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Música

Os Botswana acabam hoje

E o concerto de despedida é mais logo no Armazém do Chá.

Olá, eu sou o João Pimenta e neste últimos dois anos fui o vocalista e percussionista de Botswana, uma banda do Porto que acaba amanhã. A ideia de formar a banda foi minha e, ao fim e ao cabo, também a ideia de a acabar. As relações são sempre assim. Inicialmente formei a banda com o Igor e o Marco, dos Throes. Eu tinha acabado de me mudar de Barcelos para o Porto e estava a sentir falta de um projecto extra-ALTO!, em que pudéssemos seguir uma linha mais pós-punk dos 80s, tipo Wire/The Fall. Depois tive a ideia de convidar a Sofia, que é uma frontwoman brutal, mas que nunca tinha tocado baixo. A coisa foi evoluindo e começámos a dar os primeiros concertos (não correram espectacularmente bem). Um pouco depois entra o Chaves (Dreams) para a electrónica. Em Janeiro de 2011 editámos um EP pela OU! Records, uma editora que criei só para este lançamento. Vendemos muito pouco. Uma das compradoras foi a minha futura namorada, por acaso. Promovemos o EP com concertos em Lisboa, Leiria, Porto, Seixal, Évora e Aveiro. Em Junho de 2011 a Sofia saiu — não foi pacífico, mas também não vale a pena falar disso. Acabou por entrar o João Brandão (baixista dos seminais e desaparecidos Killing Frost) que nos gravou o Atilla Atlas. Nesse Outono o Chaves saiu e entrou o Cláudio Tavares (bateras de For the Glory) para a segunda guitarra. Com as entradas em cena dos novos discos de ALTO! E de Throes + The Shine, os Botswana acabaram por ser aquela banda para a qual já ninguém tinha tempo. Este anos tocámos pela primeira vez fora do país, em Bordéus. Não sei se temos fãs ou se os tivemos ou vamos ter, mas isto foi feito de nós para nós. Só nós sabíamos quando isto iria começar ou acabar. Até logo, à meia-noite, no Armazém do Chá. Ilustração por Wasted Rita