A frescura dos “Verdes Anos” no Doclisboa

O que é um festival de cinema se não a excitação da descoberta, do novo, da frescura de quem se apresenta no grande ecrã sem lastro, de olhos postos no futuro? No Doclisboa, a secção Verdes Anos é isso mesmo. O olhar para o futuro da produção cinematográfica nacional, para as escolas, para os cineastas em formação.

Uma programação corajosa, claro, assente no risco de mostrar o que mais ninguém ainda mostrou, a um público alargado e habitualmente criterioso. Depois dos quartos, das salas de aula, das mesas de café onde as ideias se formaram, depois dos elogios dos amigos, da mãe, do primo e da tia, a prova de fogo da exposição pública.

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Num ano em que o cartaz do Doclisboa conta com 44 filmes portugueses, 11 em competição e todos em estreia mundial, excepto António e Catarina, de Cristina Hanes, em estreia nacional, depois de vencer o prémio de curtas-metragens no Festival de Locarno, mas incluíndo a nova obra de Manuel Mozos, Ramiro, com honras de Sessão de Abertura, as 21 propostas da secção Verdes Anos, que tem uma competição e júri próprios, é bastante prometedora.


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“A secção Verdes Anos apresenta filmes portugueses de jovens realizadores e de estudantes das mais diversas áreas, pretendendo dar reconhecimento ao seu trabalho e apresentá-lo a um público alargado. Esta secção cria uma plataforma de diálogo e reflexão que pretende contribuir para o desenvolvimento de novos cineastas”, explica a organização do Festival.

Para além das cinco sessões com os filmes em competição, a secção conta com mais alguns momentos especiais, entre os quais a Sessão de Abertura “onde se estabelece uma ligação entre três elementos importantes da expansão desta secção ao longo dos últimos anos: o trabalho resultante do primeiro Grande Prémio La Guarimba, uma residência na cidade de Cleto, no sul de Itália, por Robin Petré; a escola convidada do ano passado, a Universidade de Artes e Design de Karlsruhe; e a deste ano, a Escola de Cinema e Televisão da Academia de Artes Performativas de Praga”.

O DocLisboa’17, que decorre de 19 a 29 de Outubro, em vários espaços da capital tem uma programação vasta para lá das competições, que, como avançou a sua directora, Cíntia Gil, durante a apresentação do evento reflecte “a diversidade de olhares e de idades dos realizadores, de formas e de propostas políticas e temáticas”. A VICE estará presente na programação, com uma sessão especial de entrada gratuita, que decorre no sábado, 21, no Cinema São Jorge.

Abaixo podes ficar a conhecer melhor os 21 filmes da secção Verdes Anos.

“Púrpura”, de Pedro Antunes

Verdes Anos 123 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Uma escavação pela expressão do género em dois corpos. Eles são eufóricos e disfóricos enquanto se perfuram na extracção da identidade que lhes pertence. A metamorfose acontece e deixa fragmentos de Stá e Nix num vórtice consciente na cidade de Lisboa”.

“Nightcrawlers”, de Oktay Namazov

Verdes Anos 123 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Todos os dias da semana, a meio da noite, dois homens entram nas ruas minúsculas, estreitas e escuras de Lisboa com o seu caixote do lixo barulhento. Um é do norte de Portugal e vivido. O outro é um lisboeta jovem e despreocupado”.

“John 746”, de Ana Vîjdea

Verdes Anos 123 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Dentro de uma sala repleta de todo o tipo de objectos, um homem passa o tempo a pintar um remake mural de Guernica, de Picasso, a dar livros e a cuidar do cão. Numa derradeira tentativa de chegar ao público, inventa um plano: a destruição da Arte”.

“Jacarépaguá”, de Maria Ganem

Verdes Anos 123 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“O cineasta francês Alain Cavalier visita uma casa suburbana no Rio de Janeiro, nos anos 1980, e interroga-se sobre os ganhos da chegada da câmara portátil ao cinema”.

“Medronho Todos os Dias”, de Sílvia Coelho, Paulo Raposo

Verdes Anos 224 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO

“Este filme acompanha destiladores de Monchique que revelam os saberes ancestrais da colheita e destilação da aguardente de medronho. Mais do que o processo e o resultado, é uma meditação sobre a duração e o tempo particulares da serra”.

“Caderno de Viagem”, Luísa Seara Cardoso

Verdes Anos 224 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO

“O filme retrata a relação de João Catarino com os diários gráficos. Os cadernos são um elemento com presença demarcada no quotidiano deste artista que os usa para roubar instantes à rotina e transformar os tempos mortos numa oportunidade de contemplação”.

“Casa na Serra”, de Rita Isaúl

Verdes Anos 224 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO

“Sambade, Trás-os-Montes. Antes de o pai morrer, Maria dos Anjos prometeu-lhe que ficaria com a casa e a reconstruiria. Passados 10 anos, vai uma última vez à casa, antes desta ser reconstruída, para se despedir e concluir os preparativos para as obras”.

