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Peter Bergmann, pego por uma câmera de segurança em frente ao Sligo City Hotel.

O homem que apagou seu passado antes de ser encontrado morto

Em junho de 2009, um homem que se chamava de Peter Bergmann foi encontrado morto numa praia irlandesa. Dez anos depois, a polícia, jornalistas e detetives da internet ainda estão tentando entender o que aconteceu.
18.10.19

Numa tarde de junho de 2009, um homem magro vestido de preto embarcou num ônibus para Sligo, uma pequena cidade costeira não muito longe da fronteira irlandesa. Três dias depois, um final de semana calmo passado principalmente sozinho, o homem morreu – a morte dele sendo o primeiro ato de um mistério que confunde e obceca a polícia, jornalistas, diretores de filmes e detetives da internet há mais de uma década.

O começo dessa história é o primeiro ponto conhecido da jornada do homem: Derry, no norte da Irlanda, onde ele embarcou num ônibus da meia-noite para Sligo.

Chegando lá às 6h28, quando o sol da manhã aquecia as águas de Sligo Bay, o homem pegou um táxi para o centro da cidade. Nos anos posteriores, alguns apontaram para isso como prova de que ele não estava familiarizado com Sligo: andar da estação até o centro da cidade leva apenas dez minutos. Dito isso, ele também tinha duas bagagens com ele, e seu cabelo grisalho e figura magra sugerem que talvez ele precisasse mesmo de ajuda para chegar lá.

O primeiro hotel onde o homem tentou se hospedar estava lotado – era uma noite de sexta no pico da temporada de verão – mas ele teve mais sorte no Sligo City Hotel na Quay Street, onde ele pagou adiantado por três noites. No registro, ele escreveu seu endereço como Ainstettersn 15, 4472, Viena, Áustria, o que combinava com seu sotaque alemão. Com a mesma caneta ele deu seu nome como Peter Bergmann. Em nenhum ponto pediram a ele uma identificação.

O dia seguinte passou sem muitos incidentes. Bergmann foi até o Correio às 10h49, onde comprou oito selos e alguns adesivos de correio aéreo. Ele rodou a cidade fazendo algumas tarefas e voltou ao hotel para comer e fumar um cigarro ocasional lá fora, se mantendo educado mas fechado.

No sábado, no começo da tarde, ele saiu do hotel e foi para o único ponto de táxi da cidade, pedindo para ser levado para uma praia calma onde ele pudesse nadar. O motorista levou seu passageiro de fala mansa para Rosses Point, uma península conhecida por sua vista dramática, a uns 15 minutos de carro do ponto. Chegando lá, Bergmann saiu do carro, observou a vasta expansão azul e pareceu satisfeito com a opção. Em vez de desembarcar como esperado, ele voltou imediatamente no táxi para Sligo, onde passou outra noite sozinho.

Logo após as 13h de segunda, 15 de junho, Peter Bergmann fez o check-out no hotel e depositou sua chave na recepção. Ele saiu com uma de suas bagagens originais – um saco plástico roxo “bag for life” – e o que parecia ser uma mala nova preta. Ele tomou uma rota sinuosa para a estação de ônibus; em certo ponto ele parou na porta de uma loja e esperou, parecendo um homem prestes a voltar atrás. Em vez disso, ele foi até a estação e, chegando lá, leu bilhetes em pedaços de papel que tirou do bolso, antes de rasgá-los e jogar num lixo próximo. O ônibus para Rosses Point partiu às 14h20.

Mais tarde, ficou estabelecido que mais de 16 pessoas viram Bergmann na praia naquela tarde. Ele não estava tentando se esconder. Todos lembravam de uma figura jovial, mesmo que vestida formalmente, cumprimentando os estranhos que passavam por seu caminho.

Na manhã seguinte, um pouco depois das 6h, um morador local e o filho estavam fazendo jogging na areia, entre restos de espuma do mar. Eles foram os primeiros a encontrar o corpo trazido pelo mar de um homem magro de meia idade, de cabelo grisalho curto. Peter Bergmann estava morto, mas o mistério cercando sua história estava só começando.

