Em uma noite de sábado, em outubro passado, fui até a boate Bloc, em Hackney Wick, um bairro ao leste de Londres que reúne fábricas, ateliês de artistas, o Estádio Olímpico de 2012 e raves toscas em armazéns. A ocasião era a Chapter 10, uma festa gay regular que toca techno, house e disco e cuja atração principal naquela noite era o Honey Dijon. Mas muita gente, inclusive eu, tinha chegado cedo para ver a performance do Young Boy Dancing Group — um coletivo de dançarinos contemporâneos vindos de toda a Europa, cujas apresentações são uma mistura de queerness e tecnofuturismo que só poderia existir na era digital.Quando entrei no salão principal, parecia que estava rolando uma espécie de ritual wicca: velas demarcavam um grande círculo no centro da pista. Um dançarino com um protetor genital no meio da cara, uma loira usando apliques de cabelo como se fossem um cinto e outros dançarinos em shortinhos bondage circulavam lentamente pelo espaço. Eles brandiam amuletos de metal que lembravam incensários clericais, ao som de uma faixa com uma vibe pesada de canto litúrgico da trilha sonora de Ghost in the Shell, antes de se amontoarem todos uns por cima dos outros no que parecia uma partida complexa de Twister.Leia mais no THUMP.
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