Uma história oral da ejaculação
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Uma história oral da ejaculação

Abordamos dezenas de acadêmicos, críticos e especialistas dentro e fora da indústria do entretenimento adulto para entender a ascensão, alastramento e do futuro da cumshot.
22.12.16

A ejaculação masculina é inescapável no pornô moderno. Também conhecida como cumshot ou money shot, gozar visivelmente em alguém se tornou uma pontuação básica do pornô, significando o final de uma cena erótica.

Hoje em dia, os fãs lotam os tubes pornôs com um fluxo interminável de "cumpilações" de jorradas. Mesmo quem não assiste pornô sabe vagamente o que é uma cumshot através de seus retratos ocasionais e escandalosos na cultura pop ou por uma osmose sexual mais ampla. Especialmente para quem é mais novo, a importância do gozo visual é tão forte que já se infiltrou na vida sexual, mesmo que algumas décadas atrás a jorrada visível não existisse nem como ato sexual discreto.

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Comentaristas de todos os ramos passaram anos especulando o que a ascensão da cumshot e seu reinado significam: se é um sinal da dominância do patriarcado, um jeito de desencadear reações emocionais no pornô, uma construção social de passagem, ou algo essencial da sexualidade humana. Mas, enquanto os estudiosos do pornô acreditam que as cumshots emergiram no começo dos anos 70, muito menos energia é devotada para descobrir como e por que elas apareceram.

A socióloga antipornô Gail Dines, que estudou os tropos pornôs, disse que essa história é quase impossível de rastrear porque "quando você fala com os pornógrafos, eles mesmos não sabem" a origem disso. Ainda assim, decidimos tentar: nos últimos meses, abordamos dezenas de acadêmicos, críticos e especialistas dentro e fora da indústria do entretenimento adulto. Eles compartilharam suas ideias fragmentadas sobre as raízes sociais e da indústria do tropo. Abaixo, costuramos algumas dessas entrevistas, editadas para dar maior clareza, numa história oral da ascensão, alastramento e do futuro da cumshot.

1900 – 1972: Antes da cumshot

Os primeiros filmes pornôs coincidiram com o nascimento do cinema nos anos 1890. Enquanto os filmes mainstream decolaram de cara, as leis de obscenidade e estigmas sociais limitavam a produção e distribuição do pornô. Até o meio do século 20, a maioria dos pornôs eram "filmes stag" – clipes curtos de alguns atos eróticos produzidos no submundo e exibidos em reuniões ilegais. Furtivos e apressados, eles não continham os tropos visuais do pornô moderno – incluindo a noção de que uma cena deveria ser concluída com uma tomada da porra de um homem.

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Lisa-Jean Marie, socióloga da State University of New York in Purchase e autora do livro de 2007 Sperm Counts: Overcome by Man's Most Precious Fluid: [No começo do século 20] comerciais de champanhe tinham cenas como uma garota curvilínea abrindo uma garrafa enquanto outra garota ao lado dela ria. É explosivo. É quase uma réplica da cumshot. Suspeito que haviam outras representações das erupções através das quais essa noção de ejacular existia na cultura antes que as cumshots emergissem.

Linda Williams, professora de estudos cinematográficos da Universidade da Califórnia-Berkley e autora do livro de 1989 Hard Core: Quando eu estava estudando um estágio primordial da pornografia hardcore, a cumshot não parecia ser convencional. Ocasionalmente, em filmes stag, você tinha a ejaculação quase inadvertidamente, algo escorrendo. Mas raramente via a cumshot ser oferecida como clímax.

Darren Kerr, professor de estudos de mídia da Southampton Solent University e codiretor do filme de 2010 Hard to Swallow: Hardcore Pornography on Screen: No começo dos anos 70, os pornógrafos estavam tentando encontrar uma linguagem para o sexo na tela. O seminal Atr á s da Porta Verde saiu em 1972. Tinha uma cena estendida de ejaculação; eles fizeram uma sobreposição de imagens, indo e vindo com imagens de ejaculação e imagens espelhadas do rosto da mulher. É uma abordagem muito psicodélica. Mas como muitos filmes dessa era, isso não era o ponto de conclusão como agora. O filme culminava numa cena de sexo hardcore onde o espectador tinha a cumshot negada.