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Bergmann num café em Sligo.

Visitei Sligo pela primeira vez numa sexta em maio de 2019. Eu tinha vindo de avião de Dublin naquela manhã e pego o trem de três horas que cruza o país, passando por campo após campo, cidade após cidade, até chegar na estação de trem de Sligo, logo acima da estação de ônibus onde Peter Bergmann chegou anos atrás. Era um dia bonito, então fui para o centro da cidade a pé, passando por um grande mural de WB Yeats, o mais famoso defensor de Sligo.

Fui diretamente para o Sligo City Hotel. E esperava começar por ali, como Bergmann, mas não sabia dizer exatamente por quê. No último ano, passei muito tempo do trabalho cobrindo casos de pessoas desaparecidas no Reino Unido. Essas histórias às vezes nos dizem todo tipo de coisa sobre o jeito como vivemos hoje, sobre solidão e dor. Mas geralmente não dizem quase nada sobre os mistérios pessoais particulares da pessoa desaparecida.

O corpo de Peter Bergman foi levado para a autópsia. Ele foi encontrado nu, suas roupas espalhadas pela praia. Os bolsos estavam vazios. Sem dinheiro, carteira, nenhuma forma de identificação. Logo foi estabelecido que ele se afogou, mas não havia sinais de crime. Seus dentes estavam em boas condições, fora algumas obturações. Foi o corpo dele que chamou atenção. Ele estava destruído. Os exames revelaram câncer de próstata e tumores nos ossos. Ele tinha sofrido ataques cardíacos antes e tinha um rim faltando. O exame toxicológico não mostrou evidências de medicamentos em seu sistema, apesar da dor intensa que ele provavelmente estava sentindo.

Há muitos jeitos de lidar com os mortos. Alguns são bem simples: seus corpos são removidos, identificados e colocados para descansar com o mínimo de complicações. Esses não são mortos conhecidos, que deixam pessoas enlutadas. Mas alguns são mais difíceis, e exigem exploração para tirar um sentido deles.

Logo ficou aparente que havia algo estranho com Peter Bergmann. A falta total de identidade e pertences, o fato de que as etiquetas de suas roupas tinham sido cortadas toscamente com uma tesoura. As autoridades verificaram o endereço que ele deu e encontraram um terreno baldio na Áustria, e mais pesquisas não revelaram nenhum “Peter Bergmann” que combinasse com a descrição do homem. As cartas que ele colocou no correio em Sligo nunca puderam ser rastreadas.

Enquanto mais dias passavam, o mistério se transformou em algo que a polícia local não tinha encontrado antes. Pessoas desaparecidas são uma coisa; mas isso estava se tornando outra coisa, algo quase sobrenatural em sua intriga.

Os últimos dias de Peter Bergmann foram rastreados pelas câmeras de segurança de Sligo. A figura vacilante e escrupulosamente cuidadosa deixava o hotel todo dia armado com sua sacola plástica roxa, cheia, e voltava com ela vazia. As horas entre isso são um mistério. Parecia que ele estava depositando seus pertences em várias latas de lixo pela cidade, tomando cuidado para não ser pego pelas câmeras de vigilância. Assistir os trechos das filmagens disponíveis dá uma sensação estranha, como ver um fantasma se mover pelo mundo dos vivos. O homem que passou seus últimos dias como Peter Bergmann nunca foi identificado.

Numa tarde de sábado de setembro de 2019, me encontrei com o inspetor detetive Ray Mulderring na delegacia Sligo Garda. Ele é o terceiro detetive responsável pelo caso Bergmann. Em 2009 o responsável era John O'Reilly, que desde então foi promovido e mudou para outro distrito. Ray falava com precisão, e me corrigiu educadamente quando perguntei se ele era fascinado por Peter Bergmann. “Não ficamos fascinados pelos casos”, ele disse. “Eles chegam a nós e temos que lidar com eles.”

