A Cura de Anjem Choudary para o Reino Unido

Não faz tanto tempo, Anjem Choudary, o infame “especialista” muçulmano e estrela do Jihad Milkshakes, liderou uma manifestação do lado de fora da prisão londrina de Belmarsh, onde ele demonstrou solidariedade ao hater capitão-gancho Abu Hamza. Segundo Anjem, Hamza foi completamente espancado por guardas da prisão quando ele se recusou a acatar ordens de retornar à sua cela dias antes. A acusação foi negada pelos funcionários de Belmarsh, mas para o Abu saber que existem algumas pessoas vivas que não o odeiam, seu bróder Anjem juntou 30 pessoas para protestar contra a brutalidade das prisões britânicas. Fui atrás deles pra saber o que tava pegando e ter um bom bate-papo com um dos homens mais odiados da Inglaterra.

O cara na direita que parece o Dion Dublin usando a barba do Isaac Hayes é o Abu Izzadeen, que passou seus 15 minutos de fama gritando para o antigo Secretário de Defesa John Reid uns anos atrás.

Vice: Oi Anjem. Por que você está dando rolê do lado de fora da prisão Belmarsh hoje?
Anjem Choudary:
Estamos aqui para apontar as atrocidades cometidas contra o xeque Abu Hamza. Ele é um ativista popular e muito amado, e um especialista dentro da comunidade muçulmana britânica e no mundo. Ele sacrificou sua saúde, bem-estar e sua família pelo que acredita, e para insultá-lo ainda mais, ele não só foi encarcerado por um mero “crime duro”, mas agora ele também está sendo torturado na prisão Belmarsh. Esse é um homem com dificuldades – ele tem um olho cego, ambas as suas mãos foram amputadas e também é diabético. Mesmo assim, recusam-se deixá-lo usar próteses.

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Se a lei Sharia fosse implementada na Inglaterra, as pessoas ainda poderiam se vestir como uma boy band?

Bom, os ganchos dele realmente parecem afiados, não sei se deixariam ele utilizar armas em lugar de mãos dentro de prisões. Que outras dificuldades o Abu teve que sofrer?
Não permitem nenhum tipo de ajuda financeira para chamar sua família ou contratar um advogado, e sua papelada legal foi “perdida”. As luzes em sua cela são constantemente ligadas e desligadas, não o deixando dormir, e ele está sujeito a constantes abusos raciais dos guardas da prisão. Todos esses fatos vieram à tona no dia 11 de janeiro, quando ele se recusou a retornar à sua cela. Ele queria ser isolado dos outros presos e do abuso, mas em vez de serem simpáticos a esses pedidos, os guardas o empurraram e começaram a bater nele. Ele tentou resistir, mas um homem extremamente debilitado em seus 50 anos não conseguiria revidar numa briga. Ele finalmente conseguiu ligar pra sua família na manhã seguinte, mas já faz três dias e não sabemos se ele recebeu algum atendimento médico ainda.

Alguns extremistas islâmicos estão retomando o look casual de lojas de Stone Island e usando a péssima gramática dos caras da Liga de Defesa Inglesa.

Que efeitos você acredita que as manifestações de hoje causarão?
Em última instância, os protestos de hoje mostram que existe uma crescente pressão contra a islamofobia e o abuso injusto, e estou feliz com a quantidade de pessoas – mesmo que fôssemos apenas em três aqui, eu ficaria feliz, mas ainda bem que temos quase 100 pessoas hoje lembrando esses problemas e elas vão passar a mensagem para amigos e familiares, e a imprensa que está aqui vai transmiti-la nacional e internacionalmente. Esperamos que a mensagem chegue ao interior da prisão e que deixem ele saber que estamos aqui para ajudar e apoiar pessoas como Abu Hamza.

Uma criança de 4 anos se juntou aos protestos de fora de Belmarsh para mostrar seu repúdio contra séculos de colonialismo britânico.

Por que você acha que o governo do Reino Unido quer deixá-lo trancafiado?
O governo britânico está ocupando terras muçulmanas. Eles entraram em uma guerra contra os muçulmanos – até o Cameron admitiu que a luta não é somente contra os terroristas, é contra a ideologia por trás do extremismo também. Ele está falando de proibir um pensamento! Abu Hamza está na prisão somente porque falou a verdade. Ele esteve falando por 11 anos antes de ser preso e as autoridades nem se interessavam por ele. A Corte, a polícia, a promotoria da coroa, os juízes e a mídia nesse país são todos preconceituosos contra os muçulmanos. O Abu Hamza é um prisioneiro de consciência que nunca organizou nenhuma atividade militar nesse país ou fora dele. Conheço o homem pessoalmente e durante sua época pregando na mesquita de Finsbury Park ele teve um grande relacionamento com os padres locais e os rabinos – todos trabalhavam juntos para ajudar os moradores de rua da região. Esse é um homem que sempre se preocupou com a comunidade e foi bode-expiatório do governo briânico e sua guerra contra os muçulmanos, conhecida também como “Guerra ao Terror”.