1972: Cumshots entram em cena

O pornográfico Blue Film de Andy Warhol em 1969 levou os filmes pornô para a consciência da América mainstream. As quase duas décadas da " Era de Ouro " do pornô que se seguiram encorajaram cenas e narrativas ambiciosas. Sem dúvida, o filme mais famoso e de maior sucesso da era é Garganta Profunda de 1972, que se centra numa mulher cujo clitóris ficava no fundo da garganta, o que a encorajava a se envolver em várias felações (o que não era tão normalizado quanto hoje ). O filme acaba com um homem ejaculando depois do sexo oral. É uma tomada gravada toscamente, acompanhada de visuais de fogos de artifício e sinos tocando. Mas foi o primeiro grande exemplo de uma cumshot intencional significando o final de uma cena.

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Linda Williams: Desde Garganta Profunda, [as cumshots se tornaram padrão da conclusão dos filmes]. O filme foi um sucesso tão grande e lucrativo que se tornou de praxe imitá-lo.

William Margold, ator pornô de sucesso de sua entrada na indústria pornô em 1972 em diante: Fiz minha primeira cumshot em 1º de outubro de 1972. Eu estava deitado num tapete numa garagem em Venice, Califórnia, sendo chupado para um filme chamado Love Sandwich, e lembro de gozar na cara da garota – copiosamente. [Ideias como a cumshot se espalhavam rapidamente] nos anos 70, porque havia só uns cinco grandes atores pornôs no sul da Califórnia. [E] por que você não teria uma cumshot no final de toda a cena, não importa qual? Porque isso mostra que o homem está satisfeito. A maioria do pornô é feito para homens – para uma catarse masturbatória.

Odette Delacroix, atriz, produtora e estudiosa da indústria que analisa seu próprio conteúdo para descobrir tendências: Naquela época, todo mundo usava camisinha nas cenas porque não tinha um jeito de fazer um teste de DST com resultado em 24 horas, como hoje. Ninguém queria ver uma camisinha cheia de porra. Então com as cumshots, eles podiam mostrar o gozo de um cara e ver que a camisinha tinha sido tirada – que isso era uma cena sexual de verdade. Muita gente naquela época era tão nervosa sobre fazer pornô que fazia sexo falso… Além disso, geralmente essa é uma das poucas tomadas dos filmes com apenas a garota e só um pouco de pau, versus aqueles ângulos horríveis onde você basicamente vê a bunda do cara. Acho que essa também é uma boa dica para os homens terminarem a masturbação.

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Charlie Glickman, educador e sexólogo que está no ramo há mais de vinte anos: Cumshots se tornaram um sinal de que a cena tinha terminado. Ejaculação interna é quase invisível (a menos que seja uma creampie). Para muita gente, ejaculação marca que o sexo acabou. Podemos ter uma longa conversa sobre quão limitada e limitadora é essa ideia.

Shine-Louise Houston, diretora e produtora da Pink and White Productions, um estúdio pornô queer: Vendo só cenas de sexo positivo e feministas dos anos 80, da produtora pornô Candida Royalle ou da diretora e produtora Veronica Hart, a narrativa dos filmes é muito diferente. O sexo vem da perspectiva de uma mulher. Mas elas estavam trabalhando com produtores que diziam "Você precisa vender isso". Então mesmo nesses filmes, no final, o cara tira o pau e você tem uma gozada.

Anos 80 e 90: Onde gozar?

Garganta Profunda entrincheirou as cumshots na indústria, mas não estabeleceu onde a porra deveria ir. Experimentações com a localização das cumshots continuaram pelos anos 80.

