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Policiais civis de SP são acusados de tráfico de drogas

Escutas telefônicas revelaram que grupo de investigadores desviava drogas apreendidas dos cofres do Denarc.

Uma reportagem especial do Fantástico exibida no domingo (2) revelou que um grupo de policiais civis estava envolvido num esquema de desvio de drogas apreendidas e armazenadas nos cofres do Departamento de Narcóticos (Denarc). O investigador Bruno Luiz Soares Figueiredo foi apontado como articulador do esquema que durava cerca de dois anos.

Figueiredo, de acordo com a reportagem, era parte de um grupo de investigadores autodenominados Falcão 64C. Segundo um delator que entregou o esquema para a polícia, os agentes adulteravam as drogas apreendidas e armazenadas no cofre para vender parte das substâncias pura para criminosos. Bruno foi preso em 2016 quando quando o esquema veio á tona.

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De acordo com o delator, o grupo recebia propinas de traficantes, fazia trocas de favores para diminuições de penas, vendia as drogas desviadas em apreensões e chegou, até mesmo, a tramar a morte do promotor público de São Paulo Amauri Silveira Filho, responsável por investigar o caso de propinas cobradas por policiais de SP e Campinas a traficantes de drogas. O grupo de policiais também foi apontado por comandar uma sessão de tortura de uma mulher para que ela entregasse o paradeiro de um traficante que não pagou a propina aos policiais.

Figueiredo foi também acusado de ter avisado traficantes locais sobre operação na Cracolândia que aconteceu em agosto de 2016. O envolvimento foi descoberto por conta de uma investigação presidida pelo Ministério Público sobre um traficante de São Paulo. Por meio das escutas, a investigação teve acesso a uma ligação feita pelo investigador, na qual ele avisava uma mulher sobre os próximos passos da polícia na região.

Para forjar a entrega da droga apreendida, Figueiredo falsificava os lacres dos pacotes das drogas que iriam até o cofre do Denarc antes de serem incineradas. Um outro investigador não identificado tinha a função de fazer a troca das drogas adulteradas pelas puras nos cofres.

O advogado de Bruno Figueiredo negou todas as acusações.

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