Ray acredita que Sligo não foi uma escolha aleatória de destino. “Parece haver um propósito pra isso”, ele disse. “Tudo que ele fez parecia ter um propósito, de cortar as etiquetas das roupas até todo o resto. A questão que você tem que perguntar é: por que Sligo? Se você quer um belo cenário para morrer; você tem muitas opções por toda a costa oeste da Irlanda, ou até da Escócia. Algo deve ter trazido ele até aqui, mesmo se nunca pudermos dizer o que foi.”

Apesar dos becos sem saída e começos falsos, Ray explicou como muitas horas já foram gastas para caçar respostas. Quase tudo que podia ser feito na alçada deles foi feito. Eles conduziram buscas e investigaram pistas, não importando quão improváveis fossem. Eles têm o DNA, roupas e restos mortais de Bergmann. Agora esse é um jogo de espera que pode continuar para sempre. “Comparo isso a um computador que entrou em 'modo soneca'”, ele disse. “Quando algo novo surgir, ou alguém crível aparecer, vamos mover o mouse e o computador volta a ação.”

Com os anos, todo tipo de teorias loucas surgiram, principalmente na internet. Enquanto escrevo isto, contei nove threads separadas no Reddit dedicadas ao mistério de Peter Bergmann. Alguns propõem que ele era um agente da inteligência, ou um mafioso fugindo de algum grupo de crime organizado. Outros dizem que ele estava tentando deixar um seguro de vida para entes queridos.

Uma pessoa até sugeriu que a coisa toda foi um golpe publicitário elaborado, pensado pelo cineasta irlandês Ciaran Cassidy – cujo documentário de 2013, The Last Days of Peter Bergmann, até recentemente era a única cobertura da mídia do caso – como um tipo de comentário de vanguarda sobre nossa fascinação macabra por crimes da vida real. Peguntei sobre isso para Ciaran diretamente pelo Twitter e ele respondeu minutos depois. “É real”, ele respondeu. “Bem-vindo ao buraco do coelho.”

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Bergmann fumando um cigarro.

Em setembro de 2019, conheci Treasa Nealon, autora de A Dream of Dying – uma peça que conta a história de Bergmann de trás pra frente, e que desencadeou minha fascinação com o caso três anos atrás.

Numa manhã logo cedo, nos encontramos no Riverside Hotel de Sligo, e – depois de muita conversa pelo Twitter – pude finalmente perguntar como ela cruzou com o caso. Apesar de ter crescido numa cidadezinha a alguns quilômetros de Sligo, Treasa nunca tinha ouvido falar de Bergmann antes de escrever a peça; ela cruzou com a história buscando “pessoa desaparecida não-identificada, costa oeste da Irlanda”, e não conseguiu mais parar de ler. A história parecia mexer com algo dentro dela, empatia e criatividade em medidas iguais.

“É muito intrusivo dizer que 'escrevi da perspectiva dele'. Você não pode colocar pensamentos na cabeça desse homem”, ela disse. “Mas criar uma história de origem para ele pintou um retrato pra mim, pelo menos. Espero que ele tenha tido uma boa infância e uma boa vida, acho que nunca vamos ter certeza. Tudo que eles nos deixou é muito triste. Saber que você viu a peça e isso desencadeou algo em você me deixa feliz, porque quero que ele seja identificado. Claro que as pessoas querem saber a resposta, mas ele não queria ser identificado. Talvez ele achou que ninguém se importaria, não sei.”

Conversamos sobre o que sabíamos do caso. As roupas cortadas e o quarto fantasmagórico do Sligo City Hotel. As filmagens granuladas das câmeras de segurança mostrando um homem condenado fazendo suas últimas andanças, o que elas envolviam só podemos imaginar. O documentário e a peça, além de todas as teorias e especulações na internet, transformaram um caminho de detalhes concretos numa tapeçaria intrincada de conspiração. Finalmente, há aqueles que ficaram para trás, seja quem for.

Se alguém é dado como desaparecido, estamos acostumados a ver a família e amigos apresentando preocupação. Cartazes caseiros são imprimidos, campanhas são organizadas e coordenadas. Vai ter alguém ali para ficar com o coração partido depois que os recursos da polícia e o interesse da mídia acabam.

