O homem que se dedica a okupar os domínios mais caros da internet

Nos útimos 21 anos, Gary Millin e os seus colegas, acumularam um autêntico tesouro do que parecem ser os nomes mais brutais de domínios de internet.

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20 fevereiro 2015, 9:53am

​Flickr/Steven Depolo

Se ainda não te deste conta, hoje em dia tudo gira à volta das grandes marcas, sejam marcas pessoais ou não. Um empreendedor visionário está convencido de que ter uma #marca potente significa ter um domínio igualmente potente.

Por isso, nos útimos 21 anos, Gary Millin e os seus colegas do World Accelerator acumularam um autêntico tesouro do que parecem ser os nomes mais brutais dos domínios de internet. Por exemplo, Millin possui, através de vendas ou trocas comerciais: world.com, usa.com, doctor.com, lawyer.com, comic.com, email.com, cyberservices.com entre outros 1.000 nomes de domínios que podiam ser teus.

Como era de esperar, Millin, que agora vive em Manhattan, começou nestas andanças da internet bastante cedo. Nos anos 90 era um gajo novo, um capitalista imprudente que fundou uma empresa chamada mail.com com a ajuda do banqueiro Gerald Gorman, enquanto frequentava a Harvard Business School.

"Coincidiu com a primeira etapa de grande crescimento da Internet. O nosso objectivo principal era proporcionar às pessoas um endereço de email para toda a vida", comenta Millin. "Cresceu rapidamente e alcançou os mil milhões de dólares na Nasdaq, no seu auge. Depois o mercado mudou, mas durante os dias mais obscuros o Gerald e eu comprávamos montes de nomes de domínios".

Depois de vender Kosher.com, London.com e England.com por uns bons milhões de dólares, Millin percebeu que era possível fazer muito dinheiro com o negócio dos nomes de domínios. Em 2007 começou a World Accelerator, e foi então que as coisas começaram a ficar um bocado estranhas. Já não podes comprar um nome ao Millin. Em vez disso, ele vai trabalha com a tua empresa (ou com a tua ideia de empresa) na criação de um produto, e depois aluga-te ou empresta-te um dos seus domínios em troca de uma parte da tua empresa, como sócio. Nalguns dos casos as empresas acabam por comprar o domínio na sua totalidade, mas só quando já estão estabelecidas como negócios de sucesso.

Uma pequena amostra dos domínios que Millin tem no seu poder.

Muitas vezes um bom dominio.com, por si só, já ´e uma marca espectacular, muito antes da empresa estar sequer construída. "Temos alguns recursos pouco explorados, e queremos que as pessoas os utilizem. É como ter um parque de estacionamento gigante na Madison Avenue que ninguém usa, mas que está ali. Quando tens uma boa equipa, e uma boa ideia, podes contar também com esta marca, que te ajuda a crescer".

Não sabem ao certo se algum dos seus clientes faz bom uso destes domínios. Doctor.com e Lawyer.com são empresas que ajudam a encontrar, literalmente: médicos e advogados (Doctor.com converteu-se também num portal de médicos). India.com é um portal de notícias do país. No entanto, estas são as histórias de sucesso. USA.com é um portal caótico e robotizado, World.com é usado pelo próprio Millin, e o resto é para publicidade.

Apesar de, aparentemente, poderes criar uma marca potente com qualquer combinação de palavras, existentes ou não (tipo Twitter, BuzzFeed, Flickr, Seamless...), os nomes de domínio genéricos têm um valor que, honestamente, roça o obsceno. Insurance.com vendeu-se por um recorde de 35,6 milhões de dólares em 2010, Private.Jet.com por 3,18 milhões de dólares em 2012, Sex.com por 13 milhões em Outubro de 2010, Korea.com por 5 milhões em Janeiro de 2000, e a lista continua com números que até dão dores de barriga.

Ainda assim, o valor do nome dos domínios parece continuar de vento em popa, embora ferramentas como o Google façam com que seja improvável que alguém abra o computador e escreva "doctor.com" na esperança de encontrar a cura para uma alergia qualquer. É claro que os motores de busca e o sistema de ranking do Google são super-importantes, mas parece que hoje em dia podes ter a tua própria marca sem gastar fortunas. Millin discorda.

"Pelo que vejo, o seu valor não diminuiu. Não é o domínio em si, é mais a potencialidade que tem de converter-se numa marca que fique bem num anúncio", explica Millin. "Começas logo por ter uma certa credibilidade, com os nomes que nós temos".

Então, por que raio fazem isto? Millin podia fazer magia e dar a volta ao email.com (que de momento é um deserto estéril de links de publicidade) e vendê-lo por uma quantidade obscena de dinheiro. A resposta é simples, pelo que entendi. Millin acredita no que faz e é provável que pense que estes domínios tenham mais valor como #futuras possíveis marcas do que simplesmente vendendo-as a uma empresa assim sem mais nem menos.

"Não somos 'domain brokers'. Não temos uma lista de preços. A questão é que, afinal de contas, estas marcas têm valor por si mesmas. Somos pacientes e preferimos participar em todo o processo de crescimento. Se podemos apostar numa empresa que acaba por ter êxito, isso é mais gratificante que dizer 'Ok, manda-me um cheque'".

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