"Estou na linha de frente do sofrimento das mudanças climáticas", me disse Assaad Razzouk na sede das Nações Unidas, em Nova York, sexta-feira passada.Razzouk, o perspicaz CEO da Sindicatum, desenvolvedora de energia sustentável sediada em Cingapura, tinha acabado de rechaçar a Wall Street por enfiar a cabeça na areia em vez de peitar o impacto dispendioso das mudanças climáticas.
"Não dá para salvar o planeta sem deixar os combustíveis fósseis no solo", disse @LeoDiCaprio na conferência do #AcordoDeParisFui lá conferir o debate em torno do tratado entre as Nações Unidas. O evento do acordo em si foi tão amontoado que nem me dei ao trabalho de assistir ao vivo; agora, estou chateado por ter perdido as observações de Leonardo DiCaprio. No entanto, fui convidado para um "almoço de alto nível", no qual vivenciei a experiência surreal de comer robalo a uma mesa de distância do ditador zimbabuano Robert Mugabe, que esboçou caretas horas antes, virado de costas, enquanto o prefeito de Nova York Bill de Blasio fazia piadas sobre reunir a elite do mundo. É o circo diplomático de sempre: apertos de mão, pronunciamentos grandiosos de figuras influentes para um auditório repleto de pessoas influentes, vinho em plena tarde.Embora a imagem mais marcante do evento seja o aglomerado de 175 líderes mundiais fazendo breves observações e assinando um papel, a conversa nos corredores das Nações Unidas e em conferências menores girou menos em torno do simbolismo do evento e mais no fator central do problema climático e de sua solução: dinheiro."Para os países da linha de frente das mudanças climáticas, parece que a COP 21 e a COP 22 são coisa de uma Wall Street de minissérie da HBO", disse Razzouk, dando a entender que as duas maiores conferências sobre mudanças climáticas não abalaram muito a comunidade de investidores. "Há uma tremenda lacuna de investimento entre os objetivos aspiracionais de um número recorde de países e os fundos de investimento aplicados na construção de infraestrutura para energia limpa ao redor do mundo.""Our planet cannot be saved unless we leave fossil fuels in the ground" said @LeoDiCaprio at #ParisAgreement signinghttps://t.co/50ERkZ4oZ4
— UN Climate Action (@UNFCCC) 22 de abril de 2016
Razzouk conversa com a imprensa. Créditos: Pacific Press/Getty
O presidente do Zimbábue Robert Mugabe (no centro) assiste ao discurso do prefeito de Nova York Bill de Blasio. Créditos: Derek Mead
"Estamos prestes a alçar uma grande riqueza climática, mas os proponentes dessa riqueza climática são, invariavelmente, pequenos e desfavorecidos."
.@algore: Os estragos já foram feitos, e haverá mais estragos pela frente. Mas ainda temos a oportunidade de evitar uma #mudançaclimática catastrófica 14h54 - 22 Abr 2016"Estamos prestes a alçar uma grande riqueza climática, mas os proponentes dessa riqueza climática são, invariavelmente, pequenos e desfavorecidos", disse Razzouk. "Quem é pequeno e desfavorecido precisa de inovações técnicas e um custo de capital que permita competitividade. Espero que esses tratados, isto é, o Acordo de Paris e o trabalho promovido pelo pacto global das Nações Unidas, cristalizem a ideia, especialmente para a Wall Street, de que, no fim do dia, os 150 trilhões de dólares em capital que precisam ser aplicados nos lugares certos ainda estão nos lugares errados."Largar o carbono significa mudanças homéricas na maneira como o mundo faz negócios, mas não significa, necessariamente, que as pessoas não poderão mais enriquecer às custas da economia de carbono. Tanto Razzouk quanto Anne Stausboll, CEO da CALPers, grande fundo de pensão californiano, que exerceu forte influência sobre o movimento de desinvestimento em carbono e aplicação em questões climáticas, disseram que o desenvolvimento de infraestruturas sustentáveis custará pelo menos um trilhão de dólares por ano nos próximos anos..@algore: Damage has been done, more damage will occur. But we have opportunity to avoid catastrophic #climatechange pic.twitter.com/3CMEcd5ZeZ
— UN Climate Action (@UNFCCC) 22 de abril de 2016
Laurent Fabius, ex-primeiro ministro da França e presidente da COP 21 de 2015, que serviu de inspiração para o nome do Acordo de Paris, fez muito sucesso com a imprensa francesa antes do presidente Hollande dar uma coletiva. Créditos: Derek Mead