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"É Teklife até a Próxima Vida", uma Entrevista com DJ Spinn

Um dos criadores do footwork de Chicago se apresenta no Brasil e falou sobre som, a Teklife e o legado de Rashad.

Footwork, a dança, é uma parada que surgiu nas batalhas de rua em Chicago, nos anos 1980. Mas desde a década de 90, o footwork também é reconhecido como uma permissiva variação da house music e de outras levadas sob o guarda-chuva da cultura hip-hop. Tem gente que prefere chamar de ghetto house, g-house, booty house e juke. Não importa. O importante mesmo é que esta tem sido a plataforma rítmica que serve de ponto de partida para algumas das coisas mais inovadoras da música eletrônica atual. Esse movimento todo, no entanto, não seria possível sem o esforço da banca da Teklife, que em seu período de ascensão teve à frente a dupla formada por Rashad e Spinn.

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Veja o documentário sobre o footwork de Chicago

Faz pouco mais de um ano que o Rashad morreu, mas apesar do baque, Spinn segue firme na missão de alastrar aquilo que iniciou ao lado de seu camarada. "Não se trata de superar o talento do nosso irmão, mas sim de dar continuidade à sua visão", diz ele em entrevista concedida ao THUMP. Pela primeira vez no Brasil, Spinn acaba de aterrissar para três apresentações. Nesta quarta (1º), ele toca em Brasília, no Clube 904, como atração da Perde a Linha, com o Marginal Men, Johnny Ice e Ruxell; dia 2, Spinn toca na Fosfobox, no Rio de Janeiro, na festa Wobble; e o ciclo se encerra dia 4, no Lions Club, em São Paulo, no lineup da SUBmission.

A apresentação do Spinn na Wobble, vale dar o toque, vai inaugurar a temporada de inverno do projeto que vem quebrando as barreiras entre o mainstream e o underground. A programação rola às quintas, no Rio de Janeiro, até o final de julho com o aniversário de dois anos da Beatwise Recordings (9), DJ Marky (16), Neguim Beats e os MCs BK e Jonas (23), e KL Jay e Ruxell (30).

THUMP: Bom, você é frequentemente apontado com um dos pioneiros do footwork. Qual a sua percepção sobre a evolução do estilo e sua influência sobre a nova geração?
DJ Spinn: O pessoal está começando a sair da caixa e a fazer uso de todo tipo de som e isso está realmente extrapolando as fronteiras da parada. Esse era o objetivo meu e do Rashad como produtores quando começados com isso. Queríamos apresentar ao mundo esse estilo de música eletrônica e mostrar tudo o que pode ser experimentado dentro dele. Eu aprecio o fato de que hoje o ritmo evoluiu de modo que as pessoas começaram a enxergá-lo simplesmente como uma boa dance music, e não uma vertente particular da música, de uma localidade particular, mas simplesmente um tipo daora de dance music que a galera curte ouvir para celebrar. Hoje em dia você pode ir a qualquer lugar do mundo e possivelmente ouvir elementos do footwork/juke na dance music. O negócio está se espalhando, então agora é a hora de levá-lo para um novo patamar.

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Quais são os álbuns essenciais da sua pasta de arquivos?
Bicho, essa é difícil! Eu tenho tantos favoritos. Mas vou te falar uma coisa, os álbuns mais essenciais de todos os tempos são esses projetos da Teklife… Neles você encontra o presente e o futuro, e é nisso que a minha mente está focada neste exato momento. É Teklife até a próxima vida.

O que você conhece e pira na música eletrônica brasileira atual?
Eu adoro as sonoridades que estão sendo usadas e a maneira como estão sendo usadas. Se tem uma coisa que eu curto fazer em minhas viagens pelo mundo é descobrir os diferentes sons que as pessoas estão usando em suas produções. É verdadeiramente inspirador, e mostra que as possibilidades da música eletrônica não reconhecem limites.

O que está pegando na cena musical de Chicago atualmente?
A cena de Chicago está botando pra foder! Especialmente as vertentes mais avançadas do hip-hop indie. A melhor coisa é a variação musical. Uma galera tipo Chance the Rapper, Mic Terror, Holt, Vic Mensa, etc… Daí você tem também um povo como King Louie, Chief Keef, Durk, etc. E tem muito mais! São diferentes facetas do espectro, mas todos fazendo música de qualidade à sua maneira e contribuindo para a vibrante expressão musical da cidade.

A Teklife é sobre a positividade e a boa música que estimula as pessoas a quererem dançar.

Talvez esta seja uma pergunta tétrica, mas, você acha que o impacto da morte do DJ Rashad foi um acontecimento insuperável, em termos criativos, para a Teklife?
Acho que não se trata de superar o talento do nosso irmão, mas sim de dar continuidade à sua visão. E a visão é fazer o mundo inteiro dançar aos sons da Teklife.

Como você colocaria em palavras o espírito e a proposta da Teklife para aqueles que não estão muito ligados na crew?
Vou aproveitar a deixa para citar toda a família Teklife – Rashad, Ashes57, Gantman, RP Boo, Traxman, Taso, Manny, Earl, The Era, Taye, Phil, TripleTrain, Tmo, Tre, Heavee, Boylan, PayPal, TCJ, Mel G, Jackie Daggar & Feloneezy… A Teklife é sobre a positividade e a boa música que estimula as pessoas a quererem dançar.

Beleza. Pra terminar, o que você está preparando para as apresentações no Brasil?
Esta será a minha primeira vez no Brasil, então, brasileiros, preparem-se para agitar como nunca antes em suas vidas!

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