Perrengues_Trilha
Ilustração: Flora Prospero
Volta às Férias

Os piores perrengues que podem rolar numa trilha

Pessoas contam suas histórias de pequenas aventuras que quase acabaram em grandes tragédias.

Todo verão é igual: sempre tem aquele amigo que tem a ideia mirabolante de se aventurar numa trilha desafiadora. Se você não conhece, bem, talvez esse amigo seja você.

A ciência não consegue explicar por que percorremos esses trajetos selvagens que têm tudo para ser uma cilada, mas, por algum motivo, aceitamos a experiência e muitas vezes acabamos nos ferrando de jeitos inimagináveis.

Para inspirar uma nova geração de aventureiros a não aceitar qualquer roubada, separamos as histórias mais deprimentes de trilha. Abaixo, você pode ver por que é sempre bom levar protetor solar e iscas de goiabada na mochila.

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Sexo interrompido por atropelamento

Lucas, 21 e Bruna, 25
Onde: Trilha para Águas Calientes, Peru
Estávamos na trilha que leva até um vilarejo chamado Águas Calientes, no Peru, ao pé da montanha de Machu Picchu. A trilha pela hidrelétrica era uma das alternativas mais baratas e rápidas. Na caminhada, o clima ‘caliente’ tomou conta da gente. Rolou um desejo ardente e ilegal, sabíamos que não podia, mas rolou ali mesmo. O problema é que a trilha fica no trilho que faz o caminho do trem que leva de Cuzco a Águas Calientes. Jamais imaginaríamos que naquele horário tão cedo do dia poderia passar um trem. No meio do babado, ouvimos um apito ensurdecedor. Era um veículo sobre trilhos vindo em direção a nós, foi uma loucura, um corre-corre pra pegar camisa, calcinha, cueca e sair do caminho do trem.

O aquecimento de quatro horas

Mariana Guedes, 26 e Tiago Dias, 27
Onde: Trilha para Pedra Bonita, Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro resolvemos ir para a trilha da Pedra Bonita. Pesquisamos pouco antes e não nos informamos muito bem sobre o acesso. Chegando lá, depois de perder o ponto e o motorista do ônibus parar quase dentro de um viaduto de uma via expressa, perguntamos pra uns taxistas que ficam no pé da montanha como chegava lá. Eles disseram que era rapidinho, de táxi ficava super barato e que também tinha um ônibus, mas que era bem demorado. Como não estávamos a fim de pagar nem de esperar, fomos a pé.

Subimos por quatro horas. Eu, sedentária e, na época, fumante, achei de verdade que eu ia morrer. O caminho não acabava nunca, não parávamos de subir por uma pista no meio da floresta, não passava NINGUÉM andando. Só de vez em quando passava um carro, de vez em nunca, um ônibus e nenhum sinal de que íamos chegar na trilha. Subimos quatro horas só para chegar na trilha que era de 1 hora e pouco. Com o tempo, eu já estava tão mal que Tiago pegou um doce de goiaba que tínhamos levado e começou a me dar como "isca", para me fazer continuar andando. Cada vez que eu andava uns 10 minutos ele me dava um pedaço. Chegamos na trilha e ninguém entendia por que eu estava quase morrendo. Quando falamos que subimos a pé todo mundo fez cara de "cês tão doidão?".

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O que importa é que chegamos, a Pedra Bonita é realmente muito bonita, a vista é incrível, mas é bom levar, além da goiabada, protetor solar porque lá em cima é tudo de pedra mesmo, o sol rebate e você pode ter uma insolação. É, teve essa: peguei insolação.

Seguindo o lesado do Tinder

Ivana Carvalho, 26
Onde: Trilha de Monte Saint Hilaire, Canadá
Em 2015, eu morei em Montreal, no Canadá. Bem no começo da minha estadia por lá, eu baixei o Tinder, de praxe. Em um belo domingo de sol, eu tinha brigado com minha roomate e resolvi sair sozinha pela cidade, baseada na minha rebeldia e tédio. Parei num bar para tomar uma cerveja 100% plena e suficientemente só e eis que recebo uma mensagem de um cara. O canadense me perguntou de primeira se eu gostava de fazer trilha e se estava em forma. Me senti desafiada com esse “em forma” dele, o que me levou a topar a ideia de fazer essa trilha em um lugar a 30 minutos de Montreal, chamado Monte Saint Hilaire.

Quando o encontrei, ele resolveu parar em um posto no meio do caminho, daqueles bem de filme apocalíptico, pra comprar umas cervejas (pra fazer trilha?). Não achei tão estranho a dele, porque na real estava de saia e rasteirinha para o date. Chegando lá depois de muito esforço, ele resolveu fumar um pra contemplar a vista, que dava pra ver toda a cidade.

Na hora de voltar, ele me disse que não sabia o caminho de volta. Começou a me bater um belo desespero que cortou toda minha brisa. Ao mesmo tempo que entrei na paranoia de que ele podia ser um louco psicopata que me sequestraria ali no meio do mato, ele começava a rir porque estava chapado. Com o desespero a mil, comecei a gritar pra ver se achava alguém próximo pra ajudar a descer de lá, mas não obtive sucesso. Nessa ele achou um cara que falava francês e eles começaram a se comunicar e eu não entendia nada. Pra piorar, não tinha sinal de celular e eu tinha brigado com minha amiga. De tanto que eu rezei para sair de lá, depois de muito tempo, conseguimos sair. Eu estava tão puta com o cara, que fiquei o caminho todo sem falar com ele. Com o pé todo esfolado por causa da rasteirinha, cheguei em casa em estado de choque. Um conselho? Não faça trilha com estranhos em um país desconhecido.

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Nu artístico na Chapada

Camila Carvalho, 26 de Palhoça-SC
Onde: Chapada Diamantina, Bahia

Durante um estágio que realizei na Chapada Diamantina, na Bahia, fui fazer a trilha da Cachoeira da Fumaça com dois amigos. Um deles, dentista da unidade de saúde onde estagiei, também é fotógrafo, e a trilha acabou terminando em um lugar lindíssimo e deserto, onde tomamos banho de rio e fizemos um ensaio fotográfico belíssimo, não combinado.
Dias depois, trabalhando e atendendo um paciente numa consulta na Unidade de Saúde, o mesmo me perguntou: 'Doutora, a senhora faz nu artístico, né? Vi vocês na Cachoeira esse final de semana!' Foi um momento de total constrangimento, tentando fingir naturalidade e sem saber onde enfiar a cabeça”.

Volta às Férias é o nosso especial que vai te ajudar a se preparar para o verão mais merecido da sua vida até agora. Saque tudo aqui.

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