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Gamariel Mboya: Meu nome é Gamariel Mboya. Sou uma pessoa com albinismo dos planaltos do sul da Tanzânia, uma região chamada Mbeya. Tenho 29 anos e sou casado. Tenho uma filha e trabalho para a organização Under the Same Sun.Como foi crescer na Tanzânia?
Não foi fácil. As pessoas com albinismo não recebem apoio o suficiente da sociedade, e como resultado disso aprendi a não confiar em ninguém. Não somos tratados como seres humanos.
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A palavra tem sido usada com implicações e inferências negativas de várias maneiras. Quando eu era criança, mesmo quando as pessoas sabiam o meu nome, elas ainda escolhiam se referir a mim como “o albino”. O termo é desumanizador. Mas muitas pessoas com albinismo referem-se a si mesmas como albinos. Hoje tentamos encorajar as pessoas a separar nossa condição genética de quem somos como pessoas.Como as pessoas costumam atacar os alvos que têm albinismo?
Eles normalmente atraem as crianças com presentes e doces, fingindo que são amigos delas. Eles caçam as crianças das maneiras mais enganosas possíveis. Às vezes eles se escondem nos arbustos, esperando para atacar.No caso das mulheres, os homens tentam seduzi-las. Eles as chamam para sair e começam relacionamentos para ganhar sua confiança. Já vimos casos onde homens casaram com mulheres com albinismo só para atacá-las. Recentemente, em uma das serras do sul, uma mulher foi atacada por seu marido e um grupo de outros homens. Quando tudo mais falha, os atacantes usam até armas de fogo.
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As partes dos corpos frequentemente são encontradas na casa de feiticeiros. Às vezes elas são enterradas como parte do ritual de sacrifício, mas na maioria das vezes são usadas em amuletos — os ossos são triturados e colocados dentro dos amuletos.

Em primeiro lugar, a natureza do sistema legal do país impede que a justiça seja alcançada rapidamente. De mais de cem ataques e assassinatos informados, só cinco dos acusados foram condenados — dois dos casos resultaram em absolvições. Em segundo lugar, não há uma verdadeira vontade política de acabar com essas atrocidades, e apoiar pessoas com deficiência não está no topo da agenda do governo.Mas em alguns casos a polícia tenta ajudar. Eles podem ser muito eficientes, investigando os ataques e prendendo os suspeitos. No entanto, os relatórios também mostram que alguns policiais defendem os criminosos e destroem evidências.Muitos acreditam que atacar pessoas com albinismo — que supostamente têm poderes sobrenaturais — é uma maneira fácil de ficar rico e acumular poder político. Então muitos dos tanzanianos envolvidos nesses assassinatos de muti são políticos e pessoas muito ricas.Vemos muitos casos de ataques e sequestros nas notícias. Há algum caso especialmente horrível que se destacou para você?
São muitos para falar, mas a história de Adam Robert é uma de que sempre me lembro. Ele teve seus dedos cortados e sofreu ferimentos terríveis no braço quando foi atacado na porta de casa, enquanto seu pai e sua madrasta estavam lá dentro.
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Sempre sou discriminado. Tive que lidar com muitas ofensas e bullying na escola. Minha vida toda fui excluído da sociedade por causa de quem sou. Muitas pessoas com albinismo não conseguem arrumar emprego, eles são sempre rejeitados por causa de sua condição.Como você lida com isso?
O silêncio é uma das minhas grandes armas, mas também tento ser esperto e me aproximar de pessoas que me discriminam para educá-las sobre essa condição genética. Também recebo muito apoio da minha família, especialmente da minha esposa. Organizações como a “Under the Same Sun” também são ótimas.
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Pessoas com albinismo encaram grandes desafios por toda a África. Talvez você não ouça falar sobre o que está acontecendo em outros países porque a imprensa nacional deles não tem tanta liberdade quanto a nossa.Como a comunidade albina responde?
Temos alguns centros onde crianças com albinismo são mantidas de tempos em tempos, mas no momento não temos apoio suficiente disponível. No geral não existem planos ou estratégias para proteger as pessoas com albinismo.O que você acha que pode ser feito para melhorar as condições de vida das pessoas com albinismo?
As pessoas têm que reconhecer os problemas que temos, criar programas e liberar fundos voltados para os desafios que encaramos. Também temos que encorajar as pessoas a pensar positivamente no albinismo, deixando de lado todos os mitos e mentiras que causam tantos problemas. Se fizermos isso, finalmente poderemos ter uma mudança.Boa sorte, Gamariel.Saiba mais sobre o Gamariel no site underthesamesun.comSiga o Leke no Twitter: @QuadriSanusiMais histórias sobre pessoas predando pessoas:Guia VICE Para a LibériaIssei Sagawa