Com Peter Bergman, não há entes queridos conhecidos, apenas pessoas profissionalmente preocupadas pressionando por respostas. Em vez de memórias e luto, temos as lembranças recolhidas de um conjunto de encontros por acaso. O taxista que lembra de seu passageiro cortês de fala mansa. As pessoas na praia, que não tinham como saber que estavam testemunhando os últimos momentos daquele estranho. Há quem ache que a investigação inicial foi abortada cedo demais. Que em algum lugar, alguém devia se lembrar ou ter a chave para sua verdadeira identidade. Mas apesar do interesse atual – iniciado por um podcast recente do Irish Times sobre o caso – Ray Mulderrig me disse que ninguém surgiu com algo realmente convincente.

“Temos um formato padrão que seguimos em qualquer caso de pessoa desaparecida”, ele explicou. “Às vezes as pessoas desaparecem por um curto período. Há pessoas que tiram a própria vida em circunstâncias em que o corpo nunca poderá ser recuperado. Tivemos uma pessoa desparecida daqui em 2008 que suspeitávamos que tinha sido assassinada. A identificamos oito anos depois com ajuda da polícia do País de Gales, através da tecnologia de impressões digitais. Peter é incomum. Não temos um registro de pessoa desaparecida. Ninguém nunca veio aqui dizer que podia ser seu pai, irmão, primo.”

Peter Bergmann, o homem que transformou a si mesmo num fantasma, desafia nossas expectativas de como um caso de pessoa desaparecida deveria ser. Há um espectro não-oficial que corre por um desaparecimento cotidiano até casos que se tornam um mito, ou supostamente representam algo maior do que a soma de seus fatos. Pessoas desaparecem o tempo todo, por todo tipo de razão. Claro, elas podem ter sido sequestradas ou sofrido algum mal. Elas podem estar perdidas para nós para sempre, escolhendo deixar sua vida para trás.

Em Sligo, todo caso não-resolvido é uma questão da mesma prioridade, e sempre há várias investigações em andamento, como Ray explicou: “Com um caso antigo como de Peter, é exatamente o mesmo que com outros. Há quatro ou cinco casos de longo prazo no momento, incluindo uma mulher de 2011, que estamos tratando como um inquérito de assassinato. Vamos até o local, procuramos, observados. E em alguns casos nunca encontramos a pessoa”.

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Bergmann dentro do Sligo City Hotel.

Toda hora de todo dia tem alguém sendo dado como desaparecido na Irlanda, numa taxa de cerca de 9 mil pessoas por ano. Segundo números compilados em 2015, o tempo médio para uma pessoa ser oficialmente listada como desaparecida pela gardaí é mais de dez anos, com o caso aberto mais antigo sendo de 1967.

Em 2015 foi relatado que ninguém pode realmente dizer quantos corpos não identificados foram enterrados não Irlanda, ou estão abrigados em necrotérios. A maioria dos casos de pessoas desaparecidas são resolvidos em horas, ou dias, assim como no Reino Unido e no mundo. O adolescente que fugiu de casa volta, o adulto vulnerável é localizado, as coisas voltam a ser como eram antes. Mas não há desculpa para negligenciar aqueles que continuam desaparecidos. Para cada Peter Bergmann que atrai a atenção das manchetas, tem um caso como aquele do crânio de um homem que foi tirado do mar em fevereiro de 2006. Estimativas o colocaram entre 25 e 45 anos quando morreu, provavelmente de descendência norte-africana. O crânio ficou no mar por menos de um ano. A Interpol foi contatada e fez o perfil de DNA, mas nada foi tirado disso e o caso continua cercado de silêncio.

A história de Peter Bergmann pega tudo isso e transforma em algo que parece novo e estranho. Sabemos que ele escolheu tudo isso, do pseudônimo até o local e hora de sua morte. Talvez a história dele seja uma manifestação extrema de retomar o controle. Ele tinha uma doença terminal e queria morrer, então ele morreu, com um tipo raro de raciocínio premeditado. Tinha uma sentença de morte no fundo de seus ossos e coração, mas o que restava de seu tempo foi dele e apenas dele.

