Ser tatuador na Coreia do Sul é crime e pode levar à prisão

Na Coreia do Sul, os jovens tatuadores têm de enfrentar um dilema: mostrar a sua arte ao mundo, ou evitar a prisão.

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16 Março 2016, 10:17am

Este artigo foi originalmente publicado na VICE News.

Imagina que estás na Coreia do Sul e queres fazer uma tatuagem. Procuras na Internet e encontras um artista que te agrada. Para chegares a ele tens de falar primeiro com um intermediário que te vai fazer algumas perguntas algo alarmantes: como o encontraste, o que fazes, quanto tempo vais estar no país.

Se responderes de forma satisfatória, o intermediário passa-te a morada de um sótão. Se conseguires encontrar a porta, vais ver uma câmara a olhar para ti e podes ter a certeza de que não te deixam entrar sem antes se assegurarem que não és polícia. Bem-vindo ao país dos tatuadores ilegais.

Na Coreia do Sul, os jovens tatuadores têm de enfrentar um dilema: mostrar a sua arte ao mundo, ou evitar a prisão. Em 2001, o Tribunal Supremo coreano decretou que apenas os médicos - que representam um lobby muito poderoso neste país asiático - podem realizar tatuagens, passando estas a ser assumidas como um procedimento médico. Apesar disso, há poucos médicos que se dediquem a uma actividade que é considerada imoral a nível social.


Vê também: "Grace Neutral explora a cena ilegal das tatuagens na Coreia do Sul"


Antigamente, os únicos coreanos com a pele marcada eram os marginais, os objectores de consciência que não cumpriam o serviço militar obrigatório, ou mafiosos, como os gangsters da Gangpae, a Yakuza sul-coreana.

Agora, uma nova geração de coreanos, influenciados por fenómenos de massas como o K-Pop, os desportistas de sucesso, ou os programas de televisão, olham para as tatuagens como algo atractivo e completamente na moda. Mas a proibição segue em vigor. Os tatuadores trabalham, por isso, na clandestinidade. Um submundo que fervilha em locais secretos nos bairros de Seul, como Hongdae, meca da arte e das novas tendências neste país, e onde se podem encontrar cerca de 300 estúdios, num número muito pequeno de ruas.

Segundo fontes governamentais há 20 mil tatuadores clandestinos na Coreia do Sul. As consequências podem ir desde um aviso acompanhado de uma multa, até aos 20 anos de prisão por crime contra a saúde pública.

Todas as imagens são da autoria de Guillem Sartorio, para a VICE News. Segue-o no Twitter: @guillemsartorio

Entrada do sótão de uns tatuadores ilegais no bairro de Hongdae, em Seul

Um jovem universitário espera para fazer a sua primeira tatuagem

A tradição mistura-se com o moderno. Os clientes mais jovens pedem bastantes tatuagens de gatos e outros animais de estimação

Um tatuador trabalha num desenho tradicional. O cliente pediu-lhe para tatuar as costas completas numa só sessão

Uma tatuagem tradicional inspirada nos peixes koi. Estes elementos são usados frequentemente pelos bandos de mafiosos da Coreia do Sul ou do Japão

Desenho de Yi Sun-Sin, um comandante naval da dinastia Joseon, famoso por uma vitória épica contra os japoneses em 1597. Na Coreia do Sul é considerado um herói nacional

Uma rapariga faz a sua primeira tatuagem

Para poder fazer o seu trabalho os tatuadores devem comprar as ferramentas e as tintas através da internet

Pausa para comer. É habitual que os artistas comam nos mesmos sótãos onde trabalham

Dois tatuadores ilegais aceitam ser retratados, mas ocultam a sua identidade

Um tatuador prepara uns esboços

Um jovem universitário tatua uma máscara tradicional coreana

Dois tatuadores mostram as suas tatuagens de estilo tradicional

Rian, 28 anos, tatuador profissional, faz uma pausa. É durante as férias das universidades que têm mais trabalho

Apesar de trabalharem na ilegalidade, os tatuadores tentam manter as melhores condições higiénicas. A sua reputação é a sua única publicidade