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Greve dos caminhoneiros diminuiu pela metade a poluição de São Paulo

A cidade parou, e os pulmões voltaram a funcionar.
30.5.18
Crédito: Paulo Humberto/Wikimedia Commons

Carros não são legais. Você talvez até discorde, mas isso é um fato: carros não são legais. Nem a caroninha do final de balada muda o fato de que o modelo rodoviário e a porrada de automóveis que a gente têm nas cidades grandes estão fodendo com a gente e com o meio ambiente.

A paralisação dos caminhoneiros e o desabastecimento de combustível na cidade de São Paulo ajudou a provar, mais uma vez, o ponto de que talvez as pessoas devessem parar de usar automóveis pessoais. Não bota uma fé? Se liga, então: no último dia 28, o sétimo dia da greve dos caminhoneiros, o ar em São Paulo foi considerado de boa qualidade em todas as estações de medição da cidade.

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Segundo relatou o diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, Paulo Saldiva, em evento promovido pela FAPESP, houve uma redução de 50% da poluição na capital paulista. “Esse é um episódio raro e vamos estudar suas consequências na saúde pública”, disse. “Quem sabe essas evidências quantitativas sirvam de argumento para a criação de políticas públicas.”

O pesquisador relatou que, na semana anterior à greve, os maiores níveis de poluição foram registrados na segunda e na sexta-feira (14 e 18, respectivamente). Na primeira semana da paralisação, a poluição começou alta e piorou com a liberação do rodízio na quinta-feira, 24. “Quando a gasolina começa a rarear, há menos carros nas ruas e a frota de ônibus segue reduzida, os níveis de poluentes primários caem pela metade”, observou Saldiva.

Segundo ele relatou à Agência FAPESP, foram comparados índices de monóxido de carbono (CO), dióxido de nitrogênio (N2O) e partículas inaláveis na atmosfera — os três ligados à queima de combustíveis. Os níveis desses gases é normalmente mais alto de segunda à sexta e cai aos finais de semana.

O pesquisador também chama atenção para o fato de que a greve dos metroviários teve um efeito contrário em maio de 2017, quando a poluição atmosférica dobrou. “Quando o metrô entrou em greve, todo mundo saiu de carro. No dia, houve um excesso de 12 mortes. Então, o metrô funciona como um redutor da poluição”, falou Saldiva.

Resumindo, transporte coletivo agride menos a sua saúde e carros não são legais.

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