A China prendeu o cara que fez o vídeo viral de cadáveres do coronavírus em Wuhan

Fang Bin se recusou a sair de casa, então a polícia bloqueou todas as saídas e bombeiros derrubaram sua porta.
13.2.20
Coronavirus delator informante Fang Bin foi preso depois que seus vídeos de cadáveres empilhados nos hospitais de Wuhan se tornaram virais.
O cagueta do coronavírus Fang Bing foi preso depois que seus vídeos sobre corpos se acumulando nos hospitais de Wuhan viralizaram. (Fonte: YouTube.)

Autoridades chinesas teriam prendido um jornalista cidadão na segunda-feira, depois que vídeos que ele fez de cadáveres sendo empilhados num crematório viralizaram nas redes sociais.

Fang Bin, que postou vários vídeos mostrando o que estava acontecendo em Wuhan, foi preso pela polícia às 15h da segunda-feira, segundo a mídia local e vários relatos do incidente nas redes sociais.

Uma captura de tela postada na internet sugere que Fang estava tentando postar outro vídeo no momento em que foi preso.

Fang se recusou a obedecer as ordens da polícia para sair de seu apartamento, então as autoridades cercaram sua casa, bloqueando qualquer possível rota de fuga. Depois, bombeiros derrubaram sua porta.

Dias antes de ser preso, Fang postou um vídeo dizendo que a única razão para as autoridades não terem invadido sua casa ainda era porque seus vídeos atraíram muita atenção.

“Se eles não vierem atrás de mim, eles vão se voltar pra vocês”, ele alertou, acrescentando que policiais à paisana estavam monitorando todos os seus movimentos.

Tentando garantir sua segurança, Fang disse a seus seguidores que postaria um vídeo todas as manhãs para mostrar que estava seguro. Nenhum vídeo foi postado na segunda.

Fang chamou a atenção das autoridades no começo do mês, depois de postar um vídeo de oito corpos chegando em cinco minutos num hospital público de Wuhan. Subsequentemente, Fang foi detido pelas autoridades, que o avisaram para não espalhar rumores antes de o liberarem.

Mas Fang continuou postando vídeos na internet antes de sua prisão na segunda. Ele e um número crescente de pessoas estão sendo detidas e silenciadas por cobrir a situação em Wuhan, ou criticar a resposta de Pequim para a crise que já matou mais que a epidemia de SARS de 2003 e infectou mais de 40 mil pessoas.

Semana passada houve uma enxurrada de luto e raiva com a morte de Li Wenliang, o médico que tentou avisar o mundo sobre o coronavírus no final de dezembro, mas que também foi silenciado pela polícia de Wuhan e alertado para não falar publicamente de novo.

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Enquanto o coronavírus se espalha pela província de Hubei, cidadão que tipicamente não criticam o governo têm se pronunciado, e um grupo de jornalistas cidadãos começou a postar em plataformas como YouTube e Twitter, onde os censores chineses não podem intervir.

Um deles era Chen Quish, ex-advogado de direitos humanos, que ficou famoso por cobrir os protestos de Hong Kong ano passado.

A cobertura de Chen mostrou que taxistas em Wuhan sabiam sobre o surto já no meio de dezembro, e que as equipes médicas dos hospitais de Wuhan tinha contraído o coronavírus, apesar de o governo dizer o contrário.

Mas ninguém tem notícias de Chen desde quinta passada, quando ele deveria visitar um dos hospitais temporários montados em Wuhan. A mãe dele postou um vídeo no Twitter pedindo ajuda para localizar o filho.

“Sou a mãe de Chen Qiushi. Por favor, amigos online e especialmente pessoas em Wuhan, me ajudem a encontrar Chen Qiushi e descobrir o que aconteceu com ele”, ela dizia num vídeo postado na página do Twitter do filho, que está sendo gerenciada por um amigo.

No final de semana, Xu Zhangrun, um professor de direito da Universidade Tsinghua, que recentemente escreveu um artigo criticando como Pequim está lidando com a crise, também desapareceu.

Na segunda, um colega de Xu informou que o acadêmico tinha voltado pra casa, mas teve seu acesso ao WeChat bloqueado, e não deu mais detalhes do que aconteceu.

“O que está acontecendo em Hubei é só a ponta do icebergue, é a mesma coisa em todas as províncias”, Xu dizia no artigo.

Xu está sendo monitorado de perto pelas autoridades chinesas desde que publicou um artigo em 2018, criticando a decisão dos líderes do partido comunista de derrubar o limite de dois mandatos para presidentes.

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