Dra. Carol Queen, sexóloga da empresa de brinquedos eróticos Goof Vibrations e diretora fundadora do Center for Sex and Culture: As cumshots abriram uma porta: "Onde a ejaculação deve ir?". Isso foi se tornando mais estilizado e às vezes fetichizado nos anos 80: colar de pérolas, "goze nos meus peitos!". Meu porn fail favorito é o de uma atriz que goza alto quando a ejaculação atinge a bunda dela – isso raramente acontece na vida real.

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William Margold: Em 1979, no filme High School Report Card, engoli minha própria porra da boca de uma mulher. Os homens no set disseram que foi a coisa mais nojenta que eles já viram. E eu disse "Espera aí, vocês não beijam a mulher depois que ela chupa seu pau?". Eles disseram "Meu Deus, claro que não". A mulher que estava dirigindo o filme disse: "Essa foi a coisa mais romântica que eu já vi". Mas mesmo quando menciono isso hoje, os homens ficam enojados. Em Future Sodom de 1988, trabalhei com Lauryl Canyon. Eu gozei na bunda dela e depois lambi. Lembro que Peter North, o rei moderno da gozada, me disse "Meu Deus!". E eu disse "Espera aí, garoto, você só pode estar de brincadeira".

John Stagliano, conhecido como Buttman, ator e produtor que fundou o estúdio pornô Evil Angel: A maioria dos pornógrafos são guiados pelo que gostamos e sugestões dos fãs. Por exemplo, ouvi falar sobre gozar em calças jeans no final dos anos 90, então achei que era um fetiche. Isso me fez pensar: O que eu acho atraente nisso? Minha mente se abriu para isso.

Tudo é controlado por cliques e vendas de DVDs. Se alguém acha um mercado negligenciado, como o bukake, e isso vende, outros vão fazer igual. É simples assim.

Anos 90 – Presente: cumshot no trono

Apesar das experimentações dos anos 80 em diante, a maioria das variantes de cumshot nunca alcançaram unanimidade. Mas um estilo de cumshot conseguiu se destacar: a facial, onde o homem goza na cara da parceira. Hoje, a facial é quase uma conclusão obrigatória do pornô mainstream.

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Darren Kerr: Com bukkake e coisas similares, muito disso está ligado ao espetáculo – tentar mostrar para as pessoas o que elas nunca viram. Por isso acho que essas coisas nunca vão sair de seu nicho. Bukkake não é algo que as pessoas vão necessariamente ter prazer em assistir e se masturbar vendo, mas algo que é visto como espetáculo [pelo espetáculo].

William Margold: [Quando gozei na cara de uma garota na minha primeira cumshot], aconteceu organicamente… Foi algo óbvio: Onde mais gozar do que no rosto da garota? Continuando minha carreira, sempre me esforcei para ejacular no rosto da pessoa com quem eu trabalhava.

John Stagliano: Quando faz uma cumshot, você tem que gozar na parte mais bonita do corpo da mulher. Se a garota tem um rosto bonito, gozar no rosto enfatiza isso. O rosto é coisa mais comunicativa que temos. É a coisa mais interessante de se olhar no corpo de uma mulher – a menos que ela não tenha um rosto bonito.

Riley Reid, uma das atrizes mais requisitadas do pornô mainstream atual: Eu não estava familiarizada com cumshots ou facial antes de entrar para o pornô. Eu só tinha assistido pornô lésbico ou hentai, em que geralmente tem creampie. Quando comecei a filmar, me perguntaram se tudo bem gozar no meu rosto. Nunca me perguntaram isso antes, mas eu não tinha nada contra. Um, não dá pra engravidar assim, o que é ótimo. Dois, posso ver quanto a pessoa goza, o que me excita. Três, é divertido e era diferente do que fazia na minha vida pessoal. Adorei, e comecei a pedir que as pessoas da minha vida pessoal gozassem no meu rosto. Às vezes deixo a porra na minha cara e vou fazer alguma coisa.

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Charlie Glickman: Provavelmente no meio dos anos 90… Comecei a ouvir mulheres dizendo que o namorado tinha pedido para gozar na cara delas, e as mulheres não sabiam como responder… Muitos caras tentam copiar o que veem no pornô, especialmente se não tiveram acesso à educação sexual. E isso pode causar problemas se a outra pessoa não quer fazer. Para algumas pessoas, isso é quase esperado. Isso é especialmente verdade com os mais jovens.

