de busca que nunca apago — entrei em 106.398 sites no ano passado, divididos entre três navegadores, tanto no celular quanto no computador. Isso corresponde a 106.398 cliques e 106.398 abas fechadas. São cerca de 300 sites por dia, em média, ou um pouco menos de 20 páginas a cada hora do dia, ou uma nova página a cada três minutos.

Apenas 31.697 dessas páginas foram abertas no Safari, um número que inclui todas páginas abertas no meu celular (embora eu tenho utilizado o Safari como meu navegador principal por alguma semanas depois do lançamento do Yosemite, quando os outros navegadores ficaram lentos e começaram a gastar muita bateria). Isso significa que eu usei o celular para visitar entre 10 a 15% do número total de sites. O resto veio de uma torrente de cliques vindos de um mouse e de URLs digitadas com um teclado.

Se a regra das 10.000 horas fosse real e qualquer um pudesse se tornar um mestre da internet, eu seria uma exímia navegadora da rede, da mesma forma que sou uma exímia respiradora

Para fazer uma comparação, é bom lembrar que joguei World of Warcraft por 35 dias, ou 840 horas, ao longo de quatro anos. Joguei outro joguinho, o Don't Starve, de sobrevivência, por 120 horas no ano passado. Das 5.824 horas em que eu estive acordada em 2014, eu trabalhava por nove horas diárias, cinco dias por semana, durante 50 semanas, somando um total de 2.000 horas. Em muitas, mas não todas, eu estava conectada à internet.

Como tudo que tenho são históricos e números, chegar a uma estimativa da minha presença na internet requer um pouco de imaginação. Se digo que olhei para cada página por cinco segundos, eu só teria passado 147 horas na internet ao longo de um ano — até monges passam mais tempo online. Se aumentarmos esse tempo para um minuto por página, eu teria passado 1.773 horas, ou 73 dias, ou 10,5 semanas do meu ano navegando na internet. Essa estimativa pode até ser um pouco exagerada, mas se considerarmos o tempo que passo na internet durante minhas folgas, esse número deve estar bem perto da realidade.

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Vamos supor que muitas das páginas que abri continham textos, muitos deles com uma média de 200 palavras, o que corresponde a uma matéria curta por página. Isso corresponde a um livro de 233 páginas por dia. Eu poderia, em vez de ficar na internet, ter lido todos os livros da série Harry Potter 20 vezes no ano passado. Ou ter lido Guerra e Paz 38 vezes. Tudo bem, vamos diminuir para 100 palavras por página: eu teria lido todos os livros de Harry Potter 10 vezes.

Um CPM (custo por mil, conceito da área de propaganda) de US$15 é um número razoável para um site de qualidade, e vamos supor que eu tenha gastado grande parte do meu tempo em bons sites. Se cada um dos meus cliques valesse US$0,015, eu teria rendido cerca de US$1.591 para a internet só no ano passado ou um pouco menos de US$4 por dia. Como meu CPM médio está mais próximo da média da internet (US$3-5), isso significa que só lucrei US$530 em 2014 ou US$1,45 por dia.

Muitos desses sites podem ter sido acessados indiretamente (o Gmail, por exemplo, registra até cinco páginas toda vez que alguém acessa o gmail.com) ou por meio de pop-ups, mas entre os navegadores comuns e os navegadores de aplicativos — como o do Tweetbot, que uso para abrir infinitos links do Twitter — acho que esse número se equilibra.

Isso não inclui o tempo que passo em apps, horas e mais horas vomitando meus sentimentos, fofocas e asdfkljasldkf's em janelinhas de chat ou o tempo que gasto escrevendo emails.

Somando as 63 milhões de páginas que verei na vida (considerando que minha frequência permanecerá estável), não sei quanto tempo perderei. Quando falo perder, falo de realmente perder tempo lendo um artigo sobre como menus de restaurantes usam a psicologia para nos fazer gastar mais dinheiro ou gastar uma hora procurando, sem sucesso, um vídeo da primeira aparição da esquete Girl You Wish You Hadn't Started A Conversation With At A Party. Levando em conta que, se alguém me obrigasse a visitar apenas cem ou cinquenta cinquenta páginas por dia, eu ainda conseguiria fazer meu trabalho perfeitamente, existe muito tempo ocioso no meu dia-a-dia.

No final, eu não estou muito motivada a otimizar meu tempo; eu amo a internet. Amo a ponto de acordar e me perguntar por quanto tempo estive fora. Se a regra das 10.000 horas fosse real e qualquer um pudesse se tornar um mestre da internet, eu seria uma exímia navegadora da rede, da mesma forma que sou uma exímia comedora e uma exímia respiradora; eu nunca tive que me esforçar para dominar essas artes.

Tradução: Ananda Pieratti