A Liga de Defesa Inglesa também esteve por aqui hoje. O que você acha daqueles caras?
A LDI é um sintoma da sociedade onde nós vivemos. O cenário político está posicionado como extrema-direita e as organizações racistas não mais se importam com judeus, japoneses ou negros, como se a nova moda fosse atacar os muçulmanos e o Islamismo. Isso é muito saudável enquanto estamos mais do que felizes em engajar em um confronto ideológico e político com eles, mas não acho que esse é o tipo de gente que consegue se posicionar em um debate público. Deixem eles protestarem contra a gente, mas eles não fazem parte do nosso discurso. Nosso discurso é muito maior que isso: nosso discurso é contra os governos britânicos e americanos, para desmontá-los e estabelecer a Sharia.

Receber olhares com segundas intenções de uma menina em uma burca estimula partes em mim que nem sabiam que existiam.

Você está preocupado com um possível crescimento da islamofobia como consequência das ações da LDI?
Não. Nem um pouco, aliás. Na verdade, acredito que o ódio pode ser muito positivo – se as pessoas odeiam e têm medo de algo, eles acabam tendo mais informações sobre aquilo. O maior número de conversões ao islamismo foi depois do 11 de setembro. Muitas pessoas queriam descobrir essa forma divina de vida e abraçá-la.

Hoje em dia você pede que a lei Sharia seja estabelecida no Reino Unido. Como você faria isso?
A parte mais importante é engajar uma luta ideológica e política publicamente – tentar trazer a beleza e a justiça do islã e proibir a maldade da lei dos homens. Muitas pessoas na Inglaterra estão preocupadas com álcool, drogas, promiscuidade, prostituição, a falta de ambição na adolescência etc. O islã se preocupa com essas coisas e ainda dá esperança e objetividade à vida. Acho que é hora de retomarmos as leis divinas. O governo britânico diminuiu a idade da homossexualidade, eles implementaram a disponibilidade do álcool 24 horas por dia, nós temos uma loteria nacional e muita pornografia, tudo porque o governo sabe que explorando esses instintos e desejos dos seres humanos eles conseguem tirar impostos. A Sharia erradicaria todas essas coisas, e o dinheiro poupado poderia ser investido em saúde e educação. Se eu lhe dissesse que nós podemos ter um sistema que dá roupa, abrigo, eletricidade, gás, água de graça para todos os cidadãos, acho que muitas pessoas na Inglaterra gostariam disso. Aborto é algo que deveria ser proibido também. A Sharia preserva a santidade da vida. Não sei quando chegará ao RU, mas se Deus quiser, será em breve.

Será que a LDI chamaria o cara da direita de pedófilo, ou eles apreciariam seu jeito moderado com uma piadinha, apelidando-o de “Sambo” e o ofereceriam uma cerveja?

Você estava planejando uma marcha através da Wootton Bassett para protestar contra a guerra no Afeganistão. Você entende como os parentes dos soldados que lá morreram talvez ficassem chateados se uma marcha como essa ocorresse?
Entendemos como as pessoas no Afeganistão ficam chateadas porque elas estão sendo bombardeadas pelos EUA e pelo RU, e porque suas famílias estão sendo torturadas e estupradas. Isso é muito mais marcante na minha cabeça do que algumas poucas pessoas que talvez ficassem chateadas se eu fizesse uma passeata nas ruas. Os crimes reais estão acontecendo no Afeganistão, Iraque e Palestina, não na Wootton Bassett. Se você não está chateado com essas atrocidades, mas está porque alguma pessoas seguram cartazes e falam a verdade, então tem algo de errado com você.

Então o que o futuro aguarda quanto ao conflito no Afeganistão?
Os britânicos e os americanos serão enxotados mais cedo que imaginamos. Então o Talibã, se Deus quiser, vai estabelecer a lei Sharia antes de formar uma jihad para anexar o Paquistão e remover o regime de lá. Então a Índia e Bangladesh serão anexadas e então, esperançosamente, a Malásia e a Indonésia. Os britânicos e os americanos querem silenciar o islã porque estão preocupados com o despertar do superestado Sharia que resultaria do processo.

Anjem sorrindo.

O islamismo não é uma religião de paz? Com certeza várias pessoas morrerão se você continuar organizando jihads o tempo todo.
Se você observar a história, países como a Indonésia, a Malásia e a Etiópia se tornaram parte do islã sem nunca ter que lutar. O que o faz pensar que seríamos como os americanos e bombardearíamos as pessoas para aceitar a liberdade e a democracia? Não somos assim. O maior número de pessoas que foi morta na história foi na mão dos americanos em Nagasaki e Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial. Não são os muçulmano que são bárbaros e enterram as pessoas em covas públicas. Sim, nós vamos desmontar os regimes e implementar a Sharia, mas não vamos matar um grande número de pessoas. Não vamos discriminar por causa de cor ou passado, mas nós vamos discriminar por causa de religião. Mas na verdade todo mundo faz isso.

TEXTO POR HENRY LANGSTON VICE UK
TRADUÇÃO POR EQUIPE VICE BR

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