Três anos de inferno na República Centro Africana
Pablo Tosco/Oxfam Intermón
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Três anos de inferno na República Centro Africana

Uma brutal espiral de violência entre milícias Seleka e Anti Balaka, provocou milhares de mortes e quase um milhão de deslocados.
5.12.16

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma VICE News Espanha.

Há precisamente três anos, a 5 de Dezembro de 2013, na República Centro Africana, uma brutal espiral de violência entre milícias Seleka e Anti Balaka, provocou milhares de mortes e quase um milhão de deslocados, que ainda não conseguiram regressar às suas casas.

Apesar das eleições presidenciais realizadas já este ano e de uma certa normalidade política a par de algumas tentativas de estabilizar o país, o sofrimento e a violência continuam e as pessoas vêem-se obrigadas a deslocar-se uma e outra vez, num ciclo contínuo que parece não ter fim.

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Os grupos armados continuam a aterrorizar as populações, 400 mil pessoas continuam sem casa e 2.3 milhões, mais de metade dos habitantes do país necessitam de assistência humanitária básica: água, comida e abrigo. Ainda assim, esta é uma das crises humanitárias mais esquecidas e menos financiadas no Planeta.

A pouco menos de um mês de acabar o ano, o país ainda só recebeu 34 por cento do dinheiro que as Nações Unidas solicitaram à comunidade internacional para fazer face às necessidades mais urgentes. Em Batafango, uma povoação situada no meio da selva, na zona noroeste da República Centro Africana, a maioria dos 29 mil habitantes vivem em condições degradantes no segundo maior campo de deslocados do país, erguido ao lado das suas antigas casas, totalmente destruídas pela violência. O maior campo continua a ser Castor.

Abaixo podes ver mais imagens de ambos os locais.

Malamokoyen com as suas filhas, no campo de Castor. O acampamento recebeu já cerca de 10 mil pessoas desde o começo da crise. A Oxfam Intermón providencia água e latrinas às famílias que ali vivem. (Pablo Tosco/Oxfam Intermón)

Mais de 24 mil pessoas que perderam as suas casas em Batafango, bem como familiares e tudo o que tinham sobrevivem há três anos entre tendas e cabanas de palha, à espera de uma solução que teima em não chegar. (Pablo Tosco/Oxfam Intermón)

Georgine e os seus filhos. Vivem há dois anos numa cabana de palha no campo de Batangafo. (Pablo Tosco/Oxfam Intermón)

Sadia B. 40 anos. Tem quatro filhos. Quando a milícia Seleka entrou em Bria, levou a cabo matanças, perseguições, saques e queimou as casas. Sadia, juntamente com o marido e os filhos fugiram em direcção a Bangui em busca de um lugar seguro. Aqui, o seu marido acabou por morrer.(Pablo Tosco/Oxfam Intermón)

Olga Y., tem três filhos e fugiu do bairro de Yambasse quando a milícia Seleka começou a matar e a saquear as famílias cristãs. Assassinaram o seu marido e ela procurou refúgio no aeroporto de M'poko.(Pablo Tosco/Oxfam Intermón)

Faustin Guessi regressa às ruínas da sua casa, destruída durante a crise de 2015, no bairro de Bloc Sara, Bangui. Quando há condições de segurança tegressa ao seu antigo lar para limpar as ervas daninhas do quintal.(Pablo Tosco/Oxfam Intermón)