Antes da minha segunda visita a Sligo, falei com Tosh Lavery, um ex-Garda que passou 30 anos na unidade Sub-Aqua, investigando alguns dos casos de assassinato e desaparecimento mais infames da Irlanda. Desde sua aposentadoria no começo da década, ele vem trabalhando com famílias de pessoas desaparecidas pelo país, para destacar seu sofrimento e atrair o interesse quando ele se esvai. Tosh é um grande defensor dos desaparecidos e tem suas próprias ideias sobre Peter Bergmann. Resolver o caso é uma questão moral, assim como todos os casos de pessoas desaparecidas são para Tosh. Ele me disse o quanto odeia a palavra “conclusão”, que aparece com tanta frequência em qualquer conversa envolvendo desaparecidos, incluindo Bergmann.

“Nem sei o que as pessoas querem dizer com isso”, ele me disse por telefone. “Mesmo se encontramos a pessoa e chegamos ao fundo de sua história, não significa que apenas isso é o que é preciso para compensar toda a ambiguidade com que as pessoas tiveram que viver.”

Quanto mais penso sobre o homem que se chamava de Peter Bergmann, mais começo a duvidar dos motivos por trás da minha própria busca. Ele tentou encobrir sua identidade de um jeito que nunca fosse descoberta. A atenção forense para as circunstâncias de sua morte falam de um homem que não queria ser lembrado, por qualquer razão que fosse.

Eu, ou qualquer pessoa, tem o direito de rejeitar essa declaração de intenção, em nome da curiosidade? E o que espero encontrar? Como Tosh, questionei o que conclusão pode significar para Peter Bergmann. Nosso desejo de saber supera o direito dele de ser esquecido? Há muitas respostas, cada uma com sua verdade parcial e insatisfatória. Mas Peter Bergmann não está sozinho; a história dele me fez pensar em outro caso do século 21 que atraiu atenção frenética dos detetives da internet e confundiu as autoridades.

Em setembro de 2001, um homem de 25 anos se hospedou num motel num vilarejo rural de Washington, usando o pseudônimo Lyle Stevik. Seu corpo foi encontrado vários dias depois, com o veredito imediato sendo suicídio. Ele deixou um bilhete e um pouco de dinheiro, mas passou por muita coisa para obscurecer sua identidade. Com o passar dos anos, as pistas esfriaram, e uma comunidade dedicada se juntou ao redor de sua memória, tentando montar o quebra-cabeça de uma história muito, muito triste.

Em 2018 houve uma revelação. Análise de DNA levou as autoridades até a família do homem, que tinha perdido contato com ele muitos anos antes de sua morte. Eles achavam que ele estava vivo, e que tinha simplesmente cortado laços com eles e feito sua vida muito distante de suas origens. A família apelou por privacidade e os detalhes nunca foram divulgados, a pedido dela.

Nas minhas últimas horas em Sligo, fiz o que disse a mim mesmo que tinha que fazer, enquanto chegava a Rosses Point. Era uma tarde volátil de sábado. O céu estava carregado, mas a chuva era leve. Fiquei ali por alguns minutos e senti meus pensamentos vagarem, encarando a brancura da água enquanto ela sangrava para o Oceano Atlântico. Acho que eu estava tentando imaginar como o homem que se chamava de Peter Bergmann se sentiu parado lá, cheio de resolução e Deus sabe mais o quê, todos esses anos atrás. Foi difícil ignorar o que parecia ser uma culpa de invasor, vigiando o lugar cuidadosamente escolhido como o local dos últimos momentos do homem não-identificado. Sem saber o que fazer, peguei um pouco de areia nas mãos e deixei ela escorrer entre meus dedos, enquanto o sol começavam a se infiltrar pelas nuvens grossas acima.

@ffranciscodgf

Matéria originalmente publicada na VICE EUA.

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