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Como uma noite de balada com o deadmau5 mudou minha visão sobre DJs

O YouTuber e ex-membro do Epic Meal Time reflete sobre como o EDM matou o rockstar—e por que isso é bom.

Eu encontrei deadmau5 em uma balada em Ottawa, Canadá, durante os JUNO Awards de 2012. Eu estava o acompanhando como seu convidado, na esperança de uma noite maluca de festa depois dele encerrar a importante premiação televisionada. Só que bastaram 20 minutos dentro da balada para eu levar um cutucão no ombro e um "vamos sair daqui". Fomos para o quarto de hotel dele, onde nos encontramos com alguns de seus amigos. Nós passamos o resto da noite vendo vídeos de YouTube, brincando de "Ah, você já viu esse?" até as nove da manhã. deadmau5 pode ser um DJ e produtor famoso mundialmente, mas eu sempre o enxergarei como o cara que me apresentou o Average Homeboy.

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A noite terminou depois que eu discretamente mudei o papel de parede do computador dele para a foto de um senhor mais velho, e completamente nu, e saí pela porta. Eu me diverti muito aquela noite, mas parecia mais algo que eu faria com meus amigos da escola do que com um dos ícones mais conhecidos da música eletrônica. Aquela manhã eu pisei na luz matinal e me perguntei, quando uma noite com uma grande estrela musical virou vídeos de gatos e bromance? Nunca havia ficado tão claro para mim que a era dos rockstars havia acabado faz é tempo.

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Lembra o rockstar? Cabelo voando no vento, jeans perfeitamente rasgado dando volume pra bola de meia, coberto de tatuagens de cobras e grandes felinos. Um cigarro perfeitamente equilibrado no lábio inferior enquanto manda uma guitarra nervosa. Esses caras sabiam como curtir.

Então o que houve? Porque meus deuses do rock, com suas veias cheia de veneno e cabelos lotados de laquê, viraram uma coisa do passado? Simples: o nerd do computador os tiraram do trono, e a música eletrônica teve muito a ver com isso. Hoje é perfeitamente ok um produtor proclamar seu interminável amor por Diablo 3 no Twitter, mas se um cara está com um baita mullet com um par de calças jeans rasgadas enquanto dirige um conversível vermelho, eu suspeitaria que ele era um babaca, um predador sexual, ou ambos.

Não é segredo que DJs são uns baita de uns nerds. Eles amam apertar e girar botões; eles conhecem softwares de produção como a palma de suas mãos. Nada contra os produtores. O que eles criam é realmente impressionante, porque eles fazem isso com a mesma máquina que usamos para nos masturbar entre sessões de Netflix. Instrumentos são laptops. Amplificadores são softwares. Zac Efron não é mais o líder do time de basquete, ele é um DJ. Veja Skrillex, um dos maiores nomes: ele é o alvo perfeito de bullies dos anos 80. Mas ele é uma espécie de ícone cultural que é maneiro o bastante para fazer homens e mulheres de todas as idades rasparem metade de suas cabeças.

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Em particular, o EDM, mais do que qualquer outro gênero, vive na Internet. É lotado de tweets, posts, memes e artistas que até trolam seus públicos, só pela zoeira. Sério, é só ver o Instagram do Diplo; 85% é conteúdo esquisito da internet. EDM é tão parte da internet quanto gatos e gifs de pizza.

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Na minha experiência em interagir com personalidades populares da música eletrônica, eu descobri que eles são pessoas normais — que passam um tempo absurdo sozinhos em seus laptops. Eu conversei com Herobust sobre cuecas e com Skrillex sobre memes. Eles são nerds. Mas estamos em 2015, e isso é ok. Já que "nerd" também é um termo que foi apropriado pela sociedade mainstream.

Em algum lugar entre Kurt Cobain e Nyan Cat, o rockstar morreu — e por mim tudo bem. Música deve ser mais sobre música, e se isso significa ficar mais tempo no seu computador do que em bares sendo uma personalidade machona, ótimo, porque olhem o que aconteceu com Axl Rose.

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