Sabe quando você resolve fumar unzinho, dá uma puxadinha numa erva mais forte e, bem, parece que vai morrer? Aconteceu com um amigo meu. O… Esqueci. Bom, o fato é que um pessoal pró-maconha e alguns legisladores estão tentando mudar isso de não saber o quão chapada uma pessoa ficará ao dar um pega.
Durante o Cannabis Science and Policy Summit realizado no NYU Marron Institute of Urban Management, nos EUA, na semana passada, legisladores, acadêmicos e defensores da saúde pública discutiram os desafios associados ao porcionamento de dosagens apropriadas de THC para usuários recreativos e medicinais. Logo se iniciou a discussão se deveria haver uma unidade de maconha assim como as doses de álcool.
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Nos EUA, uma “dose” foi codificada pela NIH e se refere a aproximadamente 14 gramas de álcool puro, que podem ser encontrados em uma cerveja de 350 ml com 5% de álcool, uma taça de 150 ml de vinho de 12% ou em dose única de 30 ml de alguma bebida com 40% de álcool.
“Entender a dose é essencial”, disse George McBride, ex-advogado e atual responsável de procedimentos na Beckley Foundation, think tank voltado às drogas com sede no Reino Unido. “As doses recomendadas de álcool tem seus problemas, mas ao menos dão os meios para comparar uma dose de tequila com uma cerveja. Usuários de cannabis não tem como comparar uma ponta com um baseado.”
O fator mais importante para a determinação da potência ou psicoatividade em qualquer quantidade de maconha é sua massa de THC. Ela é medida em miligramas. Geralmente, 10 mg é considerado uma dose para usos recreativos ou medicinais – porém o método de ingestão, digamos que via fumo, comida ou vaporização, pode ter diferentes efeitos, disse McBride.
Complicando ainda mais o assunto, variedades de erva podem variar na potência da média de 20% de THC, ultrapassando os 30%, o que representa um contraste gigantesco com a maconha dos anos 80, que batia nos 4% de THC. Logo, um peguinha hoje é uma medida bastante ineficaz de se medir qualquer coisa.
O debate em torno da regulamentação da indústria da maconha esquentará ainda mais com a possível legalização da maconha recreativa em mais quatro estados norte-americanos este ano
Por mais que a ingestão por meio do fumo crie uma espécie de área nebulosa, regular as quantidades de THC em comestíveis é mais viável. Aconteceu no Colorado em 1º de fevereiro de 2015. O estado especificou quais produtos alimentícios devem ser embalados individualmente em porções com 10 miligramas de THC ou menos e que um único produto não pode ter mais que 100 miligramas da substância. Isso foi posto em prática após a morte de um universitário que saltou de uma sacada em Denver depois de comer um cookie de maconha, além de uma série de incidentes em que crianças ingeriram acidentalmente alimentos com a erva.
Mas tem um problema nessa prática. A rotulagem precisa de alimentos depende de medidas precisas de concentração de THC vindas de quem vende a erva, o que não é lá muito confiável. Em um problemático relatório publicado em 2014 no The Cannabist, site dedicado à maconha do Denver Post, um estudo de diversos produtos alimentícios com maconha em composição mostrou que quase todas as empresas declarava erroneamente, bem provável que sem intenção, a concentração de THC de seus produtos.
O teste em questão foi conduzido pela Steep Hill Labs, empresa de pesquisa independente voltada à maconha com sede em Berkeley, e mostrou que quase todos os produtos examinados passaram longe dos níveis de THC declarados. Isso se deve ao fato de que a divisão precisa de níveis de THC é complicada, e muitos argumentam que o sistema regulatório não está em posição de culpar as empresas pelos erros na representação de seus produtos.
Melhores práticas regulatórias são bem-vindas tanto por consumidores quanto comerciantes como um ponto positivo para a indústria como um todo.
“Ao deixar claro qual é a dose, com sorte haverá maior responsabilidade no uso e maior conscientização pública”, afirmou John Lord em entrevista ao The Cannabist. Lord é proprietário da LivWell, empresa com nove comércios dedicados à maconha no Colorado. “Isso nos manterá seguros e proverá uniformidade para o produto em si”, disse.
Muitos apontam a falta de regulamentação federal pela FDA (Food and Drug Administration) como causadora da confusão, já que cada estado junta leis que os impedem de processos, mas que no final seguem ineficazes para informar os consumidores.
“Todo e qualquer exemplo de conscientização em nossa sociedade veio por meio de órgãos como a USDA, FDA, EPA”, disse o Reverendo Dr. Kymrom deCesare, Chefe de Pesquisas da Steep Hill. “De repente quando alguns estados agem diferente do comum, a sociedade se confunde.”
DeCesare, que pesquisa a integração da maconha na sociedade bem como a química por trás da planta, comentou a natureza atrapalhada da regulamentação imposta por estados norte-americanos: “Muitas das ideias que surgem são interessantes, eles as aplicam e elas não dão nada certo”.
O debate em torno da regulamentação da indústria da maconha esquentará ainda mais com a possível legalização da maconha recreativa em mais quatro estados norte-americanos este ano, além de quatro mais o Distrito de Columbia, que já legalizaram a droga.
Com o crescimento da indústria da maconha nos EUA, grupos como o Steep Hill Labs, Inc. com sede em Berkeley, Califórnia, estão surgindo como cabeças no estabelecimento de práticas eficazes de regulamentação da substância. Eles enfatizam a integração da mesma na sociedade por meio de informações divulgadas claramente aos seus consumidores e ambientes regulatórios eficientes.
Dito isso, os consumidores não devem esperar que o governo federal lhes informe como ingerir maconha tão cedo. “Cada paciente tem que saber o que funciona para ele em primeiro lugar”, disse deCesare.
Tradução: Thiago “Índio” Silva
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