O ano de 2014 foi um marco na política brasileira. Pela primeira vez, a disputa eleitoral aconteceu em grande parte na internet. É claro que, em 2010, a rede já existia, mas seu papel na tomada de decisão dos eleitores era outro. Naquela época, predominavam os veículos impressos, os portais e o SMS, todos com possibilidades de interação limitadas. Quatro anos depois, o engajamento seria aprimorado: o WhatsApp tomaria o país; o Orkut daria lugar ao Facebook, uma rede social com base e conversações muito maiores, e a sensação de insatisfação, que antes ficava oculta a comentários na internet, se amplificaria em debates online e protestos.
Na época das eleições, enquanto Dilma Rousseff e Aécio Neves se digladiavam em debates, discursos e programas de TV, a força oculta da internet era usada como impulso extra. Um novo fenômeno aparecia na campanha virtual: os robôs programados para replicar conteúdo, os social bots. Ainda que não tenha aparecido no mainstream, o pesquisador Daniel Arnaudo, da Universidade de Washington, nos EUA, e do Instituto Igarapé, no Rio, mostrou, em estudo publicado em junho, que a ferramenta foi fundamental no processo eleitoral e, também, no processo que culminou no impeachment de Dilma. “A propaganda computacional em formas tais como redes de bot, notícias falsas e manipulação algorítmica desempenham papéis fundamentais no sistema político na maior democracia da América Latina”, disse ao Motherboard.
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Tal como Guernica foi um “campo de testes” para a Segunda Guerra Mundial, as últimas eleições presidenciais foram o aperitivo para uma campanha que nunca iria parar. Hoje as redes de bots estão mais fortes do que nunca. “Os dados revelaram que a atividade continuou”, explica o pesquisador. “E, ao mesmo tempo, existe uma linha entre a campanha de 2014 e o processo de impeachment. A campanha online nunca acabou. Continua depois da eleição de 2014, só aumentando em 2015 e 2016. As redes têm a prova desse fio entre o processo de impeachment e a campanha.”
O investimento de tempo, dinheiro e esforço nos bots se justifica. A consultoria ComScore estima que o Facebook ocupa 95% do tempo dos brasileiros nas mídias sociais. Espalhar propaganda na rede de Mark Zuckerberg faz todo sentido. E, embora seja uma caixa-preta na maioria das vezes, o Facebook corroborou uma das teses do estudo do Arnaudo este ano. O governo americano descobriu que a propaganda eletrônica patrocinada pela Rússia teve papel importante nas eleições de 2016. Essa afirmação veio diretamente do diretor de inteligência nacional. Segundo ele, as táticas incluíram a distribuição de notícias falsas. O Facebook disse que seus dados internos não contradizem essa afirmação.
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