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O Plano Para Bisbilhotar as Comunicações Interplanetárias Entre Alienígenas

Se alienígenas conversam entre os exoplanetas descobertos, nós já temos um plano para ouvir a conversa no estilo NSA.
17.6.14

A rede de telescópios Allen, na Califórnia, que será usada pela SETI. Imagem: Instituto SETI

A sonda espacial Kepler descobriu que há vários exoplanetas potencialmente habitáveis num mesmo sistema solar — sendo assim, será que haveria vida inteligente nesses planetas, e será que esses seres estariam se comunicando entre si? Alguns especialistas do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence, ou Busca por Inteligência Extraterrestre) acham que é possível, e que interceptar suas comunicações pode ser a melhor maneira de provar a existência de alienígenas.

O projeto foi batizado de “eavesdropping SETI”, e é baseado no princípio de que se a existência de vida inteligente é comum em sistemas solares onde há planetas parecidos com a Terra na zona habitável, então não está fora de questão que existam duas civilizações alienígenas diferentes vivendo em um sistema solar que possua diversos planetas dentro da zona habitável de uma estrela.

Outra possibilidade é a de que talvez uma civilização extraterrestre tenha tido condições de colonizar outro planeta em seu sistema solar, mais ou menos como alguns humanos gostariam de fazer com Marte. De um jeito ou de outro, se há vida inteligente em mais de um planeta num mesmo sistema solar, então faz sentido que esses seres queiram se comunicar entre si.

E é aí que entram os cientistas do SETI. Dados do Kepler já estão sendo usados para identificar várias possíveis sistemas solares, e nós já possuímos tecnologia capaz de rastrear a localização desses planetas em relação à Terra. Quando dois planetas se alinham com o nosso, é possível apontar os quatro radiotelescópios para eles, na esperança de captar por acidente algum tipo de comunicação entre os dois.

“Um dia nós vamos colonizar Marte e, se isso acontecer, vamos querer nos comunicar com as pessoas e as máquinas que estarão lá, ou em outros planetas do nosso sistema solar”, diz Dan Werthimer, um pesquisador do SETI baseado na Universidade California-Berkeley. “Da mesma forma, é possível que outras civilizações estejam mandando sinais de rádio ou laser entre planetas de seu próprio sistema solar. A partir de dados recentes coletados pela missão Kepler, da NASA, nós conseguimos prever o momento exato em que dois planetas extrassolares estarão alinhados com a Terra, e então podemos programar as nossas observações para tentar detectar comunicações interplanetárias entre outras civilizações.”

Funciona mais ou menos assim:

Imagem: Universidade California-Berkeley

Werthimer diz que é altamente provável que qualquer tipo de vida inteligente extraterrestre esteja enviando esses sinais de rádio, porque já faz mais ou menos 100 anos que nós fazemos o mesmo — inadvertidamente, claro — com nossos sinais de rádio e televisão.

“Estrelas mais próximas já assistiram aos Simpsons”, disse ele. “Nós estamos transmitindo sinais, seja sem querer ou de maneira deliberada.” E, quem sabe, outras civilizações também estejam.

Nós já temos alguns candidatos. Tomemos como exemplo o sistema estelar Gliese 667, situado a meros 22 anos-luz de distância da Terra. Esse sistema tem três planetas potencialmente habitáveis, então faz sentido que este seja o primeiro alvo de Werthimer. Para além disso, existem (prepare-se) 500 milhões de planetas potencialmente habitáveis apenas na Via Láctea.

Seth Shostak, astrônomo sênior do Instituto SETI, disse ao Congresso americano recentemente que nós provavelmente vamos encontrar evidências de vida inteligente em outros planetas dentro de mais ou menos 20 anos, e que o SETI bisbilhoteiro é um dos três “cavalos” na corrida para a descoberta de alienígenas.

A grande chance, diz ele, é procurar por micróbios dentro do nosso próprio sistema solar. A segunda possibilidade é “construir grandes mecanismos que possam farejar as coberturas de outras atmosferas”, procurando por metano, carbono ou outras evidências de vida. A terceira e mais ativa área do SETI é a “bisbilhotagem de sinais”.

“Eu acho que faz sentido — até mesmo nós, com pouco mais de 100 anos de desenvolvimento, já possuímos uma tecnologia capaz de enviar informações a anos-luz de distância”, disse ele. “Ainda não está provado que existe vida extraterrestre, mas eu acho que ainda viveremos pra ver essa situação mudar… o fato de ainda não termos encontrado nenhuma evidência não significa nada — é como procurar animais gigantes na África e desistir depois de vasculhar um quarteirão. O universo está cheio de habitats em potencial.”

E, se de fato acharmos alguma coisa, decodificar a mensagem pode não ser assim tão difícil.

Tradução: Luiza Vilela