John Stagliano: Houve uma grande mudança no mercado depois de Sasha Grey, por volta de 2006. Garotas novas começaram a entrar no negócio depois de assistirem pornô na internet. Antes disso, poucas garotas sabiam como era o pornô. Hoje, quase toda garota com quem falo faz cumshot. [Essas garotas conheciam e já esperavam fazer facials; algumas até faziam isso na vida pessoal.]

Riley Reid: Já ouvi pessoas de fora do pornô dizerem que faciais são degradantes e coisas do tipo, mas discordo. Depende da pessoa, eu não vejo diferença entre isso e montar na cara do seu namorado ou namorada até o ponto do orgasmo. Então por que um cara não pode receber um boquete ou uma punheta de mim e gozar na minha cara? É sexy e pode até ser gostoso se o cara tiver uma dieta saudável.

Hoje: Se esquivando da cumshot

Apesar de sua onipresença, as cumshots têm seus detratores. Alguns produtores as acham inconvenientes e tediosas. Alguns artistas acham desconfortável. Alguns críticos acham que elas podem estar alterando nossas expectativas do sexo real. Seja lá por qual razão, hoje há uma resposta negativa considerável a essa norma de décadas.

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Riley Reid: Se a porra entra no seu olho, ele arde, fica vermelho e você precisa usar colírio. É principalmente chato porque uso lentes de contato, então eu as jogo fora se a porra entra no meu olho. Com certeza gasto bem mais lentes de contato que uma pessoa comum, acho – a não ser que você também seja uma safada que adora faciais e também usa lentes.

Odette Delacroix: Vejo muito gozo desviado também, onde a porra vai parar no cabelo da garota, e você não consegue nem ver a cara dela. [Um jeito péssimo de terminar uma cena.] Mas muitos produtores continuam seguindo essa linha. O que é triste porque agora, mais que nunca, as pessoas precisam ser criativas.

Riley Reid: Muitos caras gostam de gozar dentro, então se eu fosse uma atriz de creampie, o cara poderia me comer, gozar dentro e cortar a cena. Mas como só faço cumshots, temos que mudar o ângulo da câmera. Então o ator e eu transamos até ele quase gozar, aí ele tira e eu corro para ficar de joelhos e não perder nenhuma gota, ou a gente transa até um orgasmo falso, a câmera corta e filmamos uma nova tomada com o substituto do ator. Quando esse é o caso, preciso fazer o melhor boquete do mundo para fazer o cara gozar. Depois de conhecer meu buraco, minha boca e minhas mãos só podem alcançar um certo resultado. Mas nunca fracassei, e sempre consegui fazer o cara gozar. Mas às vezes leva mais tempo.

Odette Delacroix: Vão haver mudanças enquanto as produções ficam mais caras por hora de filmagem e fazem menos dinheiro por hora de produção. Eles não vão poder bancar o Cara Novo, que leva 30 minutos para gozar. Antes eles podiam esperar porque todo mundo estava ganhando muito dinheiro.

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Angie Rowntree, cofundadora do site de pornô centrado em mulheres sssh.com, que coleta dados de preferência dos usuários: A percepção feminina da onipresença da cumshot é meio que um suspiro coletivo. Ficamos pensando: Por que os homens gostam tanto desse elemento do pornô? É uma coisa de dominância? De degradação? Eles se sentem mais viris vendo esperma voar para todo lado?

Não quero colocar regras em como outras mulheres devem fazer pornô, mas acho que essa é uma área onde seria um erro não fugir um pouco da norma. Mais do que qualquer outro aspecto do pornô típico focado no homem, a cumshot é algo que nossas fãs e membros do site dizem que gostariam de ver abordado de maneira diferente.

Will Ryder, produtor que está na indústria (por trás de paródias de grandes filmes) desde 1980: Geralmente fico entediado com a cumshot padrão no rosto. Mas as pessoas estão condicionadas a achar que a porra tem que ser no rosto. Então é pra lá que vai a porra.