“Rabo Negro”, de Tiago Silva

Verdes Anos 325 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Luís Henrique Jorge tem 80 anos e vive sozinho. Viveu grande parte da vida na América Latina, esteve preso duas vezes e diz não acreditar em Deus. Centra os problemas no último relacionamento, nos vizinhos e numa crise de religião que afoga diariamente no vinho”.

“O Descanso na Intensidade das Cores”, de Francisca Marvão eTatiana Saavedra

Verdes Anos 325 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“A vida é uma viagem vertiginosa. O quotidiano das gentes de Săpânţa acompanha essa viagem, da morte ao nascimento, das cores ao seu descanso”.

“Pulmões”, de Bronte Stahl

Verdes Anos 325 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“O parque convida à reflexão e o filme aquiesce. O público é levado para além do ponto onde normalmente a curiosidade se detém. Passeio aprimorado, repouso experiencial, a meditação prevalece enquanto homem, cidade e natureza convergem e se misturam”.

“Garden Beautiful”, de Oleksandr Soldatov

Verdes Anos 325 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Preparativos para o Natal ortodoxo em Portugal de três gerações de imigrantes ucranianos revelam um problema oculto: qual é a sua casa? A avó, a mãe e a filha têm respostas diferentes, mas têm de chegar a um entendimento”.

“Pesar”, de Madalena Rebelo

Verdes Anos 325 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Numa visita à última casa que os seus pais partilharam como casal, uma jovem cria o imaginário de um universo que nunca presenciou”.

“Pelágico”, de Pedro Koch

Verdes Anos 426 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Uma viagem sobre a evolução do peixe guiada pelas mãos do homem que não tem a certeza se o deve comer ou domesticar”.

“Sculpting the Body; a Theatre of Physicality”, de Samuel Meyle

Verdes Anos 426 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Uma forma teatral contemporânea conhecida frequentemente apenas como teatro físico – procurar explorar alguns dos processos criativos envolvidos na expressão de uma forma de arte performativa que inclui a palavra dita, mas provém principalmente do corpo humano”.

“Entre o Céu e o Mar”, de Giuliane Maciel

Verdes Anos 426 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“O filme nasce da necessidade de respostas, da busca da realizadora pelas suas origens junto de memórias e antigas cassetes filmadas por si e pelos seus pais”.

“Brthr”, de Inma Veiga

Verdes Anos 426 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“A primeira vez que vi o meu irmão, não gostei dele e disse à minha mãe para o devolver. Dezassete anos depois, Brthr mostra a sua transição do fim da adolescência para o início da idade adulta. Um filme sobre a procura de identidade e auto-aceitação.”

“Terreno”, de André Picardo

Verdes Anos 527 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Um lugar perdido no tempo continua a emergir na memória de Celine. A partir de um conjunto de fotografias do álbum de família, ela procura reconstruir e aproximar-se de uma série de vivências de infância, entre a Colômbia e a Alemanha”.

“Quando o Dia acaba”, de Pedro Gonçalves

Verdes Anos 527 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“O retrato de uma família homoparental. Marta e Mariana são casadas e vivem com os dois filhos – Matias (4 anos) e uma menina de um ano, Maria Mar – e um dálmata. Como é que o amor entre estas pessoas se pode materializar em pequenos gestos?”.

“Ex-Venus in Furs”, de João Martinho

Verdes Anos 527 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Um casaco de peles pousado numa cadeira, no meio de uma sala apalaçada. A quem pertence? A Larissa, a Coco Chanel do rock ‘n’ roll, rosto do Studio 54 e da alta-costura americana dos anos 1970 e 80, uma diva eterna”.

“Lemons”, de Srinivas Reddy Sanikommu

Verdes Anos 5 27 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“Uma rapariga e a sua amiga tentam roubar limões do pomar da igreja, o que leva a uma inesperada conversa íntima sobre religião e liberdade pessoal. As discussões inspiram uma demanda de reconquista da sua autonomia de uma instituição religiosa”.

“Norley and Norlen”, de Flávio Ferreira

Verdes Anos 527 OUT / 16.15, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA

“A linguagem silenciosa de dois irmãos, intimidade física. A diferença através da igualdade. Norley e Norlen são gémeos. Umas vezes lutam… e outras não”.


Este ano, a VICE Portugal associa-se ao festival lisboeta e integra a programação com três produções internacionais que pretendem espelhar o compromisso da VICE com o jornalismo de investigação, documental e de actualidade, que reflecte assuntos cruciais no contexto da sociedade global em que vivemos.

Raised Without Gender (ver trailer abaixo), sobre a educação de crianças na Suécia, num paradigma em que o género não binário é aceite e incentivado pela sociedade, Lights in Dark Places: The Refugee Crisis in Greece, realizado pela actriz, modelo e activista Lily Cole, numa abordagem muito pessoal à crise dos refugiados na Europa, e El mundo de los transgénicos en España, uma produção VICE Iberia, para o programa televisivo DIARIO VICE, que analisa, sem preconceitos, as verdades, mentiras, fobias e medos que se escondem por detrás dos transgénicos, são os documentários escolhidos.

Podem ser vistos numa sessão especial, marcada para 21 de Outubro, sábado, a partir das 18h00, na sala 2 do Cinema São Jorge. A entrada é gratuita e limitada à capacidade da sala.

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