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JSTJR Vem pro Brasil pra Celebrar os Seis Anos da Neu Club

O produtor de Boston é um dos picas do global bass e nesse sábado (22) faz o nosso quintal indie-tropical paulistano sarrar até cair.
Foto: Reprodução.

Talvez você saiba, talvez você tenha se esquecido ou, ainda, talvez você não soubesse que gostaria da saber, mas o fato é que você deveria. Neste sábado (22), a singela casa próxima ao parque da Água Branca em São Paulo conhecida como Neu Club, orquestrada por Dago Donato e Gui Barrela, completa seis maravilhosos e longos anos de história. Repleta de esfrega-esfrega, dancinhas até o chão, dança da cordinha, twerk de ponta cabeça e zuera das boas, essa história que escrevemos juntos será celebrada por participações especialíssimas, importadas em sua maioria da terra do fastfood, os EUA.

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Uma dessas maravilhosas atrações é o rei do zouk beat, JSTJR. Nascido em Boston, ele foi apadrinhado por três selos diferentes: Mad Decent, do Diplo; Fool's Gold, do A-Trak; e Enchufada, do Buraka Som Sistema. E o cara é tão ligado em global bass e tão interessado em interagir com gêneros diferentes que, mesmo sendo a primeira vez dele em nossas terras tropicais, ele já mandou ver nas tracks de funk e inclusive compôs um EP dedicado ao ritmo rasterinha - que eu e você tanto amamos dançar nas pistas da vida. Também rolou uma track para o duo de trap nacional Tropkillaz que é um estouro e você deveria escutar.

Aproveitando a vinda do cara, trocamos uns belos emails e eis o que (mais) descobri sobre ele aqui:

THUMP: Desculpa, mas eu preciso te perguntar isso: como eu pronuncio JSTJR? E o que significa?
JSTJR: Se pronuncia como a palavra em inglês "gesture". Eu tirei JSTJR das iniciais do meu nome: James S. T. Jr. É uma brincadeira legal com meu nome, mas eu entendo que é dificil de identificar em alguns momentos, especialmente pra galera que não fala inglês! haha

Quando você decidiu se tornar um produtor? Você poderia me contar um pouco sobre seu caminho na música? No geral, quero dizer, não especificamente no gênero eletrônico.
Eu sempre fui interessado por música. Comecei a tocar bateria e piano quando eu era muito pequeno e continuei a tocar em bandas, etc. Eu também sou muito interessado por tecnologia, então quando eu tinha uns 12 anos mais ou menos, consegui uma copia do FL Studio e fiquei brincando com ele ainda bem jovem (eu ainda uso esse software para produzir). Eu fiz batidas de hip hop durante alguns anos, mas por volta dos 20 anos comecei a fazer house music e moombahton, o que me levou a me tornar o JSTJR. Eu também sou bacharel em música clássica. Pratiquei percussão e tecnologia da música na escola.

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Você normalmente trabalha com trap, moombahton, ragga e é conhecido como um mestre da zouk beat. O que te motivou a trabalhar com funk carioca?
Eu gosto de trabalhar com gêneros que me desafiam e que serão novos e interessantes para os meus seguidores. Como um percusionista, ritmo sempre foi uma coisa que cativou minha atenção e o funk certamente tem um ritmo único. Quando eu comecei a ouvir artistas como o Omulu experimentando com ritmos do funk com um tempo mais lento, eu decidi que seria divertido incorporar esses sons no meu trabalho.

E como foi o processo de criar um EP dedicado a rasterinha? Por que trazer uma música tradicional como "Cerol na Mão", do Bonde do Tigrão, para o novo ritmo?
Como eu disse, eu me interesso muito em trazer sons diferentes para a minha música. O processo foi muito dificil no início. Eu conversei com vários brasileiros e recebi ajuda para aprender sobre a história assim como a técnica que esses novos artistas estavam usando. O "Gesto EP" foi apenas o resultado de eu mergulhando no estilo o máximo possível e trazendo a minha própria versão disso. Eu continuei usando alguns elementos no meu trabalho mais mainstream (como na track "Party" e no meu remix do Tropkillaz). Eu estou cansado de ouvir sempre a mesma coisa, especialmente no EDM americano. Eu quero sempre ser um músico que está explorando o mundo e a procura de sons interessantes. Se você não está constantemente aprendendo novas sons, você vai soar sempre do mesmo jeito.

É a sua primeira vez no Brasil? Você está empolgado?
Sim, é minha primeira vez. Na verdade, é minha segunda visita fora dos EUA e Canadá. Eu já estive no Peru com o Dengue Dengue Dengue ano passado, onde conheci Dago. É tão empolgante! Eu amo explorar não só a música, mas a cultura. Mal posso esperar pra trazer minhas experiências únicas para o público brasileiro e, quem sabe, aprender algumas coisas eu mesmo!

Você conhece muitos produtores e DJs brasileiros? Quais são seus favoritos?
Faz um tempo que eu sou amigo do Omulu e do VÍNI e de alguns outros e eu realmente amo o que eles fazem. Eu gosto do trabalho do DJ R7 e falei com ele antes (com a ajuda do Google Tradutor haha). Eu sigo alguns MCs e DJs brasileiros no Soundcloud e escuto funk quase todos os dias.

Eu ouvi falar que você gostaria de fazer algumas colaborações com o MC Bin Laden (e já estou trabalhando nessa ponte). É real? Por que você gosta dele e o que você tem em mente para essa parceria?
Sim! Eu adoraria trabalhar com ele, com MC Pikachu e seu grupo! Como eu disse, eu escuto muito baile funk e achei o trabalho do MC Bin Laden muito diferente em um gênero em que a maioria das músicas soam similares. Como eu não falo português, só dou atenção para a voz, o ritmo, etc, e eu achei o trabalho deles bastante original. Até alguns amigos meus estão escutando agora haha!