Lisa-Jean Marie: Algumas mulheres gostam de sêmen. Mas acho que se [o pornô realmente está transformando a cumshot numa parte esperada do sexo], isso é profundamente problemático. Acho que você não pode desligar seu pensamento crítico e não ser afetado num nível subconsciente [por assistir pornô]. Tudo que vejo afeta meu senso de erotismo. Parei de pesquisar sobre o assunto em parte porque acho que isso tem um efeito tóxico sobre mim. Não estou dizendo que sou contra o pornô. Mas você precisa ser um consumidor cuidadoso.

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Amanhã: O que vem depois da cumshot?

Alguns podem ter seus problemas com a cumshot, mas ela ainda é a norma. Há uma inércia que vai manter a prática nessa posição por muitos anos ainda. Além disso, não há um consenso sobre o que substituiria a cumshot no final de um pornô.

Linda Williams: O mais marcante é que o pornô não muda há décadas. Você continua tendo a cumshot com poucas exceções. Também há cumshots nos pornôs caseiros, imitando o que eles veem na pornografia de estúdios.

Shine-Louise Houston: Eu estava lendo o livro de Linda Williams do começo dos anos 2000 e ela faz perguntas como "Para onde o pornô vai além da cumshot?". E eu pensei: Estou nisso agora! Assisti todo esse pornô e estou vendo exatamente o que você está dizendo. Estou tendo esses problemas.

John Stagliano: Ter um cara gozando dentro de uma garota é algo poderoso. Já fiz cenas de boquete onde a garota está chupando o cara e ele goza na boca dela. Você quase não consegue ver a porra, mas se enquadrar do jeito certo, você pode mostrar a reação do cara, e isso parece sexo real e é realmente prazeroso. Eu gostaria de ver mais disso. Não ligo para ver a porra.

Darren Kerr: Vendo a cumshot nos filmes, nos filmes onde ela não acontece, isso virou o "pornô de casal" e é toscamente classificado como "pornô para mulher" hoje… [Mas com mais dados sobre os desejos dos consumidores vindo do pornô digital], acho que você verá menos homens do que o esperando que realmente gostam de faciais. Eu poderia ver uma guinada para um sexo mais natural. Você vê o final sendo como algo mais do que afogar a mulher em porra.

Shine-Louise Houston: Minha empresa trabalha principalmente com mulheres de corpo mais feminino, apesar de termos algumas artistas de corpo mais masculino. Foi um desafio encontrar um jeito de representar a cumshot, porque as mulheres não têm a mesma confirmação visual. Squirting poderia ser considerado um equivalente, mas também é algo diferente [e não decolou do mesmo jeito]. Nesse ponto, eu tenho uma rotina de como representar o orgasmo feminino: uma série de tomadas cuidadosamente trabalhadas para retratar o feedback da escalada do prazer. Acho que isso funciona.

Odette Delacroix: Um dos sites que estão fazendo o melhor trabalho e levando vários prêmios é estritamente de sexo entre garotas. As pessoas tendem a assistir a cena inteira, e eles tendem a ter vários orgasmos – geralmente falsos. Então a pessoa tem sua cumshot várias vezes. Eu visitei o set deles, e eles diziam "Você vai gozar três vezes, te dizemos quando". Aí eles olhavam para a outra garota e diziam "Você vai gozar três vezes, te dizemos quando". Você tem seis orgasmos num vídeo de 40 minutos.

Shine-Louise Houston: O mainstream sempre vai ser mainstream. Eles estão começando a se ramificar um pouco. Mas é difícil para eles mudar. São as empresas menores que podem fazer coisas radicais. Agora que a tecnologia está radicalizando as filmagens, você tem várias outras vozes contando histórias. Temos vários cineastas jovens ultrapassando barreiras do que é o pornô e o sexo, e isso é incrível. Minha esperança é que os filmes underground tomem o mercado. E isso meio que já está acontecendo.

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Tradução: Marina